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Veterano da Nova União volta a competir e flerta com nova participação no Mundial da IBJJF

por: PVT
em 6 de dezembro de 2017

Há 7 anos em Melbourne, na Austrália, Marcelino fez uma análise sobre o Jiu-Jitsu antigo e o atual – Foto: Divulgação

Célebre competidor de Jiu-Jitsu da Nova União, o faixa-preta Marcelino Freitas retornou ao cenário competitivo no mês de outubro, depois de um período dedicado somente a sua academia e seus alunos. Telino, como é chamado pelos companheiros, foi vitorioso Internacional de Master, Sydney Open e Pan Pacífico, todos organizados pela IBJJF.

Marcelino aproveitou para comentar sobre suas recentes atuações, além de flertar com mais uma participação no Campeonato Mundial da IBJJF, em 2018.

“Eu sempre gostei de competir desde quando eu comecei, ainda com 12 anos, e hoje, com 35 anos,  é sempre bom pra entrar numa competição e sentir aquela adrenalina que ainda corre no sangue. Mas, a respeito de lutar o Mundial, para mim hoje em dia é diferente. Eu até queria, mas eu acredito que em qualquer esporte você tem o auge da sua carreira, que você vai estar ali disputando de igual para igual com seus adversários, ganhando ou perdendo. É muito importante você saber quando é a sua hora de parar. Quando eu falo parar, não é se aposentar. Competições com o Mundial, você tem que se dedicar muito e ter muita disciplina. Hoje em dia tenho outras prioridades. Porém, sempre penso em tentar mais uma vez. Só tive a oportunidade de lutar o mundial de faixa-preta por três anos, quando já estava morando aqui na Austrália. Eu queria ter lutado mais, mas por causa de algumas políticas do time alguns anos atrás e a mudança do mundial para Estados Unidos… Dificultou até por não ter muito apoio financeiramente. Mas penso em lutar mais uma vez”, conta Marcelino, que é praticante de Jiu-Jitsu desde os 12 anos de idade.

Aos 35 anos e com títulos importantes na carreira como, por exemplo, o Brasileiro da CBJJ, Marcelinho tem lições valiosas para passar para a nova geração. Para ele, a parte mental é um aspecto essencial para um lutador de alto rendimento. Adepto ao The BJJ Mental Coach, movimento pelo faixa-preta de Jiu-Jitsu Gustavo Dantas, Marcelino destrincha os benefícios de uma mente forte dentro e fora dos tatames.

“Ter uma cabeça boa é fundamental em qualquer esporte de competição. Algumas pessoas assimilam muito bem, mas outras nem tanto. Você pode estar super treinado fisicamente e tecnicamente e se a cabeça não estiver boa, você não vai ter um bom desempenho. Uma das coisas que eu faço comigo é sempre fazer minha mente acreditar, aproveitar aquele momento no tatame, que é único, e não deixar a mente fazer comparações entre eu e meus adversários. A partir das comparações vêm as desculpas, que te levam para o lado negativo. Acredito que se eu tivesse esse trabalho do BJJ Mental Coach desde o começo da minha carreira, alguns resultados poderiam ser mais positivos. O material que o Gustavo compartilha tem um valor super positivo não só no Jiu-Jitsu, mas também para o dia a dia. Esse trabalho do Gustavo Dantas tem um crédito muito importante na minha volta as competições”, detalha Marcelino.

Há 7 anos em Melbourne, na Austrália, Marcelino fez uma análise sobre o Jiu-Jitsu antigo e o atual, que vive a era das premiações em dinheiro e valorização dos atletas, e ainda ressaltou o crescimento da arte suave na “Terra dos Cangurus”.

“O Jiu-Jítsu cresceu bastante desde quando cheguei aqui e alguns brasileiros chegaram quase na mesma época, o que ajuda nesse crescimento. A Austrália tem muitos talentos e o Jiu-Jitsu não para de crescer, o que é bom para o esporte. Sobre o cenário mundial… É muito bom ver o crescimento do esporte que a gente ama e ver tanta gente vivendo do Jiu-Jitsu. Lembro que alguns anos atrás muita gente lutava por amor ao esporte e hoje em dia o Jiu-Jitsu está bem profissional e tecnicamente muito forte, o que é muito bom para essa nova geração. Isso faz com que as competições fiquem bem disputadas e cheias de novos talentos em todas as faixas”, encerra Marcelino, antes de projetar o ano de 2018.

“Para 2018, quero primeiro muita saúde para mim e minha família, aproveitar a vida e se tudo correr bem, quero lutar alguns campeonatos na Austrália e de repente no Brasil. E treinar e me dedicar  aos meus alunos na academia onde trabalho”.

Marcelino também venceu o Mundial da IBJJF na faixa-azul, roxa e marrom, o Campeonato Brasileiro por Equipes por quarto anos seguidos (1998, 2000, 2002, 2003), além dos títulos  no Campeonato Brasileiro na faixa-azul, marrom e preta.