Portal do Vale Tudo

Treinador por acaso, Rogério Miranda se espelha em Dedé Pederneiras e celebra bons resultados no MMA

por: PVT | @portaldovt
em 8 de junho de 2018

Rogerio Miranda com Milton Vieira e os atletas da Rio Fighters. Foto Eduardo Ferreira

Ele já treinou com os maiores nomes do Jiu-Jitsu e do MMA. Rodrigo Minotauro, Ricardo Arona, Zé Mário Sperry, Murilo Bustamante e Vitor Belfort são alguns dos grandes expoentes das lutas que Rogerio Miranda, conhecido no meio da luta como Rogerinho, teve o privilégio de treinar e aprender. Tantos anos dividindo os tatames com os maiores cascas-grossas das artes marciais, além de inúmeras viagens para eventos como Pride e UFC no staff dos atletas da BTT, deu ao faixa-preta a expertise necessária para que ele hoje se tornasse um dos grandes treinadores de MMA no Brasil. Há três anos, ele comanda ao lado de Milton Vieira os treinos de MMA da academia Rio Fighters.

“A BTT foi uma verdadeira faculdade de MMA para mim. Lá eu era nutrido com os conhecimentos técnicos do Murilo Bustamante, do Bebeo Duarte, Ricardo Libório e Zé Mario Sperry, além dos meus companheiros de treino que, diga-se de passagem, só tinha monstro consagrado. Na BTT pude aproveitar tudo que um grande time pode proporcionar como treinos de Boxe na Nobre Arte, Muay Thai com os Mestres Sérgio Cunha e Paulo Nikolai, e Wrestling com Darrel Gholar e Jefferson Ratazana. Aprendi muito nessa época, tanto nos treinos quanto nas viagens para os eventos”, contou Rogerinho.

Rogerinho com Darrel Gholar e Paulo Nikolai nos tempos áureos da BTT. Arquivo pessoal

Mas a história do faixa-preta começou muito antes dos áureos tempos de Carlson Gracie Team – posteriormente BTT. Rogerinho iniciou na luta em Brasília com o professor José Roberto Barreto, sobrinho dos Mestres João Alberto Barreto e Álvaro Barreto. Ao passar no concurso público para o TCU, em 1991, ele transferido para o Rio de Janeiro e indicado pelo Mestre Armando Wridt para treinar no Clube Carlson Gracie de Jiu-Jitsu.

“Foi aí que a poderosidade tomou conta do meu ser”, diz, as gargalhadas. “A Carlson era mais do que uma academia. Lá tive o imenso e raro prazer de ser pupilo do grande campeão Amaury Bitteti, que me levava para treinar em todos os lugares que ia. Ele, inclusive, já me induzia a lutar Vale-Tudo. Treinávamos todos os dias, pontualmente às 8h da manhã, na academia do Osíris Maia, junto com o Vitor Belfort e outros cascas-grossas da época. O couro comia logo cedo. Isso era mais ou menos em1993”, relembrou o faixa-preta.

Rogerio com Belfort no UFC 37.5, quando Vitor encarou Chuck Liddell. Arquivo pessoal

Rogerinho não ficou só nos treinos. Pelo Clube Carlson Gracie ele participei de inúmeros campeonatos e se sagrou campeão Estadual, campeão da Copa Atlântico Sul (Brasileiro de Jiu-Jitsu da época), vice-campeão Brasileiro, entre outros títulos dos torneios que ocorriam na década de 90. Após a ida do Mestre Carlson Gracie para os Estados Unidos, Rogerio Mirando passou a treinar no time montado pelos Mestres Sérgio Souza, o Bolão, e Murilo Bustamante.

“A Rio Jiu-Jitsu Clube era uma verdadeira potência, uma nova Carlson Gracie. Tinha atletas renomados de grandes academias… O bicho pegava. Fomos considerados a melhor equipe de faixa marrom do mundo, e lá fui campeão Brasileiro por Equipes, vice-campeão Pan-Americano e campeão Estadual. Após o infeliz término da equipe, Murilo, Libório, Bebeo e Zé Mario fundaram a BTT, que logo se tornou uma das maiores equipes de MMA do mundo”.

A estrada de Rogerinho na artes marciais não foi fácil. Além do seu emprego no TCU, ele dividia seu tempo entre os treinos e a faculdade de Economia na UFRJ, e posteriormente a faculdade de Direito na Estácio. “E ainda tinha que trabalhar quase sempre de olho roxo no TCU (risos)”, se diverte Rogério.

De lutador à treinador: a trajetória até chegar na Rio Fighters

Treinando com tantos grandes nomes da época, Rogerinho obviamente se viu motivado em tentar uma carreira no MMA. Mas, após ter três lutas canceladas, ele desistiu da empreitada e resolveu apenas ajudar seus companheiros de equipe.

Rogerinho com Bebeo, Sperry, Capoani e Arona nos bastidores do Pride. Arquivo pessoal

“Quando a primeira geração da BTT saiu e surgiram nomes como Milton Vieira e Junior Buscapé, eu já tinha desistido de tentar a vida como lutador de MMA, pois tive três lutas canceladas, uma na Venezuela, onde também lutariam Roan Jucão, Moacyr Boca, Marcel Ferreira e Omar, outra na Flórida conseguida pelo empresário Alex Davis, porém o Estado da Flórida não permitia o MMA na época, e no Meca, onde eu não conseguiria cortar meu peso. Então, como já estava fazendo pós-graduação em Direito e Processo Penal, me dediquei a ajudar meus companheiros de equipe”, explicou.

O primeiro lutador que Rogerinho ajudou no treinamento foi Maurício Reis, conquistando ao seu lado quatro vitórias consecutivas. Em seguida ele ajudou Fabio Mello, que venceu sua luta na época com uma guilhotina. Na sequência vieram outras vitórias com nomes como Fernando Paulon e Milton Vieira. Foi a partir daí que Rogerinho viu seu lado treinador aflorar.

“Depois dessa luta do Fabinho, e já íntimo do Miltinho, notei que tinha um talento para ser treinador. Foi quando comecei a trabalhar com o Eraldo Paes e o mestre Murilo Bustamante na preparação do Milton”, contou Rogerinho.

A partir daí, as coisas acontecerem naturalmente para Rogerinho. Assim que Milton Vieira deixou a BTT e resolveu montar o seu próprio time, ele convidou o amigo para ser o treinador de sua nova equipe, a Rio Fighters.

“Quando o Milton me convidou, eu aceitei na hora. Três anos depois, estamos começando a colher os louros. Hoje temos um time vencedor, com dois cinturões do Shooto, um cinturão do FXS no México, e várias vitórias nos maiores eventos nacionais de MMA, além de ter atletas conquistando o seu espaço em eventos internacionais”.

Rogerio e Miltinho com uma das promessas da equipe, Adriano Capitulino. Leo Fabri

Rogerinho teve uma grande escola e vários mestres em que pode se espelhar para trilhar o seu próprio caminho. Mas ele sabe que para continuar crescendo e conquistando resultado, precisa continuar observando e aprendendo. E, por isso, ele se espelha em um dos maiores treinadores da atualidade,o líder da Nova União André Pederneiras.

“Tenho vários treinadores como inspiração. Todos os que tive na BTT, o Carlson Gracie, Sergio Bolão, o Claudio Coelho, porém, o Dedé Pederneiras é o que mais me inspira. E vou dizer porquê. Desde os anos 90, quando ainda focava apenas no Jiu-Jitsu, ele fez vários campeões. No MMA ele foi dono de três cinturões do UFC, fez campeão no Bellator, no Shooto japonês e em vários outros eventos pelo Brasil e pelo mundo. Ele pegou uns caras, que vinham do nada, e os transformou em máquinas de guerra! Todos os seus alunos o adoram. E ele é o único no Brasil com centro de treinamento e local para eventos de MMA. Me desculpe o termo, mas não tem como não achar esse cara foda”, elogiou Rogerinho.

“Mas uma coisa eu digo: Dedé, cuidado comigo. Aprendo só de olhar (risos). Minhas qualidades são poucas, mas não sou burro e nem soberbo, aprendo com todos e ensino a poucos”, encerrou Miranda.