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Treinador de Bader, Jair Lourenço confessa que não gostaria de ver revanche contra Lyoto, mas admite: ‘Seria uma grande luta’

por: Leonardo Fabri | @Fabri89
em 8 de fevereiro de 2019

Quando fazia parte do plantel do UFC, Ryan Bader era considerado uma espécie de “porteiro” da categoria dos meio-pesados, por vencer a maioria das lutas mas acabar tropeçando nas decisivas. A maré começou a mudar a favor do americano quando o brasileiro Jair Lourenço foi convidado para liderar sua equipe, a Power MMA, em 2016.

De lá para cá, Bader não só ganhou todos os combates que disputou, como também se tornou o primeiro campeão de duas categorias (meio-pesado e pesado) de forma simultânea da história do Bellator A conquista mais recente foi o cinturão dos pesos pesados, após nocautear a lenda Fedor Emelianenko em apenas 35 segundos na final do torneio da categoria, no mês passado.

Apesar disso, segundo Lourenço, o próximo compromisso de Bader, no alto de seus 101kg, deve ser a defesa do título dos meio-pesados. Um dos nomes cotados pelo próprio lutador americano é o do brasileiro Lyoto Machida, que o nocauteou em 2012 pelo UFC. Para o treinador, o confronto seria especial.

“Ainda não temos um oponente definido, mas já estamos nos antecipando e estudado todos os possíveis contenders. Quanto ao Lyoto, pelo lado pessoal, é uma luta que eu não faço a menor questão de ver, pois o Lyoto é um amigo de longa data. Mas, vendo pelo lado profissional, seria uma grande luta e um grande negócio para ambos! Com certeza é uma luta que muita gente gostaria ver”, admite.

Perguntado sobre uma hipotética luta entre Ryan Bader e Daniel Cormier, que também foi campeão dos meio-pesados e dos pesados ao mesmo tempo, só que do UFC, Jair Lourenço não se esquivou.

“Seria umas das maiores lutas de todos os tempos, tanto no business quanto em termos de luta e si. É uma luta que o Bader gostaria muito de fazer. Eu e todo o time confiamos muito no jogo dele para essa luta. O Bader vem evoluindo bastante tecnicamente, fisicamente e mentalmente… Vai parecer aquele velho papo de professor querendo levantar o moral do aluno, mas pode ter certeza que eu aposto todas minhas fichas no Bader para essa luta. O Cormier é um lutador excepcional e já provou para o mundo diversas vezes isso, além de ser um wrestler de alto nível, mas é como eu falei antes, o Bader vem evoluindo muito, tem 12 vitórias por nocaute e está muito versátil na luta em pé e no Wrestling adaptado para o MMA, e pode surpreender muita gente nessa suposta luta…”

Confira abaixo a entrevista completa com o líder da Kimura e da Power MMA:

Bader e Jair Lourenço, parceria de sucesso no Bellator – Foto: Arquivo Pessoal

PVT: Como foi a preparação para a luta conta o Fedor? Apesar de não estar no auge, ainda era a lenda Fedor do outro lado. Teve algum detalhe diferencial que você pode revelar?

Jair lourenço: Na realidade trouxemos muito do jogo treinado para a luta com o King Mo para esse camp contra o Fedor. Se você prestar bem atenção, os dois têm o jogo (fundamentos) bem parecidos na parte da trocação, já que os dois são destros, gostam de jogar com a guarda baixa para seus golpes não serem vistos pelos oponentes, o que os tornam muito perigosos, e por isso que ambos têm tantas vitórias por nocaute na carreira, mas também os torna um pouco mais vulneráveis para serem atacados com velocidade e precisão; você só não pode é errar esse com ataque contra golpeadores do nível do Fedor e do Mo! (risos).

Ambos têm a mesma característica de jogar com golpes de definição (não trabalham muito com golpes de preparação), pressionando os adversários para fazê-los errar e serem pegos no contragolpe; os dois preferem usar mais as mãos (Boxe) e ainda mais em suas últimas lutas nas quais praticamente não usaram chutes ou joelhadas, e também não trocaram de base (para base de canhoto), lutaram o tempo todo em sua base regular de destro.

O plano era não ficar muito na média distância e sim jogar da longa fazendo transições rápidas para a curta, sem parar muito na média, e esse jogo o Bader está fazendo com muita destreza. Mas abrindo o jogo aqui para o PVT, confesso que o game plan de origem seria fazer o Fedor usar toda a sua força e explosão (característica de seu jogo) nos primeiros rounds já que ele nunca tinha feito uma luta ou camp de 5 rounds antes. Além do mais, uma luta prolongada é sempre um cenário perfeito para o Bader, que tem um condicionamento físico de alto nível. Também fazia parte do plano usar bastante a troca de bases e os chutes, mas felizmente a luta não se prolongou.

PVT: Agora o Bader é campeão nos meio-pesados e nos pesados. A equipe já tem em mente o próximo passo?

Jair Lourenço: O plano é que ele faça a próxima luta na sua categoria (93kg), até porque o Bader continua praticamente com o peso que tinha antes do GP, já que ele pesou 101kg no dia da luta. Ainda não temos um oponente definido, mas já estamos nos antecipando e estudado todos os possíveis contenders. Quanto ao Lyoto, pelo lado pessoal, é uma luta que não faço a menor questão de ver, pois o Lyoto é um amigo de longa data. Mas, vendo pelo lado profissional, seria uma grande luta e um grande negócio para ambos! Com certeza é uma luta que muita gente gostaria ver.

PVT: Daniel Cormier também venceu nas duas categorias. Numa situação hipotética, quais as chances de Bader contra Cormier?

Fundador da Kimura agora lidera a Power MMA – Foto: Reprodução/ Instagram

Jair Lourenço: Seria umas das maiores lutas de todos os tempos, tanto no business quanto em termos de luta e si. É uma luta que o Bader gostaria muito de fazer. Eu e todo o time confiamos muito no jogo dele para essa luta. O Bader vem evoluindo bastante tecnicamente, fisicamente e mentalmente… Vai parecer aquele velho papo de professor querendo levantar o moral do aluno, mas pode ter certeza que eu aposto todas minhas fichas no Bader para essa luta. O Cormier é um lutador excepcional e já provou para o mundo diversas vezes isso, além de ser um wrestler de alto nível, mas é como eu falei antes, o Bader vem evoluindo muito, tem 12 vitórias por nocaute e está muito versátil na luta em pé e no Wrestling adaptado para o MMA, e pode surpreender muita gente nessa suposta luta.. 

PVT: Como está a vida e o trabalho nos EUA? Quando e como foi parar na Power?

Jair Lourenço: Graças a Deus a vida está boa, não tenho do que reclamar; meus filhos e esposa se adaptaram bem e gostam muito daqui. Porém sinto muita falta do restante da família, amigos e alunos, da academia e da minha terrinha (Natal/RN). Vim para a Power pela primeira vez para fazer o camp do Bader contra o Rogerio Minotouro para o UFC São Paulo em novembro de 2016. Fui indicado pelos amigos do Nordeste Francisco France (Kiko) e André Maracaba (Ursão), que já treinavam e davam aula na Power há muito tempo e também já conheciam o meu trabalho no Brasil e no TUF em Las Vegas, no qual, na oportunidade, cravamos um record de vitórias em lutas e nas provas competitivas jamais batido por outra equipe até hoje na história do TUF. E como no final deu tudo certo no camp, na luta e sintonia com a equipe, eles acabaram me fazendo uma proposta ser o head coach da equipe. Como eu já planejava vir para a América com minha família, acabou sendo o casamento perfeito e hoje estamos aqui no Arizona.

PVT: Para 2019, quem são as promessas e em quais categorias você pode apontar para a gente ficar de olho?

Jair Lourenço: No Brasil tem Cyro Badboy, que já é uma promessa concretizada, no ano passado conquistou o prêmio de melhor nocaute do ano pelo ACA; Jackson Samurai, que também no ano passado conquistou o cinturão do Iron Boy MMA em Phoenix-EUA; Thiago GT e João Paulo King, ambos invictos no MMA, além de serem bem jovens e com um jogo completo; entre outras grandes promessas que temos em Natal e que logo logo o mundo conhecerá.

Aqui nos EUA tenho o Jordan Johnson (Double J), que está invicto no MMA e com quatro vitórias no UFC, sendo a última por finalização no primeiro UFC na RÚSSIA; Ray Waters e Sullivan Cauley, ambos com o background de alto nível no Wrestling e que já estrearam com chave de ouro no MMA amador e em eventos de trocação. Este ano irão iniciar a carreira no profissional.

PVT: Quem está de frente na Kimura em Natal? Como vocês se mantém ligados mesmo com a distância?

Jair Lourenço: Continuamos à frente, porém, com a distância, tivemos que delegar funções dentro da equipe para o funcionamento, tanto no âmbito técnico como administrativo, e até o momento estamos indo muito bem. Contamos também com a ajuda da tecnologia que facilita a integração e me deixa ligado diariamente nos treinos através das câmeras e pelo acesso remoto do sistema no qual minha esposa, Juliana, gerencia… toda essa parte administrativa, assim como o suporte de vários professores, funcionários e colaboradores…