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Wanderlei Silva revela planos para trilogia com Belfort e admite possibilidade de doar o cérebro para estudos sobre a ETC

por: Leonardo Fabri | @Fabri89
em 6 de fevereiro de 2019

A lenda Wanderlei Silva esteve conosco na RESENHA PVT dessa terça-feira, que foi ao ar ao vivo em nosso canal no Youtube (assista acima na íntegra). Em um bate–papo descontraído que durou 1 hora e 20 minutos, o Cachorro Louco relembrou os momentos mais marcantes da carreira, revelou que em breve será lançada sua biografia e, claro, reforçou o desejo de fazer uma revanche contra Vitor Belfort.

“Depois daquela derrota que eu virei o Wanderlei Silva”, reconhece. “Eu não estudei o jogo dele, eu não sabia que ele só tinha aquela arrancada de cavalo paraguaio. Tirando aquilo dali… todo mundo conhece o Vitor, ele nunca saiu de uma luta com mais do que um arranhão no olho. Ele luta, se der aquela arrancada, deu; se não der, ele dá aquela entregada. Para mim, ser o lutador que eu sou, ser o gladiador que eu sou, ter perdido para ele ali, eu fiquei mordido. Sabe aquela história: eu perco para qualquer um, menos para esse cara? Acabou que perdi para o cara, vou falar o que? Perdi para o cara, não posso fazer nada. Faz 20 anos que estou correndo atrás dele e o cara só foge.”

Atleta do Bellator, Wanderlei ampliou sua esperança em uma possível revanche depois que viu Vitor Belfort na última edição do evento, no final do mês passado. Segundo o curitibano, ainda não há nenhuma conversa de bastidores para fazer o confronto acontecer, mas, precavido, ele já treina para “dar as boas vindas” ao rival.

“Seria um evento perfeito para trazer o Bellator aqui para o Brasil. Eu sou o mais interessado nessa revanche. Eu não posso falar do cara porque eu perdi do cara, mas, sinceramente, me dói ter perdido para um bunda mole desse. E todo mundo abe que o Belfort é um frouxo. Mas vou fazer o que? Eu perdi para o cara. Agora vou ter que meter a porrada nele, aí vou dar a chance para ele e fazer mais uma. Eu faço mais duas com ele se ele quiser, sem problema nenhum. Estou bem, estou com saúde, estou treinando e nesse momento da carreira seria um golaço para todo mundo. Não posso encerrar minha carreira sem essa luta.”

ETC

Atualmente com 42 anos de idade e mais de 20 de carreira, Wanderlei Silva, pelo estilo agressivo de luta, é um dos lutadores que mais promoveu batalhas violentas dentro do ringue/cage, ganhando ou perdendo. Como consequência, hoje em dia ele carrega a possiblidade de ter desenvolvido a encefalopatia traumática crônica, vulgarmente conhecida como “demência pugilística”.

“Estive numa palestra sobre concussão e de 10 sintomas que o cara deu, oito eu tinha”, revelou. “Por exemplo: alteração de humor, esquecer algumas coisas, dificuldade no sono… No nosso tempo… eu, por exemplo, acreditava que quanto mais soco você tomava, você aguentava mais. E é ao contrário: quanto mais socos você leva, menos você aguenta na hora da luta. Se for para deixar uma dica para a rapaziada, é não ficar se batendo todos os dias. Quem tem aluno jovem, não deixa o aluno ficar levando muito soco na cabeça, tem o momento certo de fazer um treino mais forte, mas não pode se uma coisa cotidiana.

Interessado em colaborar para o esclarecimento da doença, Wanderlei admitiu a possibilidade de doar o cérebro para estudo.

“Eu pensei muito nesses tempos e até tentei entrar em contato com o pessoal para fazer essa doação. Eu tenho maior interesse em doar, já que não vou usar mesmo (risos). É uma área muito importante.”

Ainda em relação ao tema, o lutador também revelou que é voluntário no experimento de um produto desenvolvido por um canadense. Segundo ele, o “brain armour” (armadura para o cérebro, traduzido para o português) é um suplemento de vitaminas que, ingerida antes dos treinamentos de contato, funciona como uma espécie de camada protetora para o cérebro.

“Tem todas as vitaminas. Está sendo legalizado no Canadá e nós vamos tentar trazer para o Brasil. Eu vou participar dos estudos, vou tomar também… tem ômega, B12, que são as vitaminas que protegem o cérebro.