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UVF 1: Os primeiros não-Gracie a colonizarem o Japão

por: Marcelo Alonso
em 16 de novembro de 2016

Carlão Barreto, Wallid Ismail, Hugo Duarte, Ebenezer Braga, Johil de Oliveira, The Pedro, Marcelo Mendes, Antônio Carlos Bigu. 17 meses antes antes da primeira edição do Pride, esta seleção brasileira  de Vale-Tudo, mesclando representantes do Jiu-Jitsu e da Luta-Livre, roubou a festa no Universal Vale-Tudo Fighting 1, realizado no dia 5 de abril de 1996, em um lotado ginásio Komazawa Olimpic Tokyo.

Foto: Marcelo Alonso

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As seis vitórias seguidas de Rickson Gracie nos dois torneios Vale-Tudo Japan (1994/1995) levaram os japoneses a idolatrarem sua família e os lutadores brasileiros. Muito antes de os criadores do Pride convidarem o Gracie para enfrentar Takada na primeira edição do Pride (outubro de 1997), o promotor japonês Hideki Miura, que já havia feito duas edições do Gaisei Challenge no Brasil, com a ajuda do mestre João Alberto Barreto, teve a ideia de trazer alguns dos melhores lutadores representantes do Jiu-Jitsu e da Luta-Livre para se apresentarem para o público japonês. Os oito brasileiros vieram em três grupos distintos: um do Jiu-Jitsu e dois da Luta-Livre. No grupo do Jiu-Jitsu estavam Wallid Ismail e Carlão Barreto, com Carlson Gracie, Ricardo Libório, João Alberto Barreto e seu aluno Waldir Pimenta; num grupo da Luta-Livre estavam João Ricardo (Budokan) e seus alunos The Pedro, Ebenezer Braga e Johil de Oliveira; no 2º grupo da Luta-Livre estavam Carlos Brunocilla e seus alunos Hugo Duarte, Marcelo Mendes e Antônio Bigu.

Carlão e Wallid finalizam com mata-leão

Os dois representantes do Jiu-Jitsu fizeram sua parte no evento. Enfrentando o australiano Dennis Kefalinos, que tinha em seu currículo nove nocautes em 12 vitorias, Wallid fez a luta mais rápida da noite, derrubando o oponente, montando e conseguindo encaixar um mata-leão a 2 minutos e 10 segundos do 1º round após alguns socos da montada.

Foto: Marcelo Alonso

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Na época ainda faixa marrom, o campeão mundial pesado Carlão Bareto foi convidado para substituir Vitor Belfort enfrentando o russo campeão de sambo Mikhail Iloukhine, ou Yuri Micha, cuja única derrota havia sido para o gigante Ricardão, na Rússia, quando o brasileiro terminou a luta deformado pelos socos do russo na guarda.

Como era esperado, Carlão começou caindo por baixo, mas com seu mestre Carlson e Libório em seu corner, manteve a calma e impôs a tática de deixar o russo se cansar tentando acertá-lo da guarda. Durante os 10 primeiros minutos (1º round), Barreto ficou tranquilo se defendendo das investidas do russo.

No segundo round, Carlão defendeu uma tentativa de queda, caiu por cima e, após acertá-lo com socos da montada, pegou as costas e encaixou um mata-leão, para delírio de Carlson, Wallid, Libório e Waldir Pimenta, que invadiram o ringue para comemorar a primeira vitória que colocaria Carlão de faixa marrom inexperiente a principal peso pesado da equipe Carlson.

Luta-Livre Budokan tratoriza

Foto: Marcelo Alonso

Foto: Marcelo Alonso

Misturando o chão ensinado por João Ricardo com o Muay Thai de Luiz Alves (Boxe Thai), os representantes da Budokan impressionaram os japoneses pela maneira traumática com que venceram seus oponentes. Depois de derrubar Naohisa Kawamura, Ebenezer bateu tanto no japonês que este desfaleceu no ringue com o rosto deformado a 3 minutos e 17 segundos de luta.

Johil de Oliveira seguiu a mesma cartilha, não tendo dificuldades para derrubar, pegar as costas e bater tanto em Akira Nagase a ponto de quebrar dois dedos da mão. Diante do rosto do japonês, ao final do primeiro round, o médico não permitiu que este voltasse.

Fazendo a luta principal do evento contra o ídolo local, representante do Sumo, Koji Kitao (2 metros e 170 kg), The Pedro caiu por baixo. Mas sem saber o que fazer por cima, o japonês tentava enfiar o dedo no olho do brasileiro que gritava para que o juiz João Alberto Barreto coibisse sua atitude. Aos poucos Kitao foi cansando e permitiu que o brasileiro chegasse às suas costas. Em posição de vantagem, The Pedro acertou uma série de cotoveladas e obrigou  japonês a desistir a 5 minutos e 49 segundos do 1º round.

Hugo vence e sela as pazes com o Jiu-Jitsu

Foto: Marcelo Alonso

Foto: Marcelo Alonso

Se no grupo de João Ricardo todos venceram, no grupo da Luta-Livre de Carlos Brunocilla só Hugo Duarte conseguiu finalizar seu oponente. Fazendo a penúltima luta da noite contra Diusel Berto, Hugo não teve problemas para derrubar o oponente e finalizá-lo com uma Kimura do cem quilos, seu golpe predileto.

Depois de quatro dias de clima pesado entre o pessoal do Jiu-Jitsu e Luta-Livre nos bastidores do hotel Shinagawa Prince, o general da Luta-Livre, logo depois do evento, deu o primeiro passo para acabar com a guerra entre as duas modalidades, que já durava mais de 10 anos no Rio de Janeiro. Depois de cumprimentar todo o grupo do Jiu-Jitsu, Hugo deu um abraço no maior rival, Wallid Ismail: “Dá um abraço aqui, vamos acabar com essa rivalidade”. Dois anos mais tarde, em 1998, no Pride 4, Carlson retribuiu a atitude de Hugo ficando em seu corner na luta contra Mark Kerr.

A exceção de Hugo, todos os representantes de sua equipe foram derrotados. Antônio Bigu começou lutando bem contra o bem mais pesado Todd Medina, mas depois de levar vantagem nos minutos iniciais acabou sendo finalizado a 6 minutos e 06 segundos com uma guilhotina.

Na pior luta da noite, Marcelo Mendes, que havia sido vencido por Murilo Bustamante no Desafio Jiu-Jitsu e Luta-Livre em 1991, não conseguiu se encontrar diante do grandalhão Michael Stam, que o fez literalmente fugir do ringue em duas oportunidades. Na última delas, o brasileiro não votou para a luta.

  • "Foto: Marcelo Alonso"
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