Semifinais

É o fim dos dias, camaradas! Após uma semana de folga devido ao feriado americano do Dia de Ação de Graças, volto para tabular os eventos dos dois últimos episódios da oitava temporada do Ultimate Fighter. Após as boas lutas, as lutas feias, as peripécias alimentícias e a bebedeira generalizada, a linha de chegada está logo ali, e os atletas no páreo lutarão hoje por suas vagas nas finais!

 

Dando início à maratona de hoje, revemos as vitórias mais recentes de Ryan Bader (nocauteando Tom Lawlor com um verdadeiro míssil no ground ‘n’ pound), Eliot Marshall (dominando Shane Primm no chão e encaixando um mata-leão rápido), Phillipe Nover (finalizando o Dave “Queixo de Aço” Kaplan) e George Roop (vencendo uma decisão discutível após dois rounds).

 

Bader é o único representante da Equipe Nogueira nas semifinais dos meio pesados, mas também é o favorito. Bader abrirá as semifinais com sua luta contra Eliot Marshall. O Bader acha que o Eliot não tem raça e coração suficientes para vencer. Faz sentido, já que ele não demonstrou aquele “sangue nos olhos” que gostamos de ver. Eliot teve uma ótima apresentação em sua última luta quando conseguiu derrubar e ficar por cima, mas não mostrou que sabe lidar bem com situações difíceis. Minotauro diz que Bader é melhor tanto em pé quanto no wrestling, e para dar um gostinho da técnica do Bader na trocação, vemos o próprio Minota (raçudo e sem capacete) fazendo luvas com o Bader! Grande momento, e de fato o Bader mostra muita força e explosão. Não vejo muita técnica defensiva na movimentação do Bader, mas o cara bate forte e certamente tem golpes precisos.

 

Eliot não se ilude, e sabe que é o azarão na luta, mas está bem confiante. Ele gosta de desafios mesmo, e quer pegar o favorito da competição logo de cara. Frank Mir acha que é uma ótima luta para o Eliot por causa dos estilos, pois imagina que Bader não tentará derrubá-lo para evitar o jiu-jitsu afiado do Eliot. Ganhando pontos comigo, Eliot declara seu amor pela Arte Suave, afirmando que o jiu-jitsu é a melhor arte marcial. Quando parar de lutar profissionalmente, Eliot planeja abrir sua própria academia de jiu-jitsu. “De acordo com o modo operacional ensinado pelo wrestling, quando nos deparamos com uma parede na vida, precisamos nos esforçar e empurrar cada vez mais forte para derrubá-la. A vida não é assim. Quando nos deparamos com uma parede, precisamos encontrar uma brecha ou uma porta para passar por ela, e o jiu-jitsu é isso. O jiu-jitsu nos ensina a encontrar essa porta aberta.” Muito bem explicado, embora eu não concorde inteiramente com a análise dele sobre o wrestling. Embora seja uma tradição diferente do judô ou do jiu-jitsu, há muita técnica no wrestling também. Não é pura força bruta, como muitos imaginam. Enfim, concordo basicamente com o cara, então não elaborarei demais.

 

No dia da luta, Bader parece bem mais relaxado, enquanto Eliot mal consegue conter sua energia. Devido à vantagem clara no wrestling, Bader diz que a vantagem é dele, pois pode escolher onde a luta desenvolverá. Eliot concorda com essa análise básica da luta, mas dá sua interpretação pertinente: “Sou melhor do que ele em pé e no chão, então ele pode escolher onde vai perder.” Bader dá a impressão que chegou na luta no clima de “já ganhei”, pois diz que está ansioso para chegar na final e ansioso para ganhar, mas está bem focado. “Eliot é um obstáculo no meu caminho, tentando me empurrar de volta à minha vidinha e meu trabalho maçante. Não deixarei que isso aconteça.”

 

Agora que estamos nas semifinais, as lutas terão três rounds. Vamos à luta entre o especialista de jiu-jitsu Eliot Marshall (5-1) e o wrestler Ryan Bader (7-0)!

 

Bader começa com chutes fortes na perna e Eliot recua após uns bons socos. Bader não é muito agressivo na trocação, mas tem força o bastante para deixar Eliot receoso mesmo com golpes simples. Ou será que não? Pouco depois, Eliot tenta um chute alto que Bader bloqueia, e Minotauro aconselha Bader a partir pro ataque e manter a pressão, sem deixar Eliot controlar o ritmo. Do jeito que o Bader avança, dá para ver que ele tem técnica de boxe, mas fica com medo de ser derrubado e volta à defensiva pouco depois de qualquer golpe ou combinação. Isso ficou claro após uma boa sequência onde Bader encurralou Eliot, mas deixou-o sozinho na grade ao invés de atacar. Eliot acerta um bom direto, e parece que isso dá uma acordada no Bader, que revida com socos fortes pouco depois. Bader tem um cruzado de direita fortíssimo, mas ainda não conectou porque está telegrafando o soco, sem variar os golpes.

 

A luta continua meio morna até Eliot tentar um chute no corpo que Ryan defende bem, e pega a perna do Eliot, conseguindo a derrubada. Eliot imediatamente joga a perna pra cima para controlar o braço direito e a postura do Bader, que empurra-o para a grade. Bader acerta socos curtos e aproveita algumas cotoveladas, mas há pouco espaço para trabalhar o ground ‘n’ pound, acertando só um soco forte de cada vez. Eliot mantém uma boa guarda, mas fica passivo demais. Ele não tenta bater muito por baixo, concentrando-se só no jiu-jitsu. Mir fica frustrado com a passividade do Eliot por baixo, e Bader continua o ground ‘n’ pound controlado. Minotauro continua instruindo Bader, mandando-o continuar na guarda, sem deixar que o Eliot empurre o braço esquerdo dele. Faltando trinta segundos no round, Ryan tenta se levantar para acertar golpes mais fortes, mas Eliot arrasta-o de volta ao chão e tranca o cadeado de sua guarda ainda mais. O round termina com Bader levantando e acertando bons socos diretos no Eliot no ground ‘n’ pound. Round meio burocrático, com Bader claramente controlando a ação, mas receoso demais por causa do jiu-jitsu do Eliot. O wrestler não quer se expor, e o lutador de jiu-jitsu não conseguiu encontrar ou criar uma brecha.

 

Os dois começam o segundo round mais energizados, e Bader avança com socos enquanto Eliot acerta chutes! Não! É mentira! Dez segundos depois, os dois recuperam a distância e voltam ao marasmo da trocação do primeiro round. Bader logo bloqueia outro chute do Eliot e consegue o clinch, levando a um belo takedown que coloca-o na guarda novamente. Bader repete a estratégia do primeiro round, levando Eliot à grade para não dar espaço para finalizações. Mir implora ao Eliot para botar pressão, já que o Bader está só “abraçando” ele. Eliot até tenta melhorar sua posição empurrando a grade com as pernas, mas não vai longe. Bader controla a luta por cima, e de vez em quando simula um ground ‘n’ pound. É doloroso ver o Bader só tentando controlar os braços do Eliot ao invés de atacar, mas se o Eliot não consegue escapar, fazer o quê? Bader acerta um boa cotovelada e Eliot aproveita a brecha para criar distância na guarda e controlar o braço do Bader, tentando uma finalização. Porém, Bader dá um fim a essa brincadeira levantando Eliot e derrubando-o no chão rapidamente. Eliot parece que busca kimuras e omoplatas, mas sem sucesso. Ele não se dedica o bastante às tentativas de finalização. Tenho colegas que chamariam isso de “tentativas de tentativas de finalização”. Eliot só pensa em tentar finalizações, ao invés de pensar nas finalizações em si. Só quer assustar o Bader, e se a finalização aparecer no caminho, aí pode ser.

 

Finalmente, o bondoso árbitro Josh Rosenthal tem piedade dos telespectadores e levanta os lutadores faltando 1:45 no segundo round. Após uma breve troca de socos, Bader leva Eliot ao chão mais uma vez com um double leg takedown, e dessa vez avança para a meia guarda. Eliot consegue recuperar a guarda, mas Bader continua controlando a luta. Familiar, não é? Bader acerta bons golpes, mas é só o bastante para pontuar enquanto o round termina.

 

A esta altura, lamento o fato das semifinais serem três rounds, mas é tarde demais para mudar de idéia. Vamos ao terceiro round. Eliot avança com bons golpes, mas assim que Bader se recupera, ele derruba Eliot com facilidade. Será que Eliot encaixará uma finalização dessa vez? Será que Bader aplicará um ground ‘n’ pound mais conclusivo no terceiro round? Após um minuto de socos curtos e controle de braço, parece que a resposta será “não” a ambas as perguntas.

 

Porém, Eliot me surpreende girando para tentar uma chave de perna, que Bader defende meio no sprawl e meio com a ajuda das mão na grade. Mir fica possesso, e pede ao Eliot para repetir a tentativa, porque se Bader agarrar a grade novamente, perderá um ponto. Bader continua mantendo a cabeça baixa e acertando soquinhos, e o Rosenthal levanta os lutadores aos 3:25. Bader entra com um gancho de direita que abre espaço para mais um takedown, voltando à guarda do Eliot. Lá vamos nós de novo. Eliot agarra o braço direito do Bader para uma tentativa de kimura, mas o Darth Bader usa a força para erguer Eliot novamente, derrubando-o e voltando à posição neutra na guarda. Mir grita: “Levante-os! Isso está chato pra caralho!” Por mais que eu concorde, Eliot é parte da causa. Por que o Mir não grita com ele também? Garanto que se Eliot estivesse por cima usando a mesma estratégia, Mir não reclamaria. Enfim, parece que o Rosenthal concorda com o Mir, pois ele levanta os lutadores mais uma vez, faltando 1:15 de luta. Mir quer um nocaute, mas Bader abaixa-se durante um chute meia-boca do Eliot e derruba-o pela última vez (espero). Eliot parece bem cansado, e Bader avança para a meia guarda enquanto Eliot gira para tentar alguma coisa. A luta termina com Bader controlando a posição, acertando mais uma cotoveladinha curta para dar um ponto final na luta. Eliot levanta-se claramente frustrado, e Bader comemora.

 

Como o Minota diz em sua análise: “Bader derrubou Eliot, e assim que a luta foi ao chão, Bader controlou a luta bastante.” Disso não há dúvida! Bader controlou com maestria, mas fez pouco mais do que isso. Porém, como Dana White explica, Eliot também não fez nada. Ele não se arriscou, e não tentou mudar o ritmo da luta mesmo após sentir um déjà-vu com cada takedown do Bader. A análise do Mir é bem mais ácida: “Bader usou uma ótima estratégia. Ele sabe que não é um bom lutador. É só um bom wrestler. Meus parabéns a ele por vencer a luta com suas habilidades limitadas.” Ou seja, Mir esclarece que além de mau vencedor, ele também é mau perdedor, dizendo indiretamente: “venceu, mas ainda é ruim”.

 

Eliot recusa-se a inventar desculpas pela derrota, e admite que Bader venceu mesmo. Porém, é um péssimo sinal quando a própria equipe dele fica calada quando ele pergunta se acham que ele ficou parado demais no chão. Eliot diz que tentou escapar e tentou se movimentar, mas não conseguiu. “Muitos diriam que isso foi puro lay ‘n’ pray do Ryan Bader. Eu diria que Ryan Bader venceu.” Uma atitude muito madura da parte dele, e espero que ele consertar seu jogo e voltar ao UFC.

 

A seguir temos a luta entre Phillipe Nover (4-0-1) e George Roop (8-3), que certamente será mais empolgante. Nover diz que não enfrentou muitos caras altos como o Roop, então a estratégia dele levará isso em consideração. Agora Nover sente que a pressão está toda em cima dele, já que ele lutou muito bem contra adversários difíceis. É difícil não sentir pressão quando o Dana White faz alusões e comparações com Anderson Silva e Georges St. Pierre, mas ele afasta essa pressão e não deixa que isso o afete. Minotauro diz que o Nover é o melhor striker da casa entre os leves, e vemos um pouco disso nos treinos.

 

Mir ainda teme a mão machucada do Roop, mas diz que isso o forçará a lutar com ainda mais raça. “Ele é casca-grossa, e se algum dia eu precisar lutar em uma guerra, quero George Roop ao meu lado, porque ele não hesitará um segundo. Ele é guerreiro em todos os sentidos.” Roop diz que ele se sai melhor quando é o azarão, então continua confiante.

 

Enquanto isso, Nover liga seu lado animal, como de costume. “Subtraio todas as emoções e entro no meu modo de lutador. Serei o caçador na luta.” Sempre com o visual do caçador e a caça. É uma consistência e concentração mental que dá uma clara vantagem ao Phillipe na luta. “Sou um tigre (!) e ele é um veado. Vou caçá-lo e devorá-lo, porque ele está no meu caminho.” A cara de animal dele é fascinante. Quase parece o “olho do tigre” do Huerta e do Guida na luta entre eles no Ultimate Fighter 6 Finale.

 

Nover parte pra cima com tudo logo no início, encurtando a distância com uma rajada de socos e derrubando o Roop. Nover cai por cima e consegue a meia guarda, mas Roop empurra a grade e consegue girar, fazendo a raspagem. Parece uma situação perigosa para o Nover, pois dizem que o Roop tem um ótimo jiu-jitsu. Porém, o Nover já caiu por baixo tentando finalizar, pegando o braço do Roop para uma kimura. Roop defende bem e empurra Nover até a grade, limitando o espaço. Mesmo assim, Nover não solta o braço e levanta-se, usando a postura e o peso para empurrar o braço do Roop para baixo, criando espaço novamente e abrindo a defesa dele de pouco em pouco. Com isso, o braço do Roop logo se solta e o Phillipe força a kimura. Roop gira para defender a finalização, mas o Phillipe impede que ele vire completamente com as pernas, e torce a kimura com o Roop dobrado ao meio até ele bater! Nunca tinha vista uma kimura funcionar dessa posição antes, porque no MMA é mais comum ver o cara só usando a kimura para fazer a raspagem daí, mas foi uma finalização linda.

 

“O Phillipe vira um cara mau na hora da luta,” diz o Minota. “Ele é que nem o Anderson Silva nesse sentido.” Luta impressionante para o Nover. Esteve em perfeito controle da situação, e não se descuidou mesmo quando parecia que o Roop tinha a posição mais vantajosa. “Fico feliz de poder ser parte disto,” diz o Minota. “Eu pude ajudá-los a reazlizar seus sonhos.”

 

Iniciando o segundo episódio desta sequência, revemos as últimas vitórias dos quatro semifinalistas restantes: o armbar do Krzysztof no Kyle, o armbar lindo do Vinny no Jules, a vitória custosa de Junie contra Rolando, e o belo triângulo do Efrain em Shane Nelson, seguido pelo espetáculo do Junie pulando dentro da jaula para peitar o Efrain e o resto da Equipe Nogueira.

 

A luta entre Krzysztof e Vinny é ainda mais interessante porque além de serem parceiros de equipe no programa, os dois também treinam juntos (ou treinavam) na Team Quest em Temecula, Califórnia. Vinny diz que não está nervoso, pois esperava enfrentar Krzysztof na primeira luta do programa mesmo, e agora chegou a hora. Krzysztof adapta um célebre ditado para descrever sua estratégia: “Quando um faixa-preta leva um soco na cara, vira um faixa marrom. Se levar uma boa combinação, vira faixa-branca. O plano é esse.” Krzysztof disse em alto brado que também tinha jiu-jitsu após finalizar Kyle Kingsbury, mas sabe muito bem que a estratégia dele precisa ser a trocação. É mais um capítulo no livro de confrontos entre strikers e grapplers. Krzysztof diz que a luta toda dependerá de quem for derrubado ou não, que é o mais provável mesmo.

 

Krzysztof leva a luta ao lado pessoal para descrever sua motivação, erguendo os punhos e dizendo: “Esta é minha esposa, e este é o meu filho, e eles vão arrebentar a cara do Vinny.” Nosso colega Vinícius não preocupa-se demais com o método, e só quer saber da vitória a qualquer custo.

 

A luta entre Krzysztof Soszynski (16-8-1) e Vinícius “Pezão” Magalhães (2-2) decidirá o adversário do Bader na final dos meio pesados! A luta começa e os dois circulam-se, fazendo uma análise inicial e mantendo a distância. Krzysztof acerta um bom chute na perna e alguns socos precisos, forçando o brasileiro a recuar e tentar um chute alto que parece que veio em câmera lenta. Vinny parte para cima, consegue o clinch e puxa Krzysztof para a guarda, levando a luta para seu mundo. Vinny usa a perna em uma forma de rubber guard, controlando a postura do Krzysztof e acertando boas cotoveladas na cabeça dele. O polonês parece meio perdido no chão. Krzysztof usa a explosão para levantar e tirar os braços, escapando do perigo. Voltando à luta em pé, os dois continuam na defensiva. Krzysztof acerta um jab, e Vinny acerta outro chute devagar no corpo. Krzysztof revida com chutes mais rápidos, mas eficazes. Cada chute faz um estalo, e Vinny começa a sentir o efeito deles. Os dois continuam dando voltas pela jaula, com Vinny aceitando os chutes do Krzysztof. Faltando 1:50 no round, Vinny finalmente cansa disso e parte para o ataque com socos para encurtar a distância, e se joga no chão para chamar o Krzysztof para a briga. O polonês não quer saber de ir ao chão, mas Vinny consegue o clinch e puxa-o para a guarda novamente. Vinny controla o braço direito do Krzysztof com a perna, e pouco depois gira o quadril e encaixa um lindo armbar, forçando o polonês a bater.

 

Krzysztof fica muito desapontado, mas de fato a luta foi como ele preveu. O vencedor foi o cara que conseguiu levar a luta ao seu mundo. Com isso, está marcado a final dos meio pesados: Vinícius “Pezão” Magalhães da Equipe Mir contra Ryan “Darth” Bader, da Equipe Nogueira!

 

Resta apenas uma semifinal, decidindo o adversário de Phillipe Nover na final dos leves. A luta é Efrain Escudero contra Junie Browning, onde a Equipe Nogueira terá a chance de conquistar um terceiro finalista, e Junie terá a chance de provar que é tão bom quanto diz ser. Se for pelo menos 50% do que diz ser, o Efrain corre perigo.

 

Porém, antes de chegarmos à luta, Junie Browning mostra-se desconcentrado. Ele diz que o timing dele está todo bagunçado, e que ele não teve tempo o bastante no tatame como tinha na academia na cidade dele. Tudo isso leva Junie a dizer: “Na verdade, acho que piorei como lutador desde que cheguei no programa.” Ele parece completamente desmotivado e passivo nos treinos. “Nem quero lutar, cara. Não tive um treino bom desde que cheguei nessa porra. Não posso lutar assim!” Ele acha que vai se dar mal na luta só porque não está treinando na academia dele, e acha melhor não lutar. Minha nossa. Justo quando achei que o Junie não poderia me surpreender mais, ele solta essas pérolas. Com todo o respeito ao lutador, isso tem cheiro de desculpa de quem quer fugir. Junie diz que está sendo finalizado em posições que não costuma ser finalizado nos treinos, e que não vale a pena se arriscar em uma luta de verdade. É uma mistura de pura insegurança da parte dele com a possibilidade dos companheiros de treino dele no TUF provavelmente serem melhores do que o pessoal com quem ele normalmente treina.

 

Logicamente, Mir acha que Junie é maluco, mas diz que se ele não quer lutar, fim de papo. “Não estou aqui para convencer ninguém a ser um lutador se eles não querem,” diz o Mir. Nisso sou forçado a concordar com ele. Eles são treinadores, não babás. Se o cara não tem a confiança de um lutador de verdade, não há muito a ser feito pelo Mir. O Drysdale também não entende bem o problema, e já que o Junie quer que coloquem o Shane Nelson no lugar dele, a Equipe Mir segue com essa proposta. O loirinho tem talento, mas demonstra que não tem a raça e força mental para ser um lutador neste nível por enquanto.

 

À noite, o papo estava rolando solto na casa, e Junie discutia as possibilidades da luta entre Vinny e Bader com o Shane Primm. De acordo com o Shane, Junie e Vinny estavam contando vantagem demais, e ele tentou defender seus companheiros de equipe e treinadores. “Não disse que Bader não tem como vencer,” diz Junie. “Mas se a luta for ao chão, Bader não vai vencer na base dos socos ou com finalizações. Vocês não tem ninguém na sua equipe com jiu-jitsu que nem o do Vinny. Nem o Nogueira.” Tudo de acordo com a personalidade do Junie, mas ele não pára por aí: “Mesmo se não vencer o programa, serei o lutador mais bem-sucedido da casa, incluindo os meio pesados. Vocês vão ver.” Shane não quer saber de discussão, e encerra dizendo: “Sou do estado que diz ‘Pode provar’,” referindo-se ao estado americano de Missouri. Por sinal, o apelido do estado supostamente veio de um político dos meados de 1900 que supostamente disse que a verborragia eloqüente e cheia de firulas do congresso não o convence ou o satisfaz. O político disse que vinha do estado de Missouri, então precisava de provas, não palavras. Shane Primm disse basicamente a mesma coisa. “Não precisava dizer nada a mim, cara. Apenas prove com suas ações.” Com isso, Junie decide mostrar alguma coisa mesmo. Ele joga sua caneca com força, que se estilhaça bem no colo do Shane. Junie pula da cadeira, dá um soco no Shane e chama ele para a briga! Vinny e Rolando separam os dois, e além de nervoso o Shane fica confuso. O cara não falou nada e o Junie já caiu em cima!

 

Todos os lutadores têm certeza que dessa vez o Junie vai embora. Já é a enésima chance dele de agir feito um adulto responsável na casa, e mais uma chance desperdiçada. Rolando não entende como um cara que já jogou um copo de vidro em alguém e levou um esporro do Dana White em pessoa consegue repetir a mesma façanha.

 

Dana White, perplexo, chama o Junie para uma conversa a sós. “Lá vamos nós de novo,” ele diz. “Não sei se você é retardado, sofre de distúrbio bipolar, ou se tem um pavor mortal de fracasso.” Diria que é uma mistura das três coisas, Dana. Como o Dana diz a seguir, o Junie claramente quer ser expulso para já ter uma desculpa no bolso. É a saída fácil. Ele é um ótimo astro de reality show, mas não sabemos se ele é um ótimo lutador de MMA. Junie prefere não perder e poder dizer “teria ganho se não fosse expulso, e blá blá blá” do que ter uma chance real de vitória. Ele diz que não consegue lidar com a pressão no programa, mas a pressão só vai piorar conforme ele avança na carreira.

 

Dana White não sabe o que fazer. Ele não quer dar ao Junie exatamente o que ele pediu, mas também não quer dar um mau exemplo, incentivando os outros a agirem feito idiotas. Portanto, ele deixa a decisão nas mãos dos lutadores. Efrain e o resto do pessoal dizem que preferem eliminá-lo do que deixá-lo ir embora ileso, então tudo fica por isso mesmo, e Junie terá outra chance de voltar para casa no final do programa.

 

“Só tem campeão neste vestiário,” diz o Minota! Chegamos ao dia da última semifinal, e a Equipe Nogueira está em polvorosa. Mir também acredita no Junie, mas tem comentários ligeiramente diferentes: “Mostre a ele que você é um filho-da-puta maluco, e que isso faz de você um excelente lutador.” Junie adiciona os comentários de praxe, dizendo que vencerá mesmo se começar a luta de costas no chão, ou se o Efrain estiver armado.

 

Efrain Escudero (10-0) contra Junie Browning (2-0). Junie começa a luta fazendo um alongamento só de brincadeira, e um lutador menos apegado ao “FIFA Fair Play” certamente teria aproveitado para acertar um chute bem no queixo do loirinho. Cadê o Manny quando mais precisamos dele? Enfim, Junie abre com um chute baixo rápido, mas os dois mantêm a distância e se estudam. O jogo defensivo do Efrain é eficaz, com boa movimentação dos pés e da cabeça, mas ele não ataca muito. Junie acerta um belo soco no corpo, mas Efrain aproveita a agressividade para cinturá-lo e derrubar a partir do clinch. Junie tenta levantar assim que a luta vai ao chão, mas Efrain controla-o com um headlock e mantém a luta no chão. Efrain levanta-se e acerta bons socos, dando espaço para o Junie se levantar também. Efrain e Junie trocam bons golpes até Junie incompreensivelmente tentar um takedown. Efrain mostra um ótimo sprawl, usando o peso e o quadril para defender o double leg (e logo depois, o single leg). Efrain aproveita a posição para acertar boas cotoveladas na cabeça, e boas joelhadas quando voltam ao clinch. Junie tenta alguns chutes quando eles se separam, mas já parece muito cansado. O Minota vê o cansaço do loirinho, e pede ao Efrain para manter a pressão nele. Junie tenta outro chute alto, e Efrain revida com um direto na cara. Mir grita “três golpes” sem parar, pois a estratégia combinada era de usar combinações na trocação. Efrain simula o takedown constantemente, deixando o Junie na defensiva. O round termina com os dois trocando golpes, mas o Efrain parece mais preciso e contundente.

 

Mir está furioso no córner, dizendo que a trocação do Junie está horrível. “No mínimo três golpes de cada vez. Três golpes!” Junie começa o segundo round tentando algumas combinações que não acertam em cheio, e depois parte para um soco giratório e um chute de savate no corpo. Os dois soltam-se um pouco mais na trocação e ambos acertam bons golpes. Efrain parece mais afiado e confortável na luta, mas Junie tem golpes mais fortes, embora continue não usando combinações de três golpes. Aos três minutos, Efrain cansa da luta em pé e derruba Junie, caindo na meia guarda. Efrain dá uma série de cotoveladas nas costelas do Junie, que defende o corpo e deixa o pescoço aberto. Junie tenta escapar, mas leva mais cotoveladas na perna e nas costelas. Aproveitando o pescoço desprotegido do Junie quando ele tenta se levantar, Efrain encaixa um D’Arce choke, forçando o Junie a bater aos 3:26 do segundo round.

 

Efrain quis mostrar que consegue ganhar do Junie do jogo dele, que é a trocação. “Foi arriscado, mas ele se saiu muito bem,” diz o Minota. Efrain controlou a luta basicamente do começo ao fim, com poucos bons momentos do Junie. Mir nem sabe mais o que dizer. “Junie deixou de prestar atenção aos conselhos do córner e fez o que bem entendeu. Tentar derrubar o Efrain nunca foi parte do plano,” e o Efrain fez Junie pagar por essa falha no jogo dele. Chegou a um ponto onde Mir cansou de dar conselhos que entravam por um ouvido e saíam pelo outro, e sentou-se para simplesmente assistir o resto da luta calado. Mir vê que o Junie simplesmente desistiu da luta e queria uma saída. “Ele viu o D’Arce entrando e sabia como escapar dele, mas simplesmente deixou o Efrain apertar para dar um fim à luta.” Mesmo assim, nada disso tira o mérito do Efrain, que venceu a luta com sobras, e teria vencido na decisão caso não finalizasse ali. “Foi a melhor luta da minha vida, e não poderia estar mais feliz. Disse que sairia daqui invicto, o foi o que fiz.”

 

Enquanto isso, Dana White assistiu a luta feliz da vida, pois “justiça foi feita”. Junie foi eliminado como um lutador, perdendo em um programa em rede nacional, ao invés de saindo rapidinho pela porta de trás.

 

Junie não aprendeu muito com a lição, mas no mínimo diz que ele não é tão bom quanto achou que era. Porém, Drysdale afirma que ele não precisava ter lutado daquela forma, e poderia ter vencido se desse ouvidos ao pessoal no córner. A única resposta do Junie é que os conselhos deles “não teriam funcionado mesmo”. Ele continua garantindo que teria treinado melhor em casa do que com o Frank Mir, Robert Drysdale, Alejarra e os ótimos parceiros de treino que ele teve no programa. É pouco mais do que uma desculpa fajuta, e até mesmo o Drysdale cansa disso e deixa Junie sozinho, considerando outra carreira fora do mundo das lutas. Frank Mir simplesmente sai do vestiário sem dizer uma palavra quando Junie aparece.

 

Já que os lutadores da Equipe Nogueira avançaram às finais, Frank Mir perdeu uma aposta que fez com o Minota! Portanto, o Minotauro raspa a cabeça do Mir, e os dois discutem as experiências do programa. Ambos dizem que foi uma experiência positiva, com a oportunidade de conhecer ótimos lutadores e fazer novos contatos. Agora, esta etapa no duelo Mir/Nogueira encerrou-se, e o Minotauro leva vantagem. A próxima etapa será no sábado que vem nas finais do programa, e tudo culminará no UFC 92, com a luta entre Frank Mir e Antônio Rodrigo Nogueira pelo cinturão interino dos pesos pesados do UFC! Agradeço a todos os leitores da coluna e ao pessoal do UFC pelo programa. Mesmo não correspondendo às expectativas de quem querem ver um programa exclusivamente sobre MMA sem pitadas de reality show, é sempre diversão garantida. Até a próxima, pessoal. Força na torcida!

 

“Nogueira!”

 
Pedro Coelho | 06/12/2008 - 01:47
 
Episódio 10

Foi uma longa jornada, mas chegamos ao episódio final da fase eliminatória desta temporada do The Ultimate Fighter. Devido ao processo de eliminação, os lutadores restantes para o confronto final desta fase são John “Abraço de Aço” Polakowski e George Roop. Será que a Equipe Nogueira empatará o jogo? Quais serão as semi-finais?

 

O episódio começa com uma breve recapitulação da luta entre Krzysztof Soszynski e Kyle Kingsbury. Baixando o St. Pierre nele, Junie diz o equivalente do “sua performance não me impressionou” do GSP após a segunda luta Hughes/Penn. A versão do Junie é: “Até minha irmãzinha encaixaria um armbar no Kyle. O Krzysztof conta vantagem e diz ‘Viram só? Também tenho jiu-jitsu!’ Grande coisa, já que o Kyle não tinha. Não me impressionou nem um pouco.” Foi pouco elegante, mas isso realmente não é o forte do Junie.

 

Polakowski parece o coelho motorizado da Energizer após tomar dez litros de Red Bull. Energia inesgotável! Até os colegas de equipe acham que o cara é meio doidão, mas todos admitem que ele é o cara mais gente boa da casa. Porém, vemos o Eliot constrangido dando um tapinha nas costas dele durante um abraço prolongado, e essa deve ser uma reação comum entre o resto do pessoal na casa. O pessoal não tem a raça para aguentar os abraços do John.

 

“Ninguém dá abraços de verdade hoje em dia,” diz John. “Dão só um abraço básico, um tapinha nas costas sem convicção e fim de papo. Gosto de abraçar o pessoal com entusiasmo. Seguro o abraço por um tempo, e mostro que realmente me importo com eles.” Estão vendo? O John quer mudar o status quo dos abraços na casa! É um homem que exige mudanças. “Parece que tenho um reator nuclear dentro de mim, e vivo cheio de energia!” Para extravasar essa energia, John pede ao Nover para fazer um desenho acompanhando a frase “Acendam os canhões!” John diz que sente uma energia positiva de manhã quando acorda e vê o desenho e a frase “Acendam os canhões da loucura!”

 

Nover consegue tirar as palavras da minha boca: “Como que alguém pode lutar com você, John?”

 

Embora John tenha minha torcida, não podemos esquecer que seu adversário não é um vácuo inexpressivo. George Roop também tem uma história, embora com poucos abraços. Durante sua juventude, ele era um branquelo magrinho em Tucson, Arizona e vivia se metendo em encrenca. Logo, ele aprendeu a lutar e as encrencas diminuiram. Começou a treinar e lutar profissionalmente aos 18 anos, e isso ajudou-o a endireitar sua vida. Curiosidade: quando tira o boné virado para trás e faz a barba, parece um mini-Forrest Griffin.

 

Infelizmente, Roop machuca a mão seriamente durante um treino. Parece que distendeu um músculo, e nem consegue fechar o punho. Com isso, é impossível socar direito, e é muito difícil controlar a postura e posicionamento do adversário no clinch. Está tão inchada que parece que já está usando uma luva. Sério, parece aqueles desenhos animados onde o herói assopra na mão pelo dedão, e a mão incha desproporcionalmente para dar um soco gigante no vilão.

 

“Acendam os canhões,” diz John durante o café-da-manhã, com um chapéu de pirata. Este café-da-manhã é um dos momentos mais bombásticos do programa devido a um fato inédito: a Equipe Mir consegue tirar o John do sério. O John descobre que roubaram os mini-marshmallows do cereal dele, e fica possesso. Ele diz é gentil com todos os lutadores da outra equipe e fica verdadeiramente magoado e irritado com esse desrespeito. “Chega de abraços,” diz Kyle. Nunca pensei que ouviria palavras tão sérias!

 

Mostrando suas más intenções e obsessão culinária, Kyle dá sua sugestão de vingança. “Você devia cagar em cada mini-marshmallow na próxima caixa de cereais.” Felizmente, a conversa termina por aí.

 

Eliot não consegue entender por que John está tão nervoso só por causa de marshmallows, enquanto John explica que é um sinal de desrespeito. Por sorte, John prefere resolver suas diferenças no ringue ao invés da cozinha. Ele sabe que Roop gosta de chutes, então o plano é encurtar a distância e fazê-lo pagar por cada chute que tentar. A opinião do Minotauro é a seguinte: “John é gente boa, e é um cara muito emocional. Talvez emocional até demais. Não sei se isso será uma influência negativa na luta, mas ele tem sede de vitória e o coração de um campeão. Isso é muito importante.”

 

Já que a mão direita de Roop está incapacitada, o plano da Equipe Mir é manter a distância com chutes e jabs para fazer John se descuidar na hora de chegar perto, facilitando o takedown. Dizem que o John é o pior da casa no jiu-jitsu, então é provavelmente a melhor estratégia. Como Mir diz, nenhum lutador entra na luta 100%. Só tentam chegar o mais perto possível de 100% na hora da luta para poder cuidar do serviço.

 

“Abraça ele forte, John!” É o conselho da Equipe Nogueira no dia da pesagem. Assim como no primeiro episódio, Mir continua não querendo ser abraçado por John. Claramente ele não aproveitou o programa para evoluir como pessoa e como fã de abraços.

 

No dia antes da luta, o Roop estava conversando com a Equipe Nogueira quando o Minota apareceu para o jantar e começou a brincar com ele. Minota tentou “botar um terror” nele, dizendo que ia acabar com ele amanhã, e que ele estará lá com o John. “Ei, quero empatar o jogo 4-4 a qualquer custo. Quero lutar com você, Roop. Vamos lá.” Brincadeiras à parte, todos sabem que o dia seguinte será sério.

 

Dia da luta! Roop parece bem mais confiante na mão, que melhorou bastante. Shane Nelson diz: “Quebra o braço dele para ele não poder nos abraçar.” Enquanto isso, Nover novamente mostra seu instinto assassino (filipino): “Eles querem sangue, mas será o sangue do Roop.” John começa a falar sobre o quanto ele quer essa vitória, e dá para ver ele se empolgando enquanto fala. “Essa vitória é tudo. Minha vida toda trouxe-me até aqui. Sei que quero essa vitória mais do que ele, e preciso disto. É hora de acender os canhões, porra!” O cara tem um olhar maníaco e está quase tremendo de ansiedade!

 

Enfim, chegamos a George Roop (8-3) contra John Polakowski (2-1). Os dois têm muito respeito e amizade um pelo outro, e começam a luta com um abraço após encostarem as luvas. Roop começa mostrando sua estratégia, tentando chutes altos e baixos e mantendo a distância. John logo encontra a distância e começa a revidar com alguns socos, e os dois trocam bons golpes quando ele parte para o ataque. Daria uma leve vantagem para o John na trocação, mas assim que formei essa opinião, Roop conseguiu um belo double leg takedown e caiu na guarda do John. Minota pede para o John controlar a cabeça do adversário, mas o Roop consegue usar a postura para acertar bons golpes no ground ‘n’ pound. Roop continua batendo sem parar com socos e joelhadas no corpo, e passa para a posição dos 100kg. John consegue usar a grade e as pernas para repôr a guarda, mas mesmo assim tem dificuldades na hora de controlar a postura do Roop. Após levar cotoveladas fortes na cara, John entrega as costas para tentar escapar. Ele se encolhe para impedir que o Roop encaixe os ganchos ou pegue o pescoço, enquanto o Minota pede para ele colocar as costas no chão para impedir o mata-leão. John consegue se virar e fica por cima na guarda do Roop. É a vez dele aplicar o ground ‘n’ pound, mas Roop consegue controlar a postura dele bem, evitando muito dano, e o round termina por aí.

 

Segundo round! Roop parte correndo para o ataque, mas John revida e começa a botar pressão. Roop esquece os chutes um pouco, e acaba encurralado contra a grade levando bombas na cara quando parte para a trocação franca. Roop está claramente exausto, e mesmo sem muita precisão, John acerta boas joelhadas e socos. Roop parece prestes a cair após alguns socos do John, mas continua batendo (mesmo usando socos estilo “pirocóptero” e só cortando o vento). Porém, Roop tem gás o bastante para abaixar e tentar outro double leg, e mesmo tentando o sprawl, John não consegue defender e acaba de costas no chão. Roop está bem mais cansado e John consegue repor a guarda. Roop impede que o John se levante e pega as costas dele novamente. John defende o mata-leão corretamente, mas dessa vez o Roop encaixa um triângulo no corpo que impede que o John se vire. Roop bate um pouco e tenta a finalização sem sucesso, e a luta termina por aí mesmo. Diria que o primeiro round foi do Roop e o segundo foi do John, e o Dana White concorda. Porém, os jurados discordam, e dão ambos os rounds e a vitória ao Roop. A reação do Minota é: “Porra!” É por aí.

 

Luta bem equilibrada, mas John mostrou que é um lutador meio limitado. Honestamente, até que ele se virou bem no chão se levarmos em consideração que ele é “o pior lutador da casa no chão”, mas também não impressionou ninguém. Roop deu oportunidades ao John no chão que ele não soube aproveitar. Pelo menos o John levou a melhor em pé, e embora goste de chutes, o Roop não manteve a distância muito bem, e inexplicavelmente partiu para a trocação franca. Gostei da luta, mas ambos lutadores mostraram falhas claras. John está claramente desapontado, mas admite que parte da culpa é dele por deixar a decisão nas mãos dos jurados. É um bom perdedor, e já quer comemorar a boa luta e o sucesso do programa.

 

Enquanto isso, no bastidor da Equipe Mir, não sei se diria que os caras são bons vencedores. Krzysztof mostra que não é um cara tão calmo e razoável quanto eu imaginei, dizendo: “Depois de todas aquelas babaquices de família da Equipe Nogueira, é isso aí. Cinco a três. Aturamos aqueles malditos jantares todo dia e todo aquele amor. Viram no que deu, babacas?” Drysdale concorda com essa atitude infeliz.

 

Na casa, Kyle, John e o resto da Equipe Nogueira bebem e brindam à paz. Porém, suas ações contrariam esse desejo, pois eles começam a jogar pedaços de costeletas e até ovos por cima do balcão, diretamente no pessoal na jacuzzi. A maioria leva a brincadeira na boa, mas Junie fica legitimamente furioso. Opa! Isso sim é o forte do Junie! Não víamos esse lado dele em várias semanas, e admito que fez falta. Ele sobe de volta à casa querendo briga e bate a porta com força, enquanto o pessoal corre atrás tentando acalmá-lo. Alguém diz: “Calma, Junie. Você está na final, cara.” Acho que foi simplesmente um erro do cara, e não da produção do show. Suponho que o cara está só dizendo que o Junie já passou da fase eliminatória, mas nunca se sabe.

 

Dando um final apropriado às brincadeiras e à esta fase do programa, Polakoski sobe nos móveis e dá a seguinte declaração: “Brindamos pela paz, pois paz é o que queremos.” É um verdadeiro poeta da nossa geração.

 

Antes de encerrar o episódio, as lutas das semifinais serão decididas. Essa temporada foi muito bem organizada, no sentido que criou boas rivalidades e as semifinais já estão basicamente decididas antes que uma palavra seja dita. Efrain e Junie já se desentenderam e provavelmente se enfrentarão. Eliot chamou o Bader para a briga. Vinny está com o pé atrás com o Krzysztof porque o polonês disse que a final será ele contra Eliot. Não foi um insulto direto, mas lógico que o brasileiro ficou ofendido. Nover não tem nada contra Roop, mas são os dois que sobraram.

 

Vamos ver o que os lutadores têm a dizer quando Dana e os técnicos perguntam os adversários que eles querem. Bader diz que quer o Eliot Marshall, já que Eliot disse que queria enfrentar Bader após a luta com o Primm. De fato, Eliot diz que acha que o Bader é o maior desafio da casa e quer enfrentá-lo. É uma atitude louvável, pois o cara quer se testar o mais cedo possível ao invés de esperar e ficar com essa dúvida na cabeça. Tem tudo para ser um lutão.

 

Estranhamente, Krzysztof também quer enfrentar Bader, mas diz que Bader seria o adversário mais fácil para ele! Ele diz que o Bader só tem wrestling, e o wrestling dele nem é lá essas coisas, então ganhará dele no jiu-jitsu. Mir sabe que o jiu-jitsu é a maior fraqueza do Krzysztof, e suspeita que ele não quer enfrentar o cara com o melhor jiu-jitsu da casa. Esse cara é logicamente nosso amigo Vinny, que pede para enfrentar Krzysztof. Vinny ainda sente-se ofendido pelos comentários de Krzysztof sobre ele e Eliot na final, então quer acabar logo com essa história. Dana entende a rivalidade interna na Equipe Mir, e parece que essa luta vai pegar fogo.

 

Nos leves, Nover pede para enfrentar Roop, já que ele é o mais fraco dos quatro. Roop é um pouco mais ambicioso: “Bem, o Nogueira anda me chamando pra briga...” Falando sério, Roop pede para enfrentar Nover por considerá-lo um bom desafio, mas diz que Junie é provavelmente o mais fraco dos quatro por causa da falta de gás. Quando chega a vez dele, Junie diz: “Quero o Bader.” Lógico que depois ele pede o Efrain, já que disse repetidas vezes que não gosta da atitude dele, e quer calar a boca dele. Efrain está de acordo, e além de pedir para enfrentar o Junie, também diz que ele é provavelmente o mais fraco dos quatro leves.

 

Com isso, as lutas são marcadas sem muita dificuldade. Na semana que vem, teremos duas das quatro semifinais: Bader contra Eliot nos meio pesados, e Phillipe contra Roop nos leves. Portanto, daqui a duas semanas veremos Krzysztof contra Vinny e Junie contra Efrain.

 

São quatro lutas muito interessantes. Ainda acho que o Darth Bader é o favorito entre os meio pesados, mas a última apresentação do Eliot foi ótima. Completamente diferente do jogo passivo dele na luta contra Karn para entrar na casa. Se Eliot entrar com sangue nos olhos novamente, ele talvez consiga usar seu jiu-jitsu superior para controlar a luta no chão. Porém, imagino que o bader controlará a luta em pé e conseguirá dominar por cima se for ao chão. Discordem se quiserem, mas também torcerei pelo Pezão. Ele quer calar a boca do Krzysztof, e mostrou que tem o jiu-jitsu para finalizar qualquer um. Se o polonês conseguir manter a luta em pé, provavelmente vencerá. Porém, também não me impressionei com o jiu-jitsu do Krzysztof, e acho que ele não dura muito se a luta for ao chão.

 

Nos leves, acho que Nover não terá muita dificuldade contra Roop. O filipino é um lutador bem mais completo. A trocação dele é mais afiada, com mãos pesadas e mais variedade de golpes. Além disso, também tem um jogo de chão muito versátil. Efrain contra Junie é a luta mais interessante das semifinais, ao meu ver. Junie. Efrain é mais passivo, mas entende seus limites muito bem e sabe encontrar a hora certa para derrubar o adversário e controlar a luta. Junie busca mais a luta e também sabe o que faz, mas existe aquela dúvida sobre o gás dele. Ambos tem talento, mas depende do rumo da luta. Não sei se a defesa de quedas do Junie é boa mesmo, e isso será um fator importante.

 

De qualquer forma, são quatro ótimas lutas, então os episódios finais do programa prometem. A Equipe Nogueira ainda tem tudo para vencer tanto nos meio pesados quanto nos leves.

 

Nogueira!

 
Pedro Coelho | 21/11/2008 - 18:40
 
Episódio 9

“Todos ficam instáveis quando estão bêbados.” Sábias palavras de Junie Browning, essencialmente definindo seu papel nesta temporada. O loirinho está perfeitamente ciente de seus defeitos, mas neste episódio ele aproveita o fato que outros compartilham esse mesmo defeito. “Com tantos idiotas trêbados na casa, eu acabo parecendo mais estável e normal. Beleza.” Junie anda meio quieto há alguns episódios, para a felicidade de alguns e tristeza de outros. Por sorte, outros lutadores no programa decidem aceitar a responsabilidade de preencherem o cargo de Palhaços da Casa, como logo veremos.

 

Recapitulando, semana passada Dave Kaplan foi derrubado e finalizado rapidamente por Phillipe Nover. Eu disse que Kaplan estava de sacanagem com seu papo de que ele só queria testar seu queixo aceitando o ataque inicial do Phillipe, mas parece que não era brincadeira.  Frank Mir, Kaplan e o resto da Equipe Mir confirmam que a confiança de Kaplan no próprio queixo é completamente desproporcional à sua capacidade de absorver golpes. Portanto, ele usou a estratégia inédita de deixar o oponente acertar socos na cara dele. Nem os parceiros de equipe do Kaplan sabem explicar direito o que levou-o a lutar assim.

 

A Equipe Nogueira logicamente comemora, e grita “Assassin Phillipe!” Semana passada, aprendemos muito sobre a origem filipina do Phillipe Nover, e eu quase mencionei a possibilidade do UFC dar o apelido de Assassino Filipino a ele, levando em consideração os inúmeros outros “assassinos” na companhia (como “o Assassino do Alaska” Sam Hoger, “Assassino Africano” Sokoudjou e o “Jovem Assassino” Melvin Guillard, entre outros). Parece que não há motivo para brincadeira, já que o apelido do Nover é de fato “O Assassino Filipino”. O forte dos lutadores é a criatividade!

 

Enfim, Phillipe queria dar um recado aos outros lutadores, e até os meio pesados ficaram impressionados. Vinny aparentemente disse: “Pelo menos sou meio pesado e não preciso me preocupar em enfrentá-lo”. Novamente, as equipes estão empatadas com três vitórias cada. Já que a luta desta semana é a última luta entre meio pesados da etapa, sabemos que será Krzysztof Soszynski contra Kyle Kingsbury.

 

Novamente, vemos que o dedão direito do Krzysztof está machucado, e ele precisa da ajuda de um fisioterapeuta para mantê-lo flexível. Mir parece bem preocupado, mas um especialista em mãos com a voz do Anderson Silva (ou do Mike Tyson) afirma que a mão não será problema com os devidos cuidados e bastante gelo.

 

Após a luta, Kaplan decide afogar as mágoas, e seu bom amigo Tom Lawlor tenta consolá-lo após o dia difícil, acompanhando-o na bebedeira. Nesse estado embriagado, Dave diz a todos que ninguém consegue nocauteá-lo. Nem os lutadores na casa, nem o resto do mundo. Pelo menos ele admite que a bebida pode nocauteá-lo. “Nunca fui nocauteado!”

 

Em uma situação que (de acordo com Shane Nelson) é mais comum do que imaginávamos, Kaplan começa a andar só de sunga pela casa, desafiando todos a nocauteá-lo. Nelson supõe que Kaplan e Lawlor só trouxeram sungas em suas malas, porque é só o que eles usam, e é “horripilante”. Junie apenas aproveita o fato que as más línguas voltaram sua atenção a outro.

 

Dave “Queixo de Titânio” Kaplan realmente quer fazer o Junie parecer um cara normal e saudável, e após cambalear e gaguejar pela casa toda, pede para Lawlor der o soco mais forte que puder direto no queixo dele. Honestamente, Lawlor parece bem sóbrio e sabe que isso não acabará bem para o peso leve, mas Kaplan implora até Lawlor aceitar. O resultado pareceu uma simulação de Edward Norton e Brad Pitt num estacionamento vazio em “Clube da Luta”. Porém, ao invés de acertar Kaplan no ouvido, Lawlor acerta uma bomba bem no queixo do Kaplan, que desmorona instantaneamente e cai desacordado nas almofadas ao lado. A melhor parte vem depois, quando Kaplan garante que não foi nocauteado! Após levantar-se com dificuldade e com a ajuda do Lawlor, Kaplan afirma: “Não apaguei. Fui derrubado, mas não apaguei. Ninguém consegue me nocautear. Porém, admito que foi um soco forte.”

 

Não há muita “escolha”, mas logo de cara na seleção dos lutadores para a luta da semana, Vinny dá sua análise do jogo do Krzysztof. “Não sei por quê ele acha que será uma luta fácil. A trocação dele é ótima, mas ele não tem defesa de quedas e o jogo de chão dele é básico.” Os atletas da Equipe Nogueira também acham que Krzysztof está subestimando o Kyle, já que pelo visto o polonês já considera a vitória garantida e está pensando na final. Considerando o dedo machucado e o excesso de auto-confiança, vemos que Krzysztof também é humano e tem falhas que podem levar à derrota.

 

Krzysztof parece ser um cara bem normal e com a cabeça no lugar certo, mas demonstra a auto-confiança típica de lutadores que pode ser interpretada como arrogância. É um elemento essencial que ajuda lutadores a acreditarem na vitória independente do adversário, mas nem sempre faz sentido. Pelo ponto de vista de Krzysztof, todos têm medo dele, e ele só perderá se cometer um erro. “Se eu perder, será porque cometi um erro, e não pelos méritos do Kyle. Nada no arsenal dele pode me machucar. Só eu posso me derrotar nesta luta.” Já que Krzysztof treina na Team Quest quando não está no programa, Dan Henderson aparece para dar uma ajudinha nos treinos. O pessoal da Team Quest ficou famoso por seus treinos extremamente intensos, então Hendo é uma boa escolha para coordenar alguns treinos da Equipe Mir.

 

Agora que chegou a vez de Krzysztof lutar, a Equipe Nogueira decidiu que também é hora dele provar um pouco de seu próprio remédio. Isso mesmo, mais uma brincadeira mal-intencionada! Calma, calma. Felizmente o pessoal da casa se acalmou desde o episódio passado, e fluidos corporais nem entram na discussão.  Substituindo as armadilhas alimentícias, a Equipe Nogueira carregou todos os móveis da casa para o quarto do Krzysztof, e enfiaram a cama dele no armário junto com uma bola gigantesca de papel higiênico. Após lotar o quarto do Krzystof, colocaram um aviso na porta dizendo: “Armazém do UFC”. O polonês adora essas brincadeiras maléficas, e se amarrou no esforço do pessoal. Ao invés de pensar “desgraçados!” ele apenas começa a arquitetar sua vingança.

 

Toquem os tambores e chamem os repórteres! “E agora, algo completamente diferente...” Chegou a hora do Desafio dos Treinadores! Toda temporada, os dois treinadores competem em um desafio bem-humorado, disputando 10 mil dólares (e mais mil dólares para cada lutador na equipe deles) em um esporte que não costumam jogar. Na quinta temporada, BJ e Jens jogaram pingue-pongue. Na sétima, Forrest e Quinton jogaram basquete (e o Rampage é horrível no basquete). Desta vez, chegou a hora de uma disputa de pênaltis entre o Minotauro e o Frank Mir!

 

Logicamente, todos pensamos: “Peraí! O cara é brasileiro e vai jogar futebol? O Mir não tem chance!” Porém, alguém aí sabia que o Minotauro é ruim de dar dó? Nas palavras do próprio Minota: “Fiquei apavorado. Falando sério, todo mundo no Brasil é bom de futebol. Eu era o único que ficava de fora e não jogava. Nunca joguei futebol na vida, porque eu era o pior jogador do Brasil todo. O pior de todos.” Minota, por que você é assim? É tragicômico, mas veremos quem é mais perna-de-pau. O primeiro a marcar dez gols vence.

 

Frank Mir já começa reclamando, e continua inventando desculpas durante a competição inteira. Reclama que é tudo uma armação, por ser uma disputa de futebol contra um brasileiro. “Levei tudo na boa e parei de resmungar, porque sei que o Nogueira é muito menos atleta do que eu.” Beleza, Frank.

 

O Minota cobra mal, mas consegue marcar já que o Frank fica parado como uma estátua no meio do gol. O Mir consegue ser pior do que o Minota na cobrança, enquanto o Nogueira até que se esforça bastante como goleiro, correndo e pulando para defender. A melhor parte da competição (e provavelmente do episódio inteiro) é o Kyle gritando “GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!” bem na cara do Frank cada vez que o Minotauro marca um gol, seguindo a tradição dos comentaristas de futebol. A irritação do Mir fica óbvia, e provavelmente leva a Equipe Nogueira a gritar ainda mais alto. Mir diz: “No começo, fiquei realmente irritado com a falta de respeito deles, mas logo percebi que eles são só uns perdedores mesmo. Nunca serão astros de nome. É a vida.”

 

Nem imagino quantos chutes eles precisaram para marcar dez pontos, mas a certa altura o jogo está 8 a 6 para o Minota. Mir acerta um na trave e Minota consegue marcar, chegando a um gol da vitória. Frustrado, Mir volta ao gol para a defesa final e Minota chuta por cima dele, selando a vitória da Equipe Nogueira! A equipe vai ao delírio e Minota diz que foi mais emocionante ganhar a grana para seus lutadores do que os dez mil para ele. Gente fina demais. Enquanto a Equipe Nogueira comemora e joga basquete aquático, Mir continua dando desculpas e fazendo pouco caso da derrota: “O jogo foi armado para eu perder. Na verdade, acho que foi mais humilhante para ele, porque eu nunca joguei futebol antes e consegui marcar seis pontos nele. É só mais uma prova que sou 200 vezes mais atleta do que ele. Quando competirmos em algo que ambos somos bons, acabarei com ele.” Terá sua chance, Frank. Terá sua chance.

 

O adversário de Krzysztof na luta deste episódio é Kyle Kingsbury, um californiano de 26 anos. Ele jogava futebol americano na Arizona State University e decidiu seguir uma carreira no MMA após se formar. No começo, escondeu a carreira do pai, que não queria que ele fosse lutador. Aparentemente, tanto o pai quanto o avô do Kyle era boxeador, e o pai não queria vê-lo sofrendo dano cerebral como outros boxeadores no fim de suas carreiras. Felizmente, agora o pai é o maior fã do Kyle e apoia a carreira de lutador do filho.

 

A vida de Krzysztof foi bem diferente. Ele nasceu na Polônia e passou sua infância por lá, com um governo comunista. Foi uma vida difícil, com rações limitadas e filas até para pão e água. Quando tinha dez anos, Krzysztof e os pais mudaram-se para Winnipeg, na província de Manitoba no Canadá, à procura de uma vida melhor. Krzysztof passou os próximos 20 anos de sua vida lá. “É o mais perto que chego do sonho americano. É o sonho canadense!”

 

Kryzsztof fica acordado até tarde, e claramente as engrenagens na cabeça dele estão rodando freneticamente para bolar mais uma brincadeira para o resto da casa. Geralmente dizem que vingança é um prato que deve ser servido frio, mas neste caso são vários pratos quentes, pois Krzysztof coleta todos os pratos, copos e talheres da casa e espalha-os na quadra de basquete da casa. Ele até arma uma mesa e organiza pratos para o café-da-manhã, com utensílios provavelmente bem aquecidos pelo sol no calor infernal de Las Vegas. A brincadeira afetou ambas as equipes, e irritou lutadores dos dois lados, mas foi provavelmente o ataque mais criativo e interessante até agora. As reações da galera valeram o esforço. Eliot não gostou muito, mas entendeu que faz parte da guerra na casa.

 

O Minotauro diz que Kyle é o líder da equipe, o que faz bastante sentido. Ele é sempre um dos lutadores mais animados da casa, e ainda não o vi perdendo a compostura. Kyle tem raça e uma boa atitude, além de ser bom lutador. Kyle e Krzysztof são dois lutadores versáteis, então será uma luta interessante.

 

Krzysztof é outro que gosta de declarações como “se ele sobreviver o primeiro round, ficarei muito desapontado com a minha performance.” Ele não pára por aí, e diz: “Posso vencê-lo com um braço amarrado atrás das costas.” Nunca entendo declarações como essas. Diminuindo o valor do adversário assim, o cara também diminui o valor de sua possível vitória. Ele basicamnete diz: “Se eu ganhar, não será mais do que minha obrigação já que o oponente nem está no meu nível. Não será grande coisa.” Não seria melhor falar que o adversário é um grande lutador? Assim, uma possível vitória contra ele teria muito mais valor.

 

De qualquer forma, nada desse papo importa na hora da luta – ou seja, agora. Kyle ganha meu respeito com a elaboração de sua estratégia: “Assim que encostarmos as luvas, vou procurar a distância certa e atacar. É como a mira do avião em Top Gun, tentando fixar no alvo para lançar os mísseis! Atacarei sem parar.” Krzysztof (16-8-1) é bem mais experiente que Kyle (7-1-1), mas agora veremos se o excesso de auto-confiança e a mão machucada influenciarão o resultado da luta.

 

Kyle parte para cima e acerta um bom soco no corpo, mas Krzysztof acerta um bom contra-golpe antes do Kyle segurá-lo no clinch, seguindo as instruções do Minota que pede o clinch e joelhadas. Algumas das joelhadas foram baixas demais e a luta é interrompida por um momento, e pouco depois o Kyle recupera o clinch e derruba o Krzysztof. Kyle espreme Krzysztof no chão, mas o polonês usa o peso e o quadril para encaixar um armbar e Kyle bate rapidamente, aos 2:35 do primeiro round.

 

É uma derrota feia, mas faz sentido pois após a luta Kyle menciona que só treina o jogo de chão há seis meses. Putz. Minota diz que mesmo após a derrota, Kyle ainda é o líder do time. Kyle se recompõe rapidamente no bastidor, e já começa a pensar na próxima luta. Ele repete que não quer ver ninguém deprimido, porque eles ainda terão uma chance de empatar o jogo, e semana que vem será a vez do John na última luta dos leves. Eles se reúnem e ainda conseguem manter uma atitude positiva após a derrota, o que é muito importante. A responsabilidade está nas mãos do cara de cabelo rosa-choque e abraços fortes! Quero ver o John dar uma de pro-wrestler e dar um abraço atômico espremendo o cara até ele desmaiar. Ei, nunca se sabe!

 

“Nogueira!”

 
Pedro Coelho | 14/11/2008 - 14:04
 
Episódio 8

Como vimos semana passada, Vinny atropelou Jules Bruchez, garantindo o controle de lutas da Equipe Mir. Os lutadores da Equipe Nogueira analisam a luta corretamente, dizendo que mesmo acertando bons chutes, o Vinny não gosta de atacar, e prefere manter a distância. Dançaram uma valsa por alguns minutos, mas a música mudou quando foram ao chão. Hoje, voltamos aos leves com mais uma oportunidade para a Equipe Nogueira empatar o jogo e recuperar o controle.

 

Porém, antes mesmo de falar sobre lutadores ou a escolha de luta do episódio, descobrimos que os pilantras da Equipe Nogueira andam detonando as frutas que o Tom Lawlor pede diariamente! De fato, nada está seguro neste antro de malucos, e mesmo admitindo que nem gosta muito de frutas, Kyle aproveita a brincadeira para se deliciar com “as uvas do Lawlor”. Ei, a escolha é dele.

 

Lembrando a previsão profética de Kyle Kingsbury, os ataques na guerra infantil entre os lutadores continuam piorando. Não sei se existe alguma linha demarcando quando as brincadeiras foram longe demais, mas se existe, Lawlor definitivamente cruzou-a.  Ele decide mijar em seu próprio conjunto de frutas do dia seguinte, com a ajuda de seus comparsas Shane, Junie e Vinny. Maléfico. Por onde anda o grande mestre do mal “Sopa de Letrinhas” Soszynski? Imagino que se ele estivesse aqui, ele teria sugerido uma vingança diferente. Provavelmente algo envolvendo cuecas.

 

Para a luta entre pesos leves desta semana, Mir marca Dave Kaplan contra Phillipe Nover. Kaplan queria essa luta para poder enfrentar o melhor peso leve da Equipe Nogueira e mandar um recado ao resto dos lutadores, enquanto Nover só estava louco para lutar mesmo. “Você é melhor, mais rápido e mais bonitão que ele,” diz Nogueira ao Phillipe. Mir parece extremamente confiante no Kaplan, e diz que quer ver o que acontecerá quando Nover acertar Kaplan o mais forte possível e Kaplan nem acusar o golpe. “Kaplan é casca-grossa. O cara é feito de granito,” diz Mir. “Até gosto do Nover, mas ele está no lado inimigo nesta guerra, e precisa morrer.”

 

No dia seguinte, a Equipe Nogueira cai na armadilha! Assim que volta dos treinos, Bader rouba as frutas “especiais” do Lawlor, e devora-as sem pensar duas vezes com a ajuda do Phillipe, que diz “Lawlor, suas frutas são uma delícia!” A equipe inteira participa do banquete até a Equipe Mir revelar que os líquidos no pote não eram sucos de frutas. Kyle e o Bader levam a brincadeira numa boa, mas Phillipe parece completamente enojado. Lawlor ri à toa, dizendo: “Mijo nas minhas frutas o tempo todo! A culpa não é minha que você quiseram roubá-las.” Phillipe parece revoltado e diz que Bader incentivou-o a comer, mas como Kyle explica, “você sabia muito bem que eram as frutas do Lawlor e agora comeu frutas mijadas. Eu também comi, mas não dou a mínima. Estavam deliciosas, e meu estômago não reclamou!” Logo, Phillipe aceita que foi pego e admite que não deveria atacar a comida dos outros. “Estava com tanta fome que não imaginei que haveria urina nas frutas!” Um erro comum, imagino.

 

Não descobrimos muito sobre Dave Kaplan nos últimos episódios, então muitos telespectadores devem estar se perguntando: quem é esse sujeito? Kaplan foi um wrestler colegial de primeira divisão na Old Dominion University, e passou sete meses na Holanda treinando Muay Thai com o grande Ernesto Hoost após sua formatura. A participação do Dave no Ultimate Fighter é provavelmente o segundo maior momento na carreira de celebridade do Kaplan, após sua contribuição magistral no seguinte vídeo:  http://br.youtube.com/watch?v=XdfM8K1EuJ4. Mir acredita que Kaplan é o melhor peso leve na casa, e diz que está começando a ficar nervoso por ele, porque já se apegou a ele e quer que ele tenha sucesso e avance na competição.

 

Mostrando novamente que os lutadores são abutres incorrigíveis, Phillipe revela que alguém anda roubando o sushi que ele pede. Dizem que o Nover não é o tipo de cara que insiste em reclamar mil vezes sobre a mesma coisa, mas ele fica visivelmente nervoso com o sumiço do sushi. Assistindo o programa, a primeira coisa que pensei foi: “A Equipe Mir já mijou nas próprias frutas porque alguém roubou-as. É pura insanidade tentar roubar mais comida depois disso! Insanidade, ou sede de mijo.” Porém, Phillipe revela em seu blog que o incidente com o sushi aconteceu várias semanas mais tarde, e isso faz mais sentido. Foi um ataque individual quando eles menos esperavam. Após descobrir que o culpado foi o Kaplan, Phillipe começa a arquitetar sua vingança, e seguindo uma sugestão do Kyle, isso envolve gozar no sushi. Isso mesmo.

 

Após não dar as caras por um episódio inteiro, Junie está desapontado com a Equipe Mir. Ele diz que é o único disposto a treinar duro, e por isso acaba treinando sozinho. Ele diz que não recebe a devida atenção da equipe técnica. Kaplan aparentemente não treina muito com os outros leves, e Junie assume que ele está escondendo o jogo porque corre o risco de enfrentar outros leves da Equipe Mir na competição. Junie arma um barraco e perde o controle quando Kaplan diz que ele está se deixando levar pela emoção na hora da luta. Já sabemos que o Junie é emocional demais mesmo, mas o Mir e o resto da equipe não dão muita bola.

 

“Phillipe Nover, na cozinha, com o rolinho Califórnia.” Caso fosse um jogo de Detetive, esta seria a resposta adequada. Como Lawlor deixou bem claro, roubar a comida dos outros está fora de questão neste programa, e armado com uma caixa de sushi, Phillipe repetirá essa lição mais uma vez. Phillipe marca seu nome em letras garrafais na caixa, enquanto Kyle leva o sushi ao banheiro para adicionar uma “proteína especial” ao tempero. Phillipe e a equipe aguardam até o Kaplan comer o sushi roubado, e após revelar a verdade sobre a vingança hedionda, Kaplan faz o papel de vítima. Ele diz que não teve nada a ver com as frutas de Lawlor e que isso foi completamente desmerecido. Lógico que o único ataque desmerecido foi comer o sushi do Phillipe, mas Kaplan nem leva isso em consideração e ameaça todos os culpados com algum tipo de descarga fecal nos próximos dias. Estranhamente, Kaplan não parece muito incomodado com o sêmen em si, e concentrou-se em provar que ele é a vítima de um ataque desproporcional, e só ele tem a razão.

 

Este episódio mostra que também não sabíamos muito sobre o adversário do Kaplan. Phillipe Nover é um peso leve de origem filipina que mora em Brooklyn, New York. Phillipe é enfermeiro em um hospital movimentado em New York, e vê de tudo em seus longos turnos na sala de emergências. Com todos os traumas que ele vê diariamente no hospital, é difícil assustá-lo no Octagon. Nover segue um ensinamento de Miyamoto Musashi, que diz: “Para viver uma vida plena e completa, é preciso colocar-se em uma posição onde a morte é uma possibilidade real.” Nover garante que está pronto para morrer no Octagon, se for necessário. Como vêem, ele segue a tradição nobre de enfermeiros lutadores que seguem os ensinamentos do código samurai, estabelecida por Carlos Newton. Infelizmente, Phillipe ainda não revelou se pratica Dragon Ball Jiu-Jitsu como o mestre Newton. Ainda há muito tempo para corrigir esse erro.

 

Enquanto isso, o programa não revela o programa de estudo do Kaplan, mas vemos que ele é fanático por geografia e perito em capitais mundiais. A Equipe Mir testa os conhecimentos dele por horas a fio, mas ele responde tudo.

 

No jantar, Phillipe oferece uma iguaria filipina chamada balut aos lutadores da casa. São ovos de pato pouco antes de racharem, com os embriões de pato inclusos. Tirando a casca, é como uma gema de ovo cheia de veias e sangue, e Phillipe mostra a cabeça e olhos do patinho dentro do ovo. “Comida de guerreiros”, diz Nover, que também afirma que Lyoto engoliu um balut inteiro sem hesitação no aniversário do Minota. Isso é tão nojento quanto o sushi fertilizado.

 

Mir tem plena confiança no Kaplan, mas tanto o Minotauro quanto o Dana White apostam no Phillipe. Minota diz que ele tem raça, bom jiu-jitsu e um ótimo clinch de Muay Thai, enquanto Dana White acredita que o Nover destruirá qualquer um que aparecer pela frente no programa. Kaplan acredita que a única vantagem que o Nover tem sobre ele é que “Phillipe é mais filipino do que eu, isso eu sei. Também cozinha melhor do que eu, mas sou mais técnico em todos os quesitos na hora da luta.”

 

Em uma reunião levemente conspiratória, Judas “Junie” Browning revela elementos do jogo do Kaplan à Equipe Nogueira. Junie fica com a pulga atrás da orelha porque Frank dá muita atenção ao Kaplan, e até insinuou que se escolhesse a equipe novamente hoje, Mir escolheria Kaplan primeiro ao invés do Junie. Na declaração mais impressionante (ou hilariante) da temporada, Junie diz que Kaplan “fala demais e luta de menos”. Vindo do Junie, é uma acusação estarrecedora! Enfim, Junie não gosta do Kaplan porque ele tem mania de sabe-tudo, e pelo visto torcerá contra o companheiro de equipe.

 

Minota aparece para visitar sua equipe novamente no dia antes da luta, evidenciando o contraste entre as filosofias das duas equipes. A Equipe Mir começa a mostrar pontos fracos e falhas, enquanto a Equipe Nogueira age como um grupo coeso e unido. Minota vê essas falhas, e declara: “Eles são um conjunto de vários talentos individuais. São talentosos, mas agem individualmente.” Enquanto isso, Minota diz que dá 100% de si a seus lutadores, e que nunca imaginou que teria uma equipe tão unida, ou que eles o respeitariam tanto. “Parte de mim entra no Octagon com eles na hora da luta, porque nossa equipe age como um todo, e sou muito apegado a eles.”

 

“Nover teria chance se jogássemos sinuca,” diz Kaplan, imitando o pro-wrestler “Macho Man” Randy Savage. “Mas no Octagon...cuidado, rapaz. A coisa vai ficar feia para o seu lado.” Nover sabe que Kaplan é um cara inteligente e meio brincalhão, mas está mais do que pronto para a luta. Minota pergunta: “Suas mãos estão prontas para matar?” Lógico que sim.

 

Hora da luta entre Dave Kaplan (2-1) e Phillipe Nover (4-0-1)! Kaplan ri quando insinuam a possibilidade do Phillipe nocauteá-lo, e diz: “Tudo pode acontecer na hora da luta, mas eu nunca fui nocauteado ou sequer derrubado.” Kaplan dá uma de marrento e flexiona os pulsos que nem o Wanderlei antes da luta. Logo no início, Phillipe começa acertando jabs fortes e usando a distância muito bem. Pouco depois, Phillipe acerta uma sequência de socos fortes bem no alvo. Mesmo tentando defender, Kaplan sente os golpes e vai à lona, onde Nover cai na meia guarda dele. Nover levanta na guarda e continua batendo forte no Kaplan encurralado. Kaplan rapidamente entrega as costas em uma tentativa de fuga, e Nover encaixa o mata-leão até Kaplan bater, após 1:05 de luta.

 

Nover atropelou o Kaplan, e as reações cobrem todo tipo de emoção. Mir parece absolutamente chocado. Junie fica feliz com a derrota do Kaplan, e diz: “Ele precisava cair na real mesmo.” Phillipe ajoelha-se em um gesto de respeito ao adversário, e mais tarde diz: “Sou o enfermeiro mais durão do planeta!” Minotauro fica devidamente impressionado com o Phillipe, e admira a luta eficiente dele. “Ele sentiu o nocaute chegando. O cara sabe lutar mesmo.” Enquanto isso, Dana White diz: “Phillipe parece o Georges St. Pierre quando o canadense tinha essa idade. Honestamente, o potencial dele é assustador.” Considerando as comparações hiperbólicas e as pistas que temos, Nover é provavelmente o “próximo Anderson Silva” que Dana mencionou em entrevistas antes do início da temporada.

 

O mais estranho é que Mir e o Kaplan recusam-se a admitir que Phillipe venceu por ser melhor. Mir afirma que Kaplan confiou demais no queixo duro e deixou Phillipe atingi-lo, embora o vídeo mostre uma realidade diferente. Kaplan diz que ainda sabe que ele é mais lutador que o Nover, e só perdeu por utilizar a estratégia errada. Não sei que lutador entra no Octagon com a estratégia “vou defender os socos dele com a cara”, mas tem gente para tudo neste mundo. O Mir desolado continua dizendo que Kaplan é o melhor peso leve na casa, e que Phillipe só aproveitou a deixa que Kaplan providenciou. Isso é uma das coisas que mais me irrita no mundo das lutas. Odeio ver gente que prefere desmerecer o adversário a aceitar a derrota. Admitir os erros é o primeiro passo para consertá-los. Nover demoliu o Dave “Homem de Granito” Kaplan como uma britadeira, mas Mir e Kaplan continuam acreditando que o granito não deveria ter rachado.

 

No célebre non sequitur encerrando o episódio, Mir pergunta ao Kaplan: “Nova Zelândia?” Kaplan responde corretamente: “Wellington.”

 
Pedro Coelho | 07/11/2008 - 16:39
 
Episódio 7

Após acompanhar a paciência com a qual o nosso caro Minotauro lida com os 16 lutadores nos últimos episódios desta temporada do Ultimate Fighter, aposto que muitos pensaram: “Se o Minota não perdeu a calma com isso, ele pode agüentar qualquer coisa mesmo.” Ledo engano, como verão a seguir.

 

Após a vitória de Junie na luta da semana passada, a Equipe Mir retêm o controle da escolha de lutas, mas não foi uma vitória bonita. Abrindo o episódio, Kyle diz que a luta entre Junie e Rolando foi “espetacular”. Não sei se esse é o adjetivo mais adequado. Acho que a terminologia popular indica que foi uma “briga de bar”, mas entendo que muitos gostaram porque foi uma luta empolgante. Parte da emoção da luta veio do fato que o Rolando lutou muito melhor do que todos esperavam e apareceu querendo briga, e o resto da emoção veio da torcida anti-Junie.

 

Há quem diga que não existe gol feio. Feio é não fazer. Infelizmente para o Junie, Mir não concorda com essa filosofia e dá um esporro sério nele. Junie deixou a decisão nas mãos dos jurados com uma decisão dividida após três rounds com o Rolando, que supostamente era o lutador mais fraco da casa. O preparo físico dele claramente não estava em dia, e a culpa é toda dele. Agora, ele mostrou que não é tão invencível quanto dizia ser, e não terá a vantagem psicológica contra o próximo oponente. Todos esperam mais dele como lutador, e ele decepcionou a ponto de parecer uma derrota, e não vitória. Mir sabe que ele beberá para comemorar, mas diz “nada de fiascos”, e diz que se ele ficar bêbado, Mir saberá e aparecerá na casa para dar um jeito na situação. Nem quero saber como ele “resolverá a situação”.

 

Na sessão de treinos da Equipe Mir, acompanhamos a trocação dos lutadores e a movimentação defensiva. Krzysztof machucou o dedão seriamente na luta preliminar contra Mike Stewart (mesmo com menos de dez socos na luta inteira), então nosso amigo Vinny “Mexe a Cadeira” Magalhães provavelmente será o escolhido para lutar neste episódio, dando mais tempo para o Krzysztof se recuperar.

 

Criando um contraste claro, o treino da Equipe Nogueira usa exercícios mais “criativos” para quebrar a monotonia dos treinos e manter os lutadores alertas. Eles treinam duro, mas também sabem aliviar a tensão. “Às vezes, eles precisam se divertir nos treinos,” diz o Minotauro. “Tento ser amigável com todos eles, e brinco com eles quando posso.” Minota parece bem confiante em seus lutadores, e diz que provavelmente escolheria Jules para a próxima luta porque ele mostra muita raça, mas também diz que o Kyle treina duro, e se surpreende todo dia com o ritmo com o qual ele aprende.

 

Imagino que não é mera coincidência que o foco da próxima sessão de treinos da Equipe Mir é o gás e preparo físico. Para ajudá-los, Mir trouxe Alejarra (preparador físico do Wand e do Drysdale, entre outros) para usar suas técnicas inovadoras. Os lutadores sofrem com exercícios anaeróbicos, deprivados de ar com equipamento de mergulho. Com isso, exercitam-se aos seus limites com uma quantia limitada de oxigênio, preparando-os para quando tiverem oxigênio de sobra na luta. São exercícios de explosão, usando toda a energia nos músculos e descansando-os mergulhando em água com gelo.

 

Mir enaltece  o jiu-jitsu do Vinny, que treina um armbar voador com o Drysdale. Mir diz: “Se consigo agüentar um rola com você, o Minotauro vai ser moleza.” Não sei se é puro excesso de auto-confiança, mas tanto o Vinny quanto o Mir tratam o jiujitsu do Minota com um toque de descaso. Vinny responde que rolou com o Minotauro no primeiro dia do programa, e o Mir meio que provoca e incentiva uns comentários pertinentes. Mir diz que lógico que jiu-jitsu é diferente do MMA, mas em termos de finalizações e posições na luta, o Vinny é muito melhor que o Minota. Vinny admite que essa foi a impressão que ele teve, mas meio que se corrige e diz que o jogo dele “não é melhor, é só diferente porque o jogo dele é muito básico.” Não deixa de ser verdade, pois o jogo do Minota tem muito a ver com a execução perfeita de elementos básicos. Porém, considerando que ele mesmo admite que jiu-jitsu e MMA são diferentes, qual é a necessidade de fazer um comentário desses? Puro orgulho. Mir agradece, e diz que os toques de jiu-jitsu do Vinny ajudarão na hora da luta com o Minota. O Vinny, que está bem ciente da situação, diz que “a galera no Brasil vai me odiar ainda mais agora.” Pode crer, parceiro. Mir diz que isso não é problema, e que o lema do Vinny aparentemente é “homens me odeiam, e as mulheres me amam.”

 

Que coragem! Falando mal do Minota no aniversário dele! Pois é, chegou o dia do aniversário do Minotauro. Phillipe e Jules fazem bolos para ele, e preparam um jantar de comemoração. “Poder fazer um bolo para o Nogueira parece sonho! Isto é a melhor experiência da minha vida,” diz Jules. Há um respeito mútuo na Equipe Nogueira que ajuda tanto a equipe técnica quanto os lutadores. Jules diz que a amizade entre todos ajuda o Minotauro a não sentir tanta saudade de casa, e que o Minotauro disse a eles que isso significa muito para ele. Simultaneamente, ver que eles ajudam o Minota dessa forma é um grande incentivo para os lutadores, e isso motiva-os durante os treinos.

 

Enquanto isso, membros da Equipe Mir assistem à comemoração roxos de inveja. Shane Nelson diz que toda essa agarração e amor são uma palhaçada. Vinny diz que tudo isso parece falso e forçado, e que não se importa com a idéia de equipe. Prefere ficar na dele, treinando por ele mesmo. Por mais surpreendente que seja, não deram oportunidade para o Junie falar mal deles também. Devem ter trancado ele em uma câmara de isolação anti-babaquice para cada segundo longe dos treinos até a próxima luta, e mesmo assim duvido que funcione.

 

Como todos esperavam, Mir marca a luta de Jules contra Vinny para este episódio. A estratégia do Jules é mover-se constantemente usando contra-golpes, mantendo a distância para evitar takedowns. É a estratégia mais inteligente, diz o Minota. O mais importante para Jules é manter a pressão no Vinny. Jules tem a trocação melhor dos dois, e tem um direto muito forte, então não pode dar tempo para o Vinny trabalhar seu jogo. As duas equipes basicamente sabem que o Vinny é o favorito e Jules é o azarão.

 

O carioca Vinny diz que gosta de treinar duro e divertir-se com a mulherada. Começou a treinar jiu-jitsu aos 13 anos e foi campeão mundial 4 vezes, com a última vez sendo em 2007 na categoria dos super pesados, como faixa-preta. Mir diz que o Vinícius tem tudo para ser um dos melhores, e que a trocação dele está melhorando muito. “Está aperfeiçando combinações básicas que servem de base para seu jogo em pé, e tem um bom chute alto.”

 

Agora vamos ao que interessa. Os lutadores da Equipe Nogueira informam o Minota sobre o que o Vinny anda falando. Ele diz que tem jiu-jitsu de altíssimo nível e é campeão mundial, e vive contando vantagem, aparentemente. Supostamente, Vinny também disse que o Minota era um grappler melhor quando era faixa marrom, mas não compete em torneios de submission há tanto tempo que anda enferrujado. Como de costume, o Minota tem a resposta certa: “Ele pode até ser bom nos treinos, mas na jaula a coisa é diferente, e é por isso que ele não foi meu primeiro escolhido. Ele tem colhões pequenos, cara. Ele é melhor aqui nos treinos, mas na jaula é outra história.” Minota admite que a segunda escolha dele seria o Vinícius, mas agora fica feliz por não tê-lo na equipe, porque embora ele seja um bom lutador, também fala demais.

 

A seguir, o Minota encontra o Vinny na academia, levando a um confronto épico na história do TUF. O Minotauro está claramente puto porque falava bem do Vinícius para os americanos, e diz: “Tu vacilou comigo. Vacilou, moleque.” Vinny tenta explicar que o resto do pessoal falou besteira sobre ele, e que não é bem assim, mas o Minota enfatiza: “Agora é inimigo. Não fala mais comigo.” Vinícius diz que admira o Minota e nunca desrespeitaria ele, dizendo que o pessoal da equipe é que falou besteira, mas o Minota está inconformado. O Nogueira diz que queria ele na equipe, e que estava louco para ajudá-lo, mas o Vinny estragou tudo. Além de furioso, o Minotauro também parece desapontado com o compatriota, que é pior ainda. Vinny acredita que mais tarde o Minota verá as gravações e saberá que o Vinny não falou mal dele, mas não é bem isso que vimos até agora. De qualquer forma, Vinny diz que não tenta agradar ninguém e pouco se importa se o Minota gosta dele ou não (mesmo sabendo que os últimos cinco minutos mostraram o exato oposto disso). Vinny diz que essa situação rolasse no Brasil, alguém levaria porrada por causa disso.

 

Nos treinos para a luta, Jules mostra que o foco dele continua na trocação, usando a movimentação e explorando o fato de ser canhoto. Jules: “Vinny pode até ser um dos cinco melhores do mundo no jiu-jitsu, mas isto é uma luta de MMA, e não chegará no chão. Vou arrebentar a cara dele.” Lutadores das duas equipes concordam que Vinny não reage bem quando leva socos na cara, então o mais importante para ele é levar a luta ao chão. Vinny diz à equipe que se apostarem nele, ele tentará um armlock voador.

 

Antes da luta, Krzysztof encomenda uma lápide falsa, um saco para defuntos, velas e flores falsas para decorar a cama do Jules, com a inscrição “Jules Bruchez: Viveu e morreu, mas quem se importou?” Honestamente, alguém já se perguntou de onde que o cara encomenda essa parafernália? Será que a casa tem uma linha direta com a ACME, que anda meio parada após desistir de pegar o Papa-Léguas? Não ficarei surpreso se o Krzysztof encomendar um par de patins com foguetes ou uma parede falsa com panorama pintada antes do final do programa.

 

Krzysztof treina (ou treinava) com o Vinny na Team Quest, então dá uma boa análise dos pontos fortes e deficiências no jogo dele. É um oponente difícil, porque não avança muito e espera o adversário atacar. Tem jiu-jitsu fenomenal, mas não gosta de levar socos na cara (nem no treino). Antes da luta, Vinny diz que teve um pesadelo onde foi finalizado, e Mir diz que desistirá do cargo de técnico se Vinny for finalizado pelo Jules.

 

Jules revela uma atitude meio  preocupante. Ele diz que independente do resultado, ele será um vencedor. Se vencer, será a maior vitória da breve carreira dele, mas se perder, ele no mínimo perdeu para um lutador de alto nível. Não acho bom pensar assim, pois ele meio que se conformou com a possibilidade de derrota, e isso nunca deveria passar pela cabeça dele.

 

Hora da luta entre Vinícius “Pezão” Magalhães (2-2) e Jules Bruchez (0-0). A luta começa bem devagar. Jules não demonstra a agressividade que deveria, e o Vinícius fica na retranca, acertando chutes fortes, mas sem muita técnica. A movimentação do Jules é incrivelmente limitada, e parece que ele está com muito medo. Após uns três minutos assim, Jules começa a se soltar mais, a avança com bons socos. Porém, ele se descuida e Vinny consegue o clinch. Ao invés de recuar, Jules avança e Vinny puxa ele para baixo com uma tentativa de armlock voador! Na realidade, acabou só puxando o Jules para a guarda, mas conseguiu uma raspagem rápida, quase encaixou uma gogoplata por cima e finalizou com uma chave de braço.

 

A trocação do Vinny não impressionou ninguém, e como o Dana disse após a luta, “Vinny é incrível no chão, e incrivelmente entediante em pé”. Se Jules não tivesse tentado um takedown, seria uma luta ainda pior.

 

O placar geral mostra três vitórias para a Equipe Mir e duas para a Equipe Nogueira. Com sorte, a Equipe Nogueira vira e empata o jogo na semana que vem, quando teremos a próxima luta entre pesos leves. Será Phillipe Nover ou John Polakowski contra George Roop ou Dave Kaplan. Dos quatro, acho que os melhores são o Nover e o Kaplan, então imagino que o Mir vai querer jogar o Kaplan contra o Polakowski para ter uma boa chance de vitória e manter o controle. Talvez tentem eliminar o Nover logo de cara, mas acho arriscado. De qualquer forma, será uma boa luta. Até a próxima!

 
Pedro Coelho | 31/10/2008 - 17:58
 
Episódio 6

Já vimos o Junie brigando ou quase brigando na casa, na piscina e na academia, mas desta vez ele tem uma luta legítima no Octagon. Sei que parece inacreditável, mas o mundo dá voltas, não é?

 

O episódio começa mostrando as repercussões da vitória de Eliot Marshall sobre Shane Primm, no episódio passado. Nos bastidores, a Equipe Mir discute quem deve enfrentar o Junie na próxima luta, e o Mir sugere Rolando Delgado porque o Junie “vai destruir e atropelar o Delgado”. Junie diz que aceita qualquer um, e diz: “Não tenho nada pessoal contra o Rolando. Ele é só um nerd, e quero acabar com a raça dele.” Mir acha que Junie é muito mais forte e atlético, e ao menos isso é verdade. Rolando não entende por que está sendo subestimado, já que tem mais experiência de luta que o Junie, e mais técnica. Está confiante que pode finalizar o Junie.

 

Saindo da academia, Mir e os assistentes técnicos aparecem na casa para comemorar a primeira vitória com o pessoal. Todos estão muito animados, e após algumas bebidas, Mir pergunta ao Delgado quem deu a faixa preta a ele, e a resposta é meio complicada. Ele recebeu a faixa no Brasil, mas só treinou lá por uma semana. Na verdade, o mestre dele é Tony Manuel, na academia do John Lewis. Rolando começa a contar detalhes do motivo de treinar com o Manuel, e como ele chegou ali, mas o resto do pessoal fica meio perdido. Rolando diz que o Drysdale ouviu falar do Manuel, mas tirando isso, ele não explica-se muito bem.

 

A versão de Junie é que ele comprou a faixa dele no McDonald’s, e o Tom Lawlor imagina que a cerimônia de entrega da faixa foi quando um carteiro apareceu na porta da casa dele e entregou uma caixa com a faixa preta. Isso deixa Rolando meio frustado, porque aparentemente Mir é a terceira pessoa a perguntar isso na casa, mas faz sentido. Quando você diz que é faixa-preta, a próxima pergunta lógica é saber quem deu a faixa preta a ele. Mir diz que para graduar para faixa preta, ele precisou quebrar o braço do Tim Sylvia, e aí o mestre dele jogou a faixa preta na cara dele após a luta, e a cerimônia foi basicamente essa. “Se ele é faixa preta mesmo, não deveria ficar frustrado com a pergunta,” diz Mir.

 

O pessoal continua de bobeira na casa, e Roli manda o Junie escolhê-lo como adversário. Junie aceita, porque ele quer “o lutador mais fraco da casa”. Junie não pára por aí, e diz que fará um acordo com o Dana: se Rolando sobreviver o primeiro round, ele ganhará automaticamente. Lógico que é só papo furado, e de acordo com Rolando, o Junie não é tão bom quanto ele acha. Disso não há dúvida, pois se o Junie fosse metade do que acha, ganharia do Rickson Gracie e do Bruce Lee juntos de olhos fechados. Por armbar. No primeiro round. Tentando explicar o motivo pelo qual as brincadeiras do Junie não o afetam, Rolando diz: “Tenho 26 anos de idade, já me formei, tenho casa própria e uma academia de 2.700 metros quadrados. É como o dono de um pequeno negócio tentando puxar briga com o Donald Trump. O Trump não vai se rebaixar ao nível deles, respondendo cada acusação negativa que dizem. Ele simplesmente não lida com gente abaixo do nível dele, e isso é o mais importante para mim. Não vou me rebaixar ao nível de gente como o Junie, que não estão no meu nível na vida ou no mundo de lutas.” É um argumento meio babaca, considerando que nada disso importa quando os dois entrarem no Octagon, e ninguém precisa apelar para “minha vida é melhor do que a sua, então o resultado da luta nem importa”. Isso é o tipo de ataque direto ad hominem de quem não tem nada a dizer, mas já que o adversário dele é o Junie, ninguém se importa muito. É alguém que teve um momento singelo de babaquice contra o Junie, que tem doutorado em babaquice.

 

Na escolha de lutadores, Junie empurra o Rolando, joga uma faixa-preta no chão (com a inscrição “McDojo Jiu-Jitsu”) e cospe nela. Mir diz que não sabia que ele faria isso, e certamente não aprova a atitude. Como podem imaginar, Minota e a Equipe Nogueira aprovam muito menos. Anderson diz: “Mete porrada nesse cara, bicho.” Minota diz: “Acho que o Junie só faz essas coisas porque ele quer atenção. Ele não mostra um pingo de respeito, e daremos nossa resposta no dia da luta.” Tanto o Anderson quanto o Minota confiam no Delgado, e esperam que ele ensine respeito ao loirinho.

 

“Garanto a vitória se obedecer o que eu digo,” diz Stankie. “Lute, lute, mate, mate.” Preparem-se para ligar a trilha sonora do Rocky, porque na sequência seguinte o Rolando treina boxe com o Stankie, e parece uma montagem de filme de esporte dos anos 80 mesmo. É uma das sequências de treino mais longas do programa até agora, e é bem interessante. Rolando começa devagarinho e a trocação dele parece bem limitada. Conforme a música acelera e o Stankie incentiva o Rolando, ele começa a bater mais forte e mais rápido. Só faltava ter “Hearts On Fire” tocando no fundo ou o Rolando correndo na praia.  Rolando diz que a maior vantagem dele é a experiência, e acha que o Junie vai partir pra cima com tudo e cansar bem no começo. Ele só acha que o junie leva vantagem na força e no lado atlético. Stankie: “É o seu futuro em jogo! Entre para matar. Lute, lute, mate, mate.”

 

A seguir, acompanhamos os treinos do Junie, que garante: “Um dia serei o melhor lutador do mundo, porque sou consistente”. Infelizmente, tudo o que vimos no programa diz o contrário, e este episódio não é exceção. Junie cria mais um problema quando não consegue bater o peso logo de cara, mesmo só precisando cortar 4 quilos no dia antes da pesagem. Pelo menos ele é consistente no sentido que sempre podemos contar com ele para fazer besteira. Nisso ele já é campeão do mundo. No dia seguinte, ele aparece na pesagem um quilo acima do limite. Mir está puto, porque obviamente não é a primeira decisão estúpida do Junie na casa, e a esta altura qualquer uma pode ser a última. “Caralho, Junie. Se não é outra coisa, é uma.” Quase acertou a expressão, Mir. Quem sabe na próxima.

 

Com isso, Junie tem uma hora para perder um quilo, e Dave acompanha-o e incentiva ele a não parar. Junie faz papel de sofredor durante esse corte final, quase desistindo enquanto corre na esteira e treina no sol para suar mais. Após uma hora, Junie bate o peso, mas diz que sem a ajuda do Dave, ele provavelmente não teria conseguido. Rolando não aperta a mão do Junie após a encarada, e a Equipe Nogueira aprova.

 

Rolando demonstra seus dotes psiquiátricos novamente quando afirma: “Junie precisa de umas boas porradas na cara para mudar de atitude, e estou aqui para isso.” Junie ri bastante e diz que o Rolando está com medo dele. Isso provavelmente é verdade, mas parece que também está meio receoso. Rir demais antes da luta geralmente é sinal de insegurança ou distração. “Tenho mais medo da minha irmã,” diz Junie. Não me rebaixarei ao ponto de fazer comentários sobre a irmã do cara, mas ele bem que pediu.

 

Um dos treinadores da Equipe Mir diz: “Faça toda a Equipe Nogueira perceber que esse cara é um frangote.” Junie, nos comentários finais antes da luta, garante: “Não sou só um fanfarrão. Não é só papo. Eu me garanto na luta, e não há nada pior do que alguém que fala tanto e consegue provar o que diz.”

 

Com isso, vamos à luta entre Junie Browning (2-0) e Rolando “O Cubano Maluco” Delgado (7-3-1). Sério, esse é o apelido dele. Junie começa com um golpe de direita no corpo e pega o pé do Rolando quando ele tenta revidar com um chute. Rolando se desequilibra e cai, mas Junie nem pensa em lutar no chão (independente dos méritos da McFaixa Preta do Delgado). Quando levanta, Rolando acerta uma boa joelhada e controla a luta com chutes e jabs aproveitando sua vantagem de alcance. Junie parece muito mais passivo do que em sua luta no primeiro episódio, e o Rolando acerta jabs e chutes à vontade, sempre girando e mantendo a distância. Não há muita técnica envolvida, mas Roli acerta um soco ou dois de cada vez, enquanto Junie solta mata-cobras que não acertam em cheio por causa da distância. Perto do final do round, Rolando tenta um double leg, takedown feio e o Junie fica por cima com um sprawl, acertando alguns golpes. Logo, o Rolando chama o Junie pra guarda, mas ele não cai nessa. Em pé nos últimos 30 segundos, Junie começa a acertar bons golpes em cheio, e Rolando revida com bons socos, um soco girado e uma joelhada. Dou o round ao Rolando, que controlou a luta e acertou mais golpes. Junie claramente bate mais forte, mas não acertou muito.

 

Entre os rounds, Minota aconselha pegar o clinch de Muay Thai e não largar. Mir manda o Junie usar os chutes, porque o Rolando não está bloqueando. Ótimas sugestões que são prontamente ignoradas pelos dois, voltando para o segundo ato da trocação básica do primeiro round. Porém, Rolando parece mais cansado, e Junie começa a acertar bons golpes no corpo e na cabeça. Mesmo jogando o corpo todo em cada golpe, parece que o Junie nem incomoda o Rolando, então pelo menos o cubano tem um bom queixo. Os golpes no corpo parecem ser mais efetivos do que na cara. Os dois parecem exaustos e abandonam até mesmo as guardas precárias que mantinham em pé. Rolando está cansado demais para continuar se esquivando e vira alvo fácil para o Junie, que mal tem forças para continuar batendo. Rolando cai meio que por exaustão e por um soco forte do Junie, que não consegue bater o bastante para terminar a luta no chão. No último minuto, Rolando começa a revidar e Junie recua. Os dois quase precisam de máscaras respiratórias no meio do round mesmo. Rolando parte para cima com uma série de socos, movido quase exclusivamente pela inércia, e só fica em pé porque apoia-se na grade.

 

Os jurados dão um round para cada lutador, então a luta vai ao terceiro round. Os dois voltam mais inteiros, e Rolando volta a controlar a distância com jabs. Junie parece bem mais cansado, mas isso também é exacerbado pelo fato que a câmera gosta de dar um close na cara dele. Aos dois minutos, Rolando tenta levar a luta ao chão de novo, mas Junie só chuta as pernas dele. Rolando levanta-se após um minuto parado no chão e os dois continuam trocando. Continuam acertando bons golpes, mas Junie bate mais forte. Mesmo assim, Rolando não acusa os golpes, e nenhum dos dois chega perto de causar dano sério ao adversário. Pela sorte dos telespectadores, a luta termina e Junie ganha por decisão dividida. A luta foi emocionante, mas a emoção veio quase inteiramente da torcida contra o Junie, e não da técnica dos lutadores. A melhor parte foi ver a raça do Rolando, mas ele não precisaria dessa raça se tivesse mais gás.

 

Após a luta, Junie pede desculpa ao Minota por cuspir na faixa preta. Minotauro aceita a desculpa, mas não parece muito convencido. Foi uma luta muito abaixo das expectativas, considerando que o Junie fala mais besteira do que os outros 15 lutadores na casa juntos. Para ganhar a próxima luta, Junie precisará treinar o gás sem parar, e mesmo assim não acredito que ele consiga nocautear alguém. Rolando era de fato o lutador mais fraco dos leves da Equipe Nogueira em termos de trocação, e mesmo assim agüentou três rounds contra o Junie. Ou o Rolando tem um queixo de Mark Hunt, ou o Junie tem almofadas nas mãos.

 

Rolando fica desolado e chora nos bastidores, mas a equipe inteira apóia-o, e ajuda-o a entender que ele deu tudo de si na luta, e mostrou muita raça e coração. Pode até ter usado a estratégia errada, mas deu tudo de si, e isso é o mais importante.

 

Mesmo com a luta fraca, foi um bom episódio, já que concentrou-se na luta ao invés de brincadeiras na casa. Semana que vem, Krzysztof ou Vinícius enfrentando Jules ou Kyle. Levando em consideração que o Krzysztof provavelmente será o último a lutar para dar tempo de descanso para a mão dele (que machucou durante a luta preliminar no primeiro episódio), e já que mostraram uma mini-túmulo criado na cama do Jules dizem “Aqui jaz Jules Bruchez”, apostaria na luta Pezão contra Jules. Torço por mais uma vitória da Equipe Nogueira independente dos lutadores, e isso também significa que o John abraçará todo mundo!

 
Pedro Coelho | 24/10/2008 - 17:43
 
Episódio 5

Mesmo nas condições mais favoráveis e pacatas, lutadores não são gente normal. Portanto, trancar lutadores voláteis em uma casa por meses a fio é receita para um desastre. A casa abriga 32 bombas-relógio ambulantes, mas nenhum marcador indica quando explodirão. No quinto episódio, as diferenças pessoais e demarcações na casa ficam ainda mais nítidas.

 

O episódio começa com uma recapitulação da luta entre Shane Nelson e Efrain Escudero. Junie repete que não vai com a cara do Efrain e que ele é só mais um wrestler com estilo feio que não faz nada. Diz ainda que o Efrain não luta nada, e basicamente chama ele para a porrada. O Efrain não tem muitas opções na hora da escolha de adversários, já que começam a falar besteira, e ele é forçado a calar as bocas dos fanfarrões. Primeiro o Shane, e agora o Junie. Aparentemente, durante a bebedeira do episódio passado, Shane disse que finalizaria Efrain com um triângulo, mas vemos agora que o feitiço virou contra o feiticeiro. Novamente, vemos Junie pulando para dentro da jaula, demonstrando uma total falta de respeito com os lutadores e equipes técnicas tanto do Minota quanto do Mir. O Shane defende seu amigão, e diz que o Junie “estava representando e defendendo a equipe toda, cara”. Ë um ponto de vista interessante e válido, mas é mais provável que o Junie só quer atenção mesmo. Minotauro diz: “Ele está morrendo de medo. Acredite em mim. Ele está com medo.”

 

Dana White afirma que Junie deu sorte que Keith Kizer (presidente da comissão atlética de Nevada) não estava lá, porque ele provavelmente teria mandado Junie embora e revogado a licença de lutador dele. É um comentário meio estranho, pois demonstra uma tremenda falta de profissionalismo da parte do Dana. Ele sabe que o Junie merece ser punido e mandado embora, mas mesmo assim escolhe desobedecer as normas para proteger alguém que ele chamou de imbecil e pivete no episódio passado. Queria ver a cara do Kizer no momento que ele soube deste incidente.

 

Depois da palhaçada, Junie pede desculpa ao Mir por fazer papel de imbecil novamente e por manchar o nome da equipe, mas Mir fica na dele. Ele responde: “Desculpas não valem nada. Compense pelos seus erros com suas ações. Já é a segunda vez que você faz algo assim, e dessa vez você também atingiu minha reputação. Estão falando mal de mim.” Junie promete que não fará nada parecido durante o resto do programa, mas não convence Mir, que responde “veremos”. Uma resposta dolorosa, mas muito merecida. Realmente, o tipo de atitude demonstrada por Junie tem relação direta ao nível de disciplina da equipe, e críticas ao Junie acabam gerando críticas ao Mir.

 

Relaxando na piscina, Junie avisa à galera: “Rezem para que eu vença, porque se eu perder, precisarão me aturar bêbado todo dia e noite até o fim do programa.” Shane Primm admite que acha Junie um cara legal, mas afirma que eles só precisariam agüentar uma ou duas noites disso, porque ele seria expulso rapidinho. Não há como discordar. Junie afirma que aceitar entrar no Ultimate Fighter foi a pior decisão da vida dele, mas pelo que vimos em quatro episódios do programa, não é nem a pior decisão que ele já tomou na última semana. Só o fato do Junie pintar as unhas de preto já é uma decisão pior do que entrar no TUF 8. Voltando à análise psicológica do Junie, Efrain oferece a possibilidade do loirinho sofrer de distúrbio bipolar. É uma das possibilidades mais prováveis ao meu ver, mas Roli prova que é um psicólogo muito mais eficaz do que Efrain ou eu quando diz: “Ele não é bipolar. É só um imbecil mesmo.” É a raiz do problema, certamente. Valeu, Rolando.

 

Abandonando o divã psiquiátrico, o programa volta sua atenção à sessão de treinos da Equipe Nogueira. Os comentários da equipe dizem tudo. Shane Primm: “O cara é um ninja em pé.” Stankie: “Se ele acertar no queixo, você apaga na hora.” John Polakowski: “Adoro o Anderson Silva. O cara é demais!” É isso mesmo, hoje é dia de uma visita do campeão dos médios do UFC, Anderson “The Spider” Silva! Como se treinar com o Minotauro não fosse o bastante, Anderson resolveu matar a equipe ainda mais. Ele traz um ponto de vista e um senso de humor que são uma boa novidade para a equipe, e quebra a rotina de treinos para manter os lutadores interessados. Além dos treinos específicos de Muay Thai, Anderson não dá um segundo de descanso, e faz luvas com o Bader na jaula. Parece que o Bader bate forte mesmo, mas Anderson esquiva boa parte dos golpes, não acusa os que acertam e ainda pede mais. No final, Bader sai exausto e com cortes na cara, enquanto Anderson parece pronto para mais uma.

 

Enquanto isso, na casa dos atletas, o gênio criminoso Professor Moriarty Krzysztof ataca novamente. Krzysztof e o Tom Lawlor roubam as cuecas do Efrain, mergulham-as na água da pia e congelam-as molhadas. Depois de esconder os frutos do crime, os dois guardam as cuecas embaixo de sacos de gelo no congelador. Além disso, os dois cobrem a cama do Efrain com pó-de-mico, assim como a cama do Kyle, a cama do Roli e o robe do Phillipe. Desprezível, como diria o Patolino.

 

Voltando do treino, a Equipe Nogueira ajuda Efrain a encontrar as cuecas, que já estavam muito bem congeladas. Quando a equipe descobre o pó-de-mico na pior forma possível, Kyle afirma: “Eles perderam a linha, mas teremos nossa vingança. Não há dúvida que a situação vai se agravar muito rapidamente, e logo estará fora de controle.” O consenso geral da Equipe Nogueira é: “Todos eles pagarão caro por isto.” Após considerar a possibilidade de espalhar vidro quebrado nas portas, ou formigas ou vinagre nas camas, parece que a idéia mais popular envolve pelancas e pentelhos na comida da Equipe Mir.

 

Os treinadores da Equipe Nogueira tem um método diferente para a escolha de lutas, e não avisam aos lutadores da equipe com antecedência sobre quem estará em cada luta. Neste episódio, a pedidos do Shane, o Minota marca a luta entre Shane Primm contra Eliot Marshall, da Equipe Mir.

 

Para sua vingança maligna, a Equipe Nogueira esfrega sardinhas e óleo de peixe nos quartos, paredes, camas e toalhas da Equipe Mir, impregnando o local com o cheiro de peixe. Quando a Equipe Mir volta, alguns reclamam do cheiro, mas a maioria leva a brincadeira na boa, especialmente o Krzysztof, que quer ver o circo pegar fogo. Porém, o Vinny Pezão é um cara meio tenso, e não gostou nem um pouco. Ele invade os quartos da Equipe Nogueira no meio da noite e interroga os lutadores para descobrir quem foi o responsável. Quando não descobre nada, ele abaixa a calça e mija na cama e no travesseiro do Efrain, que era a única cama desocupada na hora. Claramente, a previsão do Kyle “Mãe Diná” Kingsbury estava correta: a galera perdeu o controle em um piscar de olhos. Até mesmo o Phillipe Nover, que no primeiro episódio disse que seria o predador e seu oponente viraria jantar, foi forçado a concordar: “Nojento! Isso é coisa de animal.”

 

De acordo com Vinny, era inevitável. “Não tive escolha. Era a única coisa a ser feita.” De fato, foi o destino que levou-o a mijar na cama de outro lutador.

 

Felizmente, o foco do episódio passa aos lutadores envolvidos na luta da semana. Shane Primm, de 23 anos de idade, nasceu em Würzburg, na Alemanha, em uma base militar americana. Seu pai era um Ranger do exército, e a dedicação e força de vontade dele vêm do pai. Shane começou a treinar boxe e Muay Thai aos 16 anos de idade, e hoje em dia treina com o Rob Kahn na Gracie Tampa, na Flórida. De acordo com o Minota, “Shane é melhor na trocação e tem mais raça. Isso será o grande diferencial na luta.”

 

Enquanto isso, Eliot Marshall e a Equipe Mir trabalham no preparo físico subindo e descendo morros. Eliot nasceu em New Jersey e mora em Superior, Colorado. A mãe dele é judia e o pai é negro, e por isso ele afirma que nunca encontrou sua turma na escola. Ele começou a treinar jiu-jitsu na universidade, e foi campeão Pan-Americano quatro vezes. De acordo com Frank Mir, o pior inimigo do Eliot é ele mesmo. O cara é um monstro durante os treinos, mas não consegue duplicar essa intensidade durante as lutas. No dia que conseguir, Mir garante que ele será famoso.

 

Antes dos treinos no dia antes da luta, Minota vê o Efrain deitado, cochilando no banco da academia. Efrain explica que ele não dormiu bem por causa dos ataques da Equipe Mir. “Atletas precisam de repouso,” diz Minota, e com razão. Quando soube dos detalhes, Minotauro decidiu mencionar o assunto para Mir, tentando convencê-lo a ajudar a impedir as brincadeiras. Não diria que o Mir é grosso ou mal-educado, mas ele claramente não dá muita bola para o Minota, e meio que diz: “Sei, sei. Pode deixar.” Minotauro percebe a atitude evasiva do Mir, e fica com um pé atrás. “Sei que o Mir não me ouviu, e isso é um grande erro.” Mir não vê nada de errado na situação, e explica: “Brincadeiras são divertidas. Desde que elas não afetem a performance dos lutadores, por mim tudo bem.” Porém, os comentários dele contrariam o que realmente acontece na casa. As brincadeiras afetam o descanso e os treinos dos lutadores, que tem um efeito direto na performance de cada um nas lutas.

 

Minotauro continua incomodado, e tem um papo prolongado com Stankie, que começa a falar sobre as sardinhas. É uma conversa surreal, porque o Stankie parece meio bêbado, e fica exaltado quando diz que eles precisam resolver isso imediatamente, e diz que pagará 100 dólares ao lutador que cozinhar as melhores sardinhas. De qualquer forma, o Stankie alcoolizado e o Minota decidem visitar a casa dos lutadores para pôr um fim à guerra. Efrain até explica que prefere vingar-se pessoalmente pelo ataque às camas com um contra-ataque, mas isso é justamente o que o Minota não quer. Ele acalma a equipe e diz: “Agora não.” Quando a Equipe Mir aparece, o Minota reune todos para tentar manter um clima amigável, porque ele teme que as supostas brincadeiras só vão piorar, e acabarão em briga.

 

A situação demonstra uma diferença ideológica fundamental na casa. Minotauro é um amigo e um verdadeiro paizão, e realmente se importa com cada lutador em sua equipe. Para ele, a atitude mais simples é pedir à galera para agir feito adultos. Enquanto isso, Mir age simplesmente como um técnico. Ele não está aqui para servir de babá ou cuidar de ninguém. Sua responsabilidade é simplesmente o papel de treinador. É uma diferença cultural e hierárquica, e cada equipe assimila parte da atitude dos treinadores.

 

Quando Minota tenta explicar o problema, parece que a Equipe Mir não dá a mínima. É um confronto extremamente enervante, pois Minota é um homem genuíno tentando se explicar de forma sensata. Porém, o público-alvo imagina ser completamente isento de responsabilidade e não dá ouvidos ao treinador. Parece até absurdo. Podem até discordar da opinião do Minotauro, mas o cara é um dos melhores lutadores de todos os tempos, e merece um mínimo de respeito. Não seria mais razoável ouvir o que ele tem a dizer e depois roubar a cueca dele?

 

Eliot tenta explicar a graça de voltar para a casa e ver uma cueca pendurada no teto, e a cara do Minotauro nessa hora é absolutamente impagável. É uma expressão que diz: “Ficou doidão, cara?” É um tremendo choque cultural, entre lutadores agindo de forma anormal por estar em um reality show, e o Minota que não dá a mínima para brincadeiras de quem só quer atenção. É o choque da realidade contra o reality show, essencialmente. Vendo isso, é impossível não sentir a ferida no brio e a angústia interna dos injustiçados. Infelizmente, Minota não tem permissão para aplicar um belo mata-leão em cada membro da Equipe Mir ali mesmo.

 

Eliot diz: “Porra, o Efrain já é gente grande. Precisa mesmo sair chorando e agarrando a mamãe para pedir ajuda?” O Krzysztof pede desculpa para a galera caso tenha perdido a linha com o pó-de-mico, mas deixa bem claro que tem mais brincadeiras a caminho. Minota e o Stankie vão embora com uma sensação de derrota, porque a Equipe Mir claramente não deu o devido respeito a ele, e ele só quer o bem para os lutadores.

 

Enfim, vamos à luta entre Eliot Marshall (5-1) e Shane Primm (1-0). A estratégia do Shane é manter a luta em pé, e ele planeja pegar o Eliot no clinch e matá-lo com joelhadas, no melhor estilo Anderson Silva. Porém, Eliot quer levar a luta ao chão para finalizá-lo. São dois lutadores muito versáteis, mas cada um tem pontos fortes claros. A luta começa com uma breve troca de socos. Shane tenta um Superman punch para encurtar a distância e parte para cima buscando o clinch de Muay Thai, mas Eliot aproveita a agressividade e derruba ele. Em poucos segundos, Eliot passa à posição dos 100kg e consegue a montada. Shane sente a pressão e dá as costas para evitar o ground ‘n’ pound, mas vai do fogo à frigideira porque o Eliot quase encaixa um mata-leão. Shane consegue controlar o braço do Eliot para evitar a finalização, mas não consegue escapar ou melhorar sua posição. Ele gira para a montada, mas continua levando socos na cara e entrega as costas novamente. Pouco depois, Eliot finalmente encaixa o mata-leão e aperta até o Shane bater. Após a luta, o Eliot grita e comemora, dizendo: “Chega de decisões!” Eliot quis provar que merece estar no programa após a decisão duvidosa em sua luta classificatória, e conseguiu.

 

Na análise da luta, Mir vê claramente que o Shane entrou na jaula nervoso, e mal conseguiu olhar para o Eliot. A opinião do Dana é a mais breve, mas talvez a mais precisa: “Eliot atropelou ele.” No bastidor, Eliot diz ao Krzysztof: “A final será entre nós dois,” e Vinny não gosta do comentário. O resto da equipe ri, e acha a reação do Vinny engraçada, mas ele claramente ficou mordido. Eliot tenta se desculpar, e diz que foi só uma piada, mas Vinny não achou muito engraçado e realmente não foi bem uma “piada”. Nesse sentido, concordo com o Vinny. Foi um comentário emocional de um cara que ainda está sentindo a adrenalina da luta, mas não foi uma piada e o Vinny tem razão para sentir-se ofendido. Agora, admito que a reação dele foi engraçada.

 

Minota diz que este foi o dia mais difícil para ele, porque ele diz que o Shane era o lutador que tinha mais raça dos 32 que competiram. “Shane, você ia ser minha primeira escolha, e mostrou muita raça na primeira luta. Isso é uma coisa que ninguém pode ensiná-lo. Nunca. Ninguém pode ensinar a raça, o coração. Nascemos assim.” Shane é jovem e cometeu um erro, mas tem muito tempo para aprender e fazer jus à expectativa que o Minota tem dele.

 

No próximo episódio, a Equipe Mir continua demonstrando falta de caráter, e desta vez parece que o Mir participa de bom grado nos ataques diretos, questionando o mérito da faixa preta do Rolando na frente do resto do pessoal. Veremos a luta entre Junie e o Rolando, e a torcida da Equipe Nogueira continua crescendo. NOGUEIRA! NOGUEIRA!

 
Pedro Coelho | 17/10/2008 - 18:37
 
Episódio 4

Mesmo tratando-se de um reality show, chegamos ao quarto episódio do Ultimate Fighter, e a realidade do programa fica ainda mais real. Talvez real demais. Aviso desde já!

 

Dando uma idéia de quando o programa foi filmado, o episódio começa com os lutadores da casa assistindo o UFC 84 ao vivo. Boas memórias para todos nós, e parece que o Dana White gostou do evento também, porque ele aproveita a deixa para dar umas alfinetadas no Tito Ortiz, mostrando-o levando chutes e sendo derrubado pelo Lyoto Machida na luta entre eles. Quase dá para imaginar o Dana olhando direto para o Tito durante a cena, piscando e dizendo “Viu só, campeão?”

 

Assim como o Dana, Junie não costuma deixar oportunidades passarem em branco. Porém, no caso do loirinho são oportunidades para beber. De acordo com ele, “esta casa nos transforma em alcoólicos”, mas os únicos perdendo a linha são ele e seu novo melhor amigo, Shane Nelson. Os dois divertem-se com uma boa garrafa de vinho branco, seguido por tequila. Claramente, os telespectadores não precisam de telepatia para saber que lá vem besteira. Junie e Shane começam a insultar os lutadores da Equipe Nogueira, jogando amendoins nas caras deles e tentando puxar briga com qualquer um. O Kyle é bem-humorado e entra no jogo deles, jogando amendoim na cara do Junie. Junie bêbado revida jogando vinho nos olhos do Kyle e um copo de vidro no colo, que estilhaça e corta o braço dele. É um corte grande, mas superficial. Poderia ter sido muito pior, e essa brincadeirinha alcoolizada poderia ter tirado o Kyle da competição com um corte no pé ou na mão. Kyle demonstrou paciência super-humana, pois mesmo assim não tentou brigar com o Junie.

 

Aos cinco minutos do quarto episódio, Junie já é o maior babaca da história do TUF com sobras. Sinceramente, é um feito impressionante considerando os elementos notórios que já passaram pela casa. Jeremy May? Fichinha. Melvin Guillard é café-com-leite nessa brincadeira. Shonie Carter tenta, mas nem chega perto. Até o Chris Leben, assistindo o episódio em casa, deve ter dito: “Nossa, esse Junie é um imbecil.”

 

Porém, o circo mal começou! Somos informados que Shane Nelson tem a tolerância de uma garotinha de 12 anos, e a primeira prova apresentada ao júri é o fato dele tentar começar duas brigas, empurrando o Efrain na segunda tentativa. Como o resto da casa parece ter muito bom senso, eles deixam Junie e Shane na deles, sem criar confusão. Os dois bêbados vão ao andar de baixo para continuar bebendo sozinhos, e logo eles começam a jogar móveis na piscina. Eles detonam uma mesa de cabeceira, enquanto Junie diz: “Essa mesa é o Efrain. Essa mesa aí é o Efrain.” Aparentemente, Junie já tem certeza absoluta que será cortado do programa, e com isso perde qualquer pingo de controle que ainda tinha. Enquanto joga mais móveis na piscina, Junie ameaça o pessoal da casa, dizendo que vai quebrar uma garrafa na cabeça deles, e Krzysztof finalmente se cansa do espetáculo, que foi longe demais. Ele desce para tentar falar com o Junie, mas o loirinho só quer saber de empurrar o gigante polonês para comprar uma briga. Então, quando Junie decide pular na piscina, Krzysztof joga as roupas dele dentro d’água também, e como o Tom Lawlor diz, “a situação piorou ainda mais”.

 

Junie fica possesso quando vê que alguém ousou jogar as coisas dele na piscina, ignorando o fato que ele já tinha enchido a piscina com móveis o bastante para mobiliar um pequeno apartamento. Krzysztof admite calmamente que foi ele que jogou as roupas na piscina, e quando Junie diz que os lutadores na casa são todos covardes, o polonês demonstra seu poder de psicanálise: “Você é o maior covarde de todos, porque sabe bater mas não sabe apanhar. Só é machão até mexerem com você.” Junie responde: “Isso não quer dizer que sou covarde.” Será que não? Pouco depois, Junie tenta puxar o Bader para dentro da piscina e tenta brigar com o Darth.

 

Encerrando a cena, Junie faz o papel de coitado e começa a choramingar. O cara tem um dos complexos de inferioridade mais exacerbados que já vi. De agora em diante, devia ser “complexo de Junie”, ao invés de “complexo de Napoleão”. Ele diz que gosta da galera, e que a bebida falou mais alto. “Sempre que tenho uma chance na vida, eu estrago tudo. Meu destino é ser um fracassado,” diz ele. Não sei se a trilha sonora apropriada é um violino singelo ou My Chemical Romance.

 

Na manhã do dia seguinte, Dana White aparece para botar ordem na casa, com voz rouca e visivelmente puto. Dana resume a situação para o público: “Junie é um pivete.” Quando Dana pergunta qual é o problema dele, Junie só responde: “Bebi demais.” Todos sabem que Junie deve ser expulso, inclusive Dana e o próprio Junie, mas por algum motivo Dana decide não expulsar Junie ou Shane Nelson. “Não sei se você age como imbecil sóbrio, mas certamente é um imbecil quando está bêbado,” diz Dana White. “Assistiram vários idiotas nas últimas temporadas, e agora vocês são os idiotas.”

 

Dana garante que Shane terá uma chance de provar tudo o que disse, pois será o primeiro peso leve a lutar, na luta deste episódio. Enquanto isso, Junie chora, sabendo que recebeu uma segunda (ou quinta ou sexta) chance que não merecia.

 

No dia seguinte, Minotauro marca a primeira luta: Shane Nelson contra Efrain Escudero, para ver se Nelson agüenta a pressão mesmo, depois de tentar brigar com Efrain na casa. Nelson explica sua estratégia ao Mir: “Vou bater tão forte que meu soco vai atravessar a cara dele. A cabeça dele vai voar.” Efrain prefere não falar demais, mas o Minota dá sua opinião sobre a luta: “O Efrain tem uma guilhotina excelente. É a melhor da casa. Se o Efrain conseguir impor seu jogo, essa luta não vai à decisão.” A seguir vemos o Minota ensinando, explicando e corrigindo técnicas de jiu-jitsu com o Efrain, que é a cena mais interessante do episódio até agora. Vimos lutadores realmente aprendendo. Efrain é um wrestler muito experiente, mas como vemos pelo cartel dele (nove de suas dez vitórias foram por finalização), o cara também tem um bom jiu-jitsu.

 

A seguir, esclarecemos uma dúvida: a culpa do Junie agir feito idiota definitivamente não é da bebida. Sóbrio, Junie continua igualmente marrento e tenta brigar com Efrain na casa, um dia antes da luta. Junie diz que a semi-final será entre dois lutadores da Equipe Mir, e que por sorte ninguém precisará assistir as lutas entediantes do Efrain por muito tempo. Junie, que aparentemente foi finalizado pelo Efrain nos treinos repetidas vezes, também faz pouco caso do jiu-jitsu do Efrain, dizendo que só foi finalizado porque precisou cortar 7 quilos. Pérolas Junie: “O nome do programa não é Ultimate Wrestler. Vi você treinando com luvas e capacète! Fala sério! Você nem conseguiria me derrubar numa luta. Vou nocauteá-lo na trocação mesmo. Babaca.” Efrain continua calmo, aturando a babaquice e respondendo simplesmente “beleza, beleza”. Junie parece perdido quando Efrain não cai na armadilha de falar merda, e diz: “Veremos.” Agora ele nem pode defender-se com a desculpa da bebida.

 

Mir parece bem confiante, e durante a sessão de treinos, explica que os estilos favorecem o Shane. Efrain tem wrestling melhor, mas Shane é melhor na trocação e é faixa roxa de jiu-jitsu do BJ Penn, que não é pouca coisa. Nelson está igualmente confiante, e diz que pode finalizar o Efrain com cem técnicas diferentes. “Ele só ganhará se ficar deitado parado em cima de mim por dois rounds, evitando todas as minhas tentativas de finalização.” Inclusive, Nelson acha que está no mesmo nível que Efrain no wrestling, dizendo “Isto é MMA, e não wrestling amador.” Junie diz que não vai com a cara de Efrain, e que ele sempre tem um sorriso idiota. Dave Kaplan acha que é melhor Efrain nem tentar levar a luta ao chão, porque o Shane tem uma guarda muito perigosa.

 

Antes da luta, vemos o Stankie ajudando a aquecer o Efrain, e parece uma cena tirada direto do Rocky. O velhinho manda bem demais. A pressão está toda nas costas do Nelson, que resolveu falar besteira antes da luta e agora tem algo a provar. 

 

A luta começa com os dois lutadores se estudando. Nelson parece confortável mantendo a distância, e acerta uma boa joelhada quando Efrain deixa claro que quer tentar um takedown e abaixa a cabeça. A trocação do Efrain é básica em termos de combinações, mas ele tem boa defesa e esquivas, movimenta-se muito bem e é um lutador explosivo. Partindo para o clinch, Efrain acerta boas joelhadas ao corpo, mas Shane consegue defender o takedown e abre distância. Shane defende um single leg e os dois buscam uma posição vantajosa na grade até o árbitro Mazzagatti separá-los faltando 1:40 no round. A luta fica mais movimentada quando eles recomeçam, com o Shane acertando alguns socos e o Efrain acertando boas joelhadas no clinch de Muay Thai. Aproveitando uma deixa quando Shane tenta uma guilhotina, Efrain derruba-o e cai direto na posição dos 100 quilos. Efrain começa um ground ‘n’ pound meio tímido (com o Minota dizendo “Bateu é yes” quando ele acerta golpes!), até Shane girar e conseguir recuperar a meia guarda. O round termina com o Efrain em pé, chutando as pernas do Nelson. Bom round para o Efrain.

 

Entre os rounds, os treinadores aconselham seus lutadores. Nogueira diz: “Não abaixe a cabeça, e gire para e esquerda.” Os córners do Shane dizem que ele precisa conseguir o underhook se o Efrain entrar no clinch. Mir diz: “Joelhada esquerda bem no meio, Shane.”

 

O segundo round começa bem mais agressivo. Shane parte para cima buscando um takedown, mas Efrain defende bem e ainda acerta uma joelhada e bons socos antes do Shane recuar. Efrain usa um superman punch para encurtar a distância, pega um single leg e acerta um slam no Shane, caindo na guarda dele. Minota implora para ele levantar a cabeça para usar o ground ‘n’ pound, mas Shane controla a postura dele. Ambos estão meio passivos, especialmente Shane, que afirmou que Efrain precisaria defender tentativas de finalização sem trégua. Logo, Shane consegue se levantar e Efrain aproveita para acertar uns bons socos enquanto Shane defende-se. No clinch, Efrain batalha por outro takedown e consegue arrastar Shane ao chão. Shane tenta uma chave de perna, e enquanto defende, Efrain acaba de costas no chão. Agora é a vez do Shane mostrar o que sabe na guarda do Efrain, mas ele não faz muito. Na verdade, Efrain bate mais por baixo do que o Shane por cima. Faltando 30 segundos de luta, Efrain controla o braço de Shane, passa a perna para cima e encaixa um triângulo. Efrain ainda usa o triângulo para raspar e ficar por cima, dando porrada e apertando o triângulo até Shane bater.

 

Um dos elementos que mais me impressiona nesta temporada é que os dois treinadores parecem saber exatamente o que fazem. Ambos tem bons treinos, dão boas instruções e têm uma visão clara e justa da luta. Como Mir nos explica, Shane estava se saindo muito bem em pé quando mantia a distância, mas não foi agressivo o bastante. Devia estar receoso por preocupar-se demais com os takedowns do Efrain. Enquanto isso, Minota explica: “Efrain usou seu wrestling muito bem, assim como seu jogo de chão. Nelson não tinha chance nesta luta.” Efrain explica que abriu a guarda e deixou a perna de lado propositalmente, para Shane pegá-la para tentar passar a guarda. Quando ele mordeu a isca, Efrain jogou a perna para cima e encaixou o triângulo. Bela estratégia e execução.

 

Junie, com cara de bunda quando Efrain finaliza Shane, percebe que ele não é o centro da atenção por um segundo, e decide tomar uma atitude. Ele fica furioso, e grita: “Justo o que o UFC precisa, mais um wrestler entediante”, ignorando o fato que o Efrain finalizou o Shane. A reação do Minotauro é demais. Ele acalma o Efrain, e aponta para o Junie dizendo: “Ele é o próximo. Ele será a próxima vítima.” Junie é doidão, e pula a cerca para dentro do ringue para comprar briga com a Equipe Nogueira inteira, que tenta tirá-lo de lá. Agora além de ser imbecil, ele denigre a imagem da Equipe Mir inteira. Parabéns, loirinho. 

 

Então, quais são as lições deste episódio? Primeiro, nas célebres palavras de Homer Simpson, “as bebidas são a causa e a cura para todos os males do mundo”. Segundo, o Efrain luta melhor do que uma mesa de cabeceira na piscina.

 

Nas cenas do próximo capítulo, vemos Anderson Silva treinando com a Equipe Nogueira! Faço minhas as palavras de John Polakowski: “Adoro o Anderson Silva. O cara é demais!” Sem dúvida, amigão. Será que ele tentará abraçar o Anderson também? Espero que sim.

 
Pedro Coelho | 11/10/2008 - 12:38
 
Episódio 3

Os dois episódios iniciais da oitava temporada do Ultimate Fighter são a calma antes da tempestade. São como a tensão em Três Homens em Conflito, com a música-tema do Ennio Morricone, poeira voando no ar, e olhares intensos, sabendo que algo está prestes a explodir. Por mais estranho que pareça chamá-los de “calma”, considerando que os episódios iniciais ofereceram-nos 16 lutas e ação quase ininterrupta, a competição real e o elemento reality show começam aqui. O episódio começa com a abertura oficial TUF, apresentando os 16 lutadores escolhidos pela primeira vez.

 

Abrindo o programa, os lutadores chegam na casa oficial do TUF, basicamente igual ao local nas últimas temporadas, após os reparos inevitáveis. Indicando o que ainda está por vir, quando vemos Junie pela primeira vez na casa, ele já tem uma cerveja na mão. Pior ainda, ele encontra um armário cheio de bebidas. Vamos pausar nosso raciocínio por um segundo. Em cada temporada do Ultimate Fighter, os lutadores ficam bêbados e detonam a casa, até certo ponto. Em várias ocasiões, o Dana White foi forçado a intervir ou explusar lutadores que ultrapassaram os limites vagos da casa. Alguém precisa fazer a pergunta que não quer calar: por que eles tentam embebedar esses lutadores propositalmente? Se vão embebedar os caras por puro entretenimento para os telespectadores, não finjam que não foi de propósito, ou que não esperavam desastres alcoolizados.

 

Enfim, Junie fala sobre seu passado pobre e árduo, vivendo em um trailer e tomando porrada dos irmãos mais velhos. Na bela tradição inglesa da sátira dos Four Yorkshiremen, dá vontade de falar: “Só tomou porrada? Isso é frescura. Toda noite, meu pai batia em mim com uma garrafa quebrada, cortava-me ao meio com um facão e dançava no meu túmulo, e isso era um dia fácil.”

 

O contraste com Krzysztof Soszynski não poderia ser maior. Ele é um dos caras mais relax que já vi no UFC, e diz que ao contrário do resto do pessoal, ele nunca tinha brigado uma vez até cinco anos atrás, após começar a treinar jiu-jitsu. Ele e o Bader parecem ser os mais responsáveis da casa.

 

Karn e Brian sofreram fraturas nos narizes durante as lutas preliminares, e assim que voltaram do hospital, ficaram preocupados com a possibilidade de serem eliminados. Seria o segundo armênio a ser eliminado logo no começo do programa (o outro foi Roman Mitichyan, em um dos momentos clássicos da sexta temporada). Infelizmente, é exatamente isso que acontece. A comissão atlética de Nevada suspende ambos por 180 dias, eliminando-os do programa. Como os outros lutadores na casa explicaram, os narizes deles não estão quebrados...ainda. Certamente sofreriam lesões piores se ficassem no programa, então não há o que discutir. O pior é que os dois não têm “semancol” o suficiente para cair fora da academia, e ficam por lá, na angústia. Dana White é forçado a basicamente empurrá-los para fora com uma vassoura, dizendo: “É sério, rapazes. A porta é por ali.” Com as eliminações, Kyle Kingsbury recebe uma segunda chance por sua ótima luta contra Ryan Bader, e ganha a vaga do Karn. O substituto do Brian aparecerá mais tarde, porque estava voando de volta para Las Vegas.

 

Frank Mir vence na escolha da moeda, e decide escolher o primeiro lutador. Portanto, Minotauro casará a primeira luta. Mir escolhe Krzysztof logo de cara, e o Minota escolha o Bader. No final das contas, as equipes dividem-se da seguinte forma.

 

Equipe Mir: Krzysztof Soszynski, Vinny Magalhães, Eliot Marshall, Tom Lawlor, Junie Browning, Shane Nelson, Dave Kaplan, George Roop

 

Equipe Nogueira: Ryan Bader, Shane Primm, Kyle Kingsbury, Jules Bruchez, Phillipe Nover, Efrain Escudero, John Polakowski e o peso leve surpresa.

 

Polakowski, por sinal, continua com o lance dos abraços, e o Minota recebe outro quando escolhe-o para a equipe. Lógico que é mais engraçado do que qualquer coisa, mas cria um clima amigável na equipe. Por via das dúvidas, John abraça o Dana White também, que deve achar que o cara é maluco. Minota parece extremamente confiante em sua equipe, especialmente o Darth Bader. Ele reafirma a importância da união da equipe, e diz que sempre fica de olho em lutadores com a atitude certa. Vinícius fica decepcionado por não ser a primeira escolha do Minota, e diz que foi o maior erro dele na temporada. Assim como Minota, Mir está extremamente confiante em sua equipe, e diz que não consegue pensar em uma luta que eles perderiam.

 

Durante os treinos da Equipe Mir, o técnico explica suas táticas e motivação. Mir diz: “Como técnico, espero aprender mais sobre mim. Quando reduzimos uma técnica aos pontos básicos para explicá-la a alguém, é como reaprender a técnica pela primeira vez. Portanto, isto me ajuda a entender as artes marciais ainda melhor. Nas artes marciais, começamos como alunos, aprendemos o bastante para virarmos instrutores, e depois viramos alunos novamente. É um ciclo constante, repetido infinitamente.” É a pura verdade, e Mir demonstra que sabe o que faz como técnico. Os assistentes técnicos da Equipe Mir são Ken Hahn, que treina a trocação, e o campeão do ADCC Robert Drysdale, que treina o jogo de chão. Assistentes de respeito.

 

Na casa, Junie mostra que é ainda mais palhaço e sem noção do que a maioria imaginava, com uma matraca que não pára. Até pediu para tomar chibatadas do pessoal, pedindo para ser chamado de Kunta Kinte (escravo africano na mini-série Roots). Ele diz que só quer dar uma agitada na casa já que o resto do pessoal é sem-graça, e que tudo isso é parte de sua estratégia. Ele diz que quer ser visto como o palhaço para que esqueçam que ele sabe lutar, mas não é bem o que parece. Seria mais justo dizer que ele quer ser o centro da atenção, e não sabe lidar com bebida. A galera já diz que ele será o Chris Leben da temporada, ou pior. Krzysztof tenta trazê-lo de volta à realidade, mas Junie fica deprimido. Shane Nelson diz que ele mostra sintomas de distúrbio bipolar, o que é uma boa hipótese.

 

O peso leve surpresa que toma a vaga de Brian McLaughlin é Roli Delgado, e parece que o pessoal gostou da notícia.

 

Minotauro é mais direto do que Mir na hora de falar sobre seu estilo de treino: “Adoro ensinar. Sou treinador por natureza, e sou o tipo de cara que gosta de treinar diretamente com os lutadores.” Os assistentes técnicos do Minota são o campeão de jiu-jitsu Daniel Valverde, e Al “Stankie” Stankiewicz, um treinador de boxe ancião de 67 anos, que gosta de treino duro, como o próprio Minota. O Stankie é muito gente boa, e tem um jeitão das antigas, parecido com o do Mickey, o treinador do Stallone em Rocky. Stankie diz: “O dia de ontem é um cheque cancelado. O amanhã é uma nota promissória. Promete, mas nada garante que acontecerá. Porém, o dia de hoje é dinheiro na mão. Vivo de acordo com esse ditado.” Minotauro dá ênfase à união da equipe, e a importância do respeito. Todos devem se respeitar, mas acima do respeito individual, precisam respeitar a equipe. Parece que as duas equipes têm estilos bem diferentes mesmo, mas ambas funcionam.

 

Para a primeira luta desta fase, a Equipe Nogueira escolhe Ryan Bader contra Tom Lawlor. É uma luta que faz todo o sentido do mundo. Lawlor é um wrestler perigoso, e melhor do que todos na equipe do Minota nesse quesito, com a exceção do Bader. Eliminando essa ameaca, é um wrestler a menos para preocupar a Equipe Nogueira. É uma escolha que demonstra boa estratégia, pensando no futuro. Porém, Lawlor acha que está sendo subestimado. Ele treina com a ATT em Orlando, e além do wrestling também tem uma boa trocação, além de levar vantagem no quesito experiência. Seu adversário Ryan “Darth” Bader vem da cidade de Tempe, em Arizona, e foi nomeado All-American duas vezes por wrestling amador na ASU, e foi tricampeão da divisão Pac-10. Mesmo com apenas um ano de treinos de MMA, é uma grande promessa, e a estrela dos meio pesados da Equipe Nogueira.

 

 

Em um momento chocante, vemos que por baixo da fachada calma e amigável de Krzysztof existe um gênio do mal! Declarando guerra na casa, ele comprou rolos de filme de PVC barra pesada, e com a ajuda do resto da equipe, embrulhou as meias e cuecas do Ryan Bader em volta da cama dele. Além disso, pegaram as cuecas de todos os lutadores na Equipe Nogueira e embrulharam-as em uma bola gigante de PVC. Honestamente, é uma peça bem mais inofensiva do que os ataques reais vistos em outras temporadas, mas talvez seja só a etapa inicial de um plano maquiavélico.

 

Voltando dos treinos, a Equipe Nogueira encontra a bola de PVC presa no tranpolim da piscina, e como todo grande vilão, Krzysztof nega tudo! Imagino que a vingança da Equipe Nogueira será maligna, mas por enquanto todos se acalmam.

 

Em outro exemplo de união, Minotauro e seus assistentes aparecem na casa para jantar com a equipe, criando um clima de família extremamente positivo, que deve ajudar a equipe. Minota é gente fina, e conversou com o Bader para acalmá-lo antes da luta e ver como ele se sente. Porém, quando a Equipe Mir chega na casa, Junie discorda. Ele demonstra uma atitude completamente oposta à do Minotauro, dizendo: “Eles estão conversando como se fossem amigos de infância, e chamando o Nogueira de treinador. Ninguém aqui é meu treinador. Meus treinadores estão lá na minha cidade. Isto aqui é só temporário. Esse jantar aí é coisa de viado.”

 

Mostrando seu senso de humor sarcástico, Lawlor diz: “Ele é maior, mais rápido e mais forte que eu. Ele é mais charmoso, tem mais estilo e um corte de cabelo melhor que o meu. Honestamente, estou ferrado! Não tenho uma vantagem, tirando o meu cabelo horrível e a motivação de ser um azarão.” Lógico que a realidade é meio diferente, como ele explica logo antes da luta: “Eu me sinto ótimo. Treino há meses sem parar, e meu preparo físico está ótimo. Meu peso está ótimo, e minha cara está ótima. Sou lindo.”

 

Vamos à luta. Tom começa defendendo a primeira tentativa de takedown no clinch do Bader, o que é um bom sinal. Ele é mais paciente na trocação e fica na defensiva, mas Bader logo parte para cima e consegue um double leg takedown. Bader cai por cima na meia guarda do Lawlor, e acerta alguns socos enquanto Lawlor tenta voltar à guarda. Bader prefere controlar a luta, e logo desiste de passar a guarda para usar o ground ‘n’ pound, até Lawlor escapar. Lawlor acerta uma boa joelhada em pé, mas se descuida pouco depois quando parte para o ataque, e Bader aproveita a brecha para derrubá-lo de novo. De volta na meia guarda do Lawlor, Bader continua batendo até o Lawlor recuperar à guarda e empurrar Bader com os pés. Aproveitando a distância, Bader acerta um direto fulminante que nocauteia Lawlor na hora, terminando a luta aos 3:41 do primeiro round. Na grande tradição brasileira, a Equipe Nogueira coloca o Bader nos ombros e dá uma volta pelo Octagon. Nem sei por que outras equipes não fazem isso, mas sempre sinto falta quando não acontece. Uma peculiaridade interessante.

 

Após a luta, Mir explica o erro de Tom. Na hora de criar distância para escapar, Lawlor não foi “explosivo” o bastante com as pernas. O mestre da explosão Bas Rutten concordaria. Lawlor percebe o erro, e aceita a derrota na boa.

 

A Equipe Nogueira parece uma equipe de verdade, como gente que se conhece há anos. Antes da luta do Bader, parecia que todos iam lutar por ele também. É um ótimo sinal, e o Minota gosta disso.

 

Pela prévia, a semana que vem será mais um episódio do Circo de Junie, e tudo indica que será ainda mais absurdo. Agradeço aos deuses do entretenimento televisivo e ao Dana White por colocarem as bebidas na casa, mas lamento por aqueles que não gostam de ver outros fazendo papel de ridículo.

 

Vejo vocês lá!

 
Pedro Coelho | 03/10/2008 - 17:09
 
Episódio 2

 

O segundo episódio da oitava temporada do the Ultimate Fighter não perde tempo, e vamos direto ao assunto: Oito lutadores já conquistaram seus lugares na casa do programa, e outros oito foram eliminados. Neste episódio, os 16 lutadores restantes dos 32 iniciais serão divididos entre 8 vencedores e oito eliminados. Há muita ação pela frente, então sem mais frescuras, vamos à primeira luta do episódio, começando com os pesos leves.

 

Wesley Murch (3-2) é um britânico de Bristol, e enfrenta John Polakowski (2-1) de San Luis Obispo na Califórnia. Murch diz que carrega todo o peso do orgulho britânico em suas costas, e dando uma continuidade fascinante (e bizarra) ao programa, remete indiretamente aos comentários de José Aguilar sobre Hitler no primeiro episódio quando menciona que Winston Churchill é um de seus heróis. Aparentemente, TUF também é cultura, e esta temporada quer ensinar-nos sobre a Segunda Guerra Mundial. “Esforço constante revela nosso verdadeiro potencial mais claramente que a força ou inteligência,” diz Churchill, e Murch usa a frase como seu lema. É um cavalheiro culto! Seu oponente Polakowski é amizade em pessoa, um cara arredio que adora abraçar qualquer um ao seu redor. Os dois parecem ser gente fina, e é uma pena que um deles será eliminado.

 

Polakowski começa no ataque com golpes pouco precisos, mas um deles atordoa Murch, e Polakowski controla a luta no clinch até ser derrubado por uma bela baianada. Murch tenta trabalhar o ground ‘n’ pound na guarda, mas muda de idéia e parte para uma chave de perna. Ambos técnicos dão bons conselhos aos lutadores, mas mesmo com Mir explicando como apertar o leglock, Polakowski escapa e volta à trocação. Logo, Joe tenta o que parece ser um Anaconda choke mal aplicado, e Murch aproveita a oportunidade para pegar as costas dele. Pouco antes do fim do round, Polakowski acerta mais um knockdown, e fica claro que Murch está machucado. Há algo de errado na canela dele, e mesmo assim ele mostra raça e tenta continuar, mas não agüenta a dor e cai no chão após alguns segundos do segundo round. Joe vence, e abraça a galera. O Minotauro abraça-o de volta, e acha o cara divertido, dizendo que também gosta de abraços. Porém, Mir não vai com a cara desse excesso de intimidade.

 

Logo de cara, o meio pesado Shane Primm (1-0) avisa: “É bom aprenderem quem eu sou, porque estarei aqui por muito tempo. Do meu ponto de vista, o oponente está preso na jaula comigo sem escapatória, e é o pior lugar onde ele poderia estar.” Neste episódio, o oponente em questão é Sean O’Connell (1-1), de Salt Lake City. Forrest Griffin é o ídolo do O’Connell, que inspirou-se na história do campeão da primeira temporada para buscar a mesma oportunidade. Na última temporada, Forrest disse: “O sangue e o suor valem a pena,” e O’Connell planeja seguir essas palavras à risca.

 

O’Connell parte para cima, e imediatamente Primm acerta boas joelhadas no clinch. O’Connell batalha por um takedown e consegue derrubá-lo, mas Primm já cai usando jogo de quadril para tentar um armbar. O’Connell escapa e começa o ground ‘n’ pound, mas Primm aproveita uma brecha para encaixar outro armbar, mais justo. O’Connell defende a finalização e tenta uma guilhotina quando Primm larga a posição, mas um piscar de olhos, Primm gira e acaba por cima na posição dos 100 kg. Quando O’Connell se levanta, acaba levando mais joelhadas fortes no clinch. Pouco depois, Primm derruba O’Connell com uma kimura estilo Sakuraba e volta aos 100 kg até o O’Connell entregar as costas, levando à vitória do Primm por mata-leão. Primm mostrou que é um lutador bem completo, e controlou cada segundo da luta.

 

Na terceira luta do episódio, dois dos pesos leves mais experientes do programa se enfrentam no combate entre o israelense Ido Pariente (13-4) e Efrain Escudero (10-0), de Somerton, Arizona. Efrain diz que adora brigas, então prefere lutar no Octagon do que gastar tempo lutando em becos escuros e botecos. Diz também que vai derrubar Pariente e finalizá-lo com um mata-leão.

 

Logo no início, Efrain parte para o clinch e consegue um belo takedown. Pariente consegue se levantar e tenta um single leg, mas Efrain demonstra seu wrestling afiado defendendo a derrubada. Pouco depois, Efrain derruba Pariente novamente e controla a luta no chão. Pariente escapa pela segunda vez, e tenta mais um takedown que Efrain defende com um sprawl, aproveitando para encaixar uma guilhotina justa. Porém, enquanto Pariente escapa da finalização, Efrain pega as costas dele e rapidamente consegue um mata-leão. Fez exatamente o que previu, demonstrando wrestling e jiu-jitsu excelentes e impressionando o Minotauro.

 

Quando não está lutando, o cidadão de Oklahoma City e ex-modelo da revista Men’s Health Ryan Lopez (4-3) mantém-se ocupado com seu emprego fixo como caçador de recompensas. Na quarta luta deste episódio, ele caça uma vitória contra Tom Lawlor (4-1-1), o wrestler e palhaço de Orlando, na Flórida, que aparece com o corte de cabelo mais absurdo desde a última luta do Jonathan Goulet. “Se não lutar, eu não como. Se não comer, eu não vivo. Se não viver, eu morro, e francamente, não gosto muito dessa alternativa.” Frases de efeito de Tom Lawlor. Admito que serei uma Lawlorzete durante o programa todo, pois conheço o cara há anos através de um fórum de MMA americano, e o cara é gente boa demais, além de ser um bom lutador. Nos 41 segundos desta luta, Lawlor derruba Lopez, martela e usa a força para pegar as costas dele e finaliza-o com um mata-leão. Mais uma performance impressionante entre os meio pesados, e mais um mata-leão.

 

A luta entre o cubano Roli Delgado (5-3-1) e George Roop (8-3) foi editada, mas concordo com a opinião do Dana White, que diz que é o duelo dos pesos leves magrelos. De acordo com Mir e o Minotauro, Roop é melhor em pé, e Delgado é melhor no chão com seu bom jiu-jitsu. Mir gostou muito do fato que George seguiu suas instruções sem hesitação durante a luta, que é uma qualidade importante. Roni não estava acostumado a lutar contra caras mais altos que ele, e pelo que vimos da luta, George conseguiu manter a luta em pé e venceu na decisão dos jurados.

 

A quinta luta apresenta uma das maiores promessas do programa, Ryan “Darth” Bader (7-0). Além do apelido indiscutível, o wrestler de Tempe, Arizona foi recipiente do título de All-American da NCAA duas vezes. Neste episódio, ele enfrenta Kyle Kingsbury (7-1), um veterano do King of The Cage. Esta luta também aparece em forma editada, mas Bader mostra bons slams, e impressiona o Minotauro com seu wrestling, controle no chão e seu “olho de tigre”. Com seu estilo rápido e eficiente, apelido de Guerra nas Estrelas e olho de tigre do Rocky, dá para torcer contra esse cara? Acho que não. Kingsbury perde por triângulo de braço no segundo round, mas mesmo assim impressiona ambos os técnicos. Mir inclusive diz que ele merecia estar na casa mais do que outros vencedores.

 

Em mais uma luta editada, Charles Diaz (16-4) enfrenta Shane Nelson (9-3). Aparentemente, Diaz contou vantagem antes da luta e cansou de falar que é o bom, então os técnicos esperavam muito dele. Porém, Nelson dominou a luta inteira, com chutes, socos e boas joelhadas na trocação, impressionando os técnicos com sua agressividade implacável. Nelson venceu na decisão dos jurados, e é outro peso leve que promete.

 

Uma das coisas que mais gostei neste episódio foi ouvir os comentários das equipes técnicas. O Minota falou mais claramente neste episódio e deu instruções pertinentes, enquanto o Mir mostrou que sabe do que está falando, especialmente quando a luta vai pro chão. Espero que isto continue durante os próximos episódios.

 

A última luta da noite é entre Eliot Marshall (5-1), de Boulder, Colorado, e Karn Grigoryan (5-0) da Armênia. Dana White lê minha mente e explica o motivo pelo qual espero que esta luta seja boa: “Todo armênio que luta no UFC é completamente insano.” Espero que Karn siga a nobre tradição de armênios psicopatas estabelecida por Karo, Manvel e Roman, proporcionando momentos clássicos de arrogância que deixariam Phil Baroni no chinelo. Ah, e também há a possibilidade que ele sabe lutar. Marshall treina jiu-jitsu e provavelmente tentará levar a luta ao chão.

 

Karn abre com alguns mata-cobras e usa o sprawl para defender um takedown, caindo por cima na guarda do Marshall. Marshall usa as pernas longas para uma boa tentativa de triângulo, e assim que Karn avança para a meia guarda, Marshall faz a raspagem com facilidade. Marshall consegue a montada e passa para as costas sem muita resistência. Assim que Karn vira e volta à guarda, Marshall quase encaixa outro triângulo. O round acaba com Karn tentando o ground ‘n’ pound na guarda. Marshall controlou a luta no chão do começo ao fim, mesmo tomando alguns socos. Mostrou jiu-jitsu afiado mesmo.

 

No início do segundo round, Minotauro manda Karn pressionar para ditar o ritmo da luta, mas Marshall usa sua vantagem de alcance para controlar a distância com jabs bem no alvo. Marshall derruba Karn e cai na posição dos 100 kg, atacando com joelhadas no corpo sem hesitar. Após muitas joelhadas, o round termina e para meu desgosto, a luta terá um terceiro round. Imagino que os jurados deram o primeiro round ao Karn erroneamente pelo ground ‘n’ pound, mesmo com o Marshall controlando o round inteiro.

 

Karn parece totalmente exausto no corner, mas vai à luta. Karn defende um takedown e cai por cima, mas Marshall rapidamente consegue uma bela raspagem com uma omoplata. Assim como no primeiro round, Marshall controla a luta no chão com facilidade, pegando as costas, montando e acertando bons socos. O armênio é escorregadio e consegue reverter a posição novamente, voltando à guarda do Marshall, mas sofreu um corte feio no ground ‘n’ pound entre as posições e jorra sangue no ombro do Marshall. Mazzagatti levanta os dois, e achei que iria dar uma olhada no corte que cobriu a cara do Karn de sangue, mas ele simplesmente dá continuidade à luta em pé por achar que estava parada demais no chão. Estranho, mas a luta termina em pé mesmo.

 

É aqui que a situação realmente vira brincadeira. Em uma das decisões mais bizarras da história do programa, os jurados dão a vitória por decisão dividida ao Karn! Eliot mal acredita no resultado, Mir fica completamente chocado, e nem o Dana White concorda. Lamentável, mas mesmo discordando do resultado, o Dana explica que isto serve como prova cabal que nunca se deve deixar a decisão nas mãos dos jurados. Nunca se sabe como eles interpretam a luta. Minotauro tenta justificar a controvérsia, dizendo que a decisão deve ter sido resultado da agressividade do Karn, que buscou a luta constantemente. Karn acha perfeitamente natural, e diz: “Se os jurados dizem que eu ganhei, é porque eu ganhei.”

 

Encerrando o programa, Dana parabeniza os lutadores pelas boas lutas e os eliminados (que ainda acompanharam as lutas até o final deste episódio) finalmente vão embora. Infelizmente, Antwain Britt, que venceu sua luta no primeiro episódio, quebrou a mão durante a luta e também é eliminado. Acidentes como esse sempre são uma pena, mas Dana aproveita a situação para oferecer um final feliz a Eliot, que toma o lugar de Antwain no programa. Com um surpreendente “jeitinho”, Dana basicamente diz “os jurados que se danem” e traz de volta o lutador que merecia ter ganho a última luta do episódio. “Justiça foi feita,” diz Dana.

 

O episódio seguinte promete, já que as cenas do próximo capítulo mostram que houve mais uma lesão inesperada, bebedeira, o Dana White puto da vida (pra variar), a escolha de equipes e o Anderson Silva dançando. Enfim, um dia normal no Manicômio Ultimate Fighter.

 
Pedro Coelho | 27/09/2008 - 07:21
 
1º episódio

A gaiola dos loucos está aberta por mais uma temporada. Os sintomas são: auto-confiança exacerbada, obsessão por roupas das marcas Affliction, Tapout ou Bad Boy, e no mínimo cinco tatuagens no corpo. The Ultimate Fighter 8: Team Nogueira vs. Team Mir começou esta semana, e já deu muito o que falar.

O narrador abre o programa com uma aula de história sobre os Ultimate Fighters de outras temporadas, e mais especificamente a carreira do Forrest Griffin. O caminho do Forrest no UFC começou no TUF, e levou-o a uma disputa pelo cinturão. Hoje, ele é um dos astros mais queridos do UFC, e o campeão dos meio pesados. Será que algum lutador nesta temporada terá conquistas parecidas? Nunca se sabe!

As possíveis conquistas dos 32 lutadores no programa serão guiadas pelos comandantes de duas equipes que dividirão o grupo. A primeira opção é Antônio Rodrigo “Minotauro” Nogueira, unanimidade no mundo da luta e considerado por muitos como o segundo melhor peso pesado na breve história do MMA. O capitão da outra equipe é Frank Mir, o perito em finalizações-relâmpago que levou o pé do wrestler perigoso e inexperiente Brock Lesnar para casa em sua última luta. São dois dos melhores finalizadores pesos pesados no MMA, sem dúvida. Dana White diz que a luta entre eles tem o potencial de ser a melhor luta no chão na história dos pesos pesados. Hipérbole ou não, o potencial existe.

Assim como na última temporada do programa, os 32 candidatos precisam lutar pelas 16 vagas na casa, determinadas pelos vencedores das 16 lutas preliminares. Temos 16 pesos leves e 16 meio pesados, então 8 de cada grupo avançarão após os dois episódios iniciais. Todos receberam 24 horas para preparar-se para a pesagem, e as lutas começaram um dia depois.

Porém, antes mesmo do Dana White explicar essas informações aos competidores, um dos lutadores desmaia no centro de treinos do UFC. É um acontecimento inédito na história do programa, mas Phillipe Nover diz que não contou com o calor extremo de Las Vegas e isso causou o desmaio.

Antes de chegarmos às lutas, falta passar pela batalha contra a balança. Com o profissionalismo dos atletas de hoje, é fácil esquecer que o corte de peso é um processo árduo e delicado. Esta é a lição dura aprendida por Jason Guida, irmão do peso leve Clay Guida. Jason, que também curte o visual de Capitão Caverna como o irmão, diz que o tempo não pára. Ele não é tão jovem quanto gostaria de ser, e não pode perder tempo lutando em eventos menores. Infelizmente, mesmo após muito suor na esteira e na sauna, e mesmo cuspindo e provavelmente vomitando para eliminar fluidos, Jason pesa 94 quilos na hora da balança. Ele já estava morto de cansaço, com câimbras no corpo todo. Precisava recuperar nutrientes e fluidos de forma intravenosa, e os médicos não permitiram que ele continuasse tentando perder o último quilo. Já que o limite dos meio pesados é de 93 quilos, ele não pode lutar e é eliminado do programa. Virou companheiro do Gabe Ruediger na lista infame das vítimas da balança no TUF.

Recapitulando, as lutas ainda nem começaram e um cara já desmaiou e outro não bateu o peso. O preparo físico não deve ser o forte desta geração saúde.

Chegamos ao dia das lutas, e o esquema é o mesmo da temporada passada. Cada equipe técnica aconselha um lutador, enquanto o Minotauro e o Mir assistem a luta com Dana White e fazem suas anotações. Só para esclarecer, as equipes não são determinadas aqui. A equipe do Mir e a do Minotauro só aconselham lutadores diferentes para simular uma luta real. As escolhas serão feitas mais tarde. As lutas no TUF são idênticas às do UFC, com uma pequena exceção. São dois rounds de cinco minutos ao invés de três. Se a luta for um empate após os dois rounds, há um terceiro round para decidir o vencedor.

Durante as lutas, a equipe do Mir fala constantemente, enquanto a do Minotauro tem comentários mais esporádicos. Mesmo assim, as duas equipes conseguem ajudar seus lutadores. Minotauro diz que, hoje em dia, lutadores não podem ser peritos em apenas uma arte marcial. Precisam treinar e ser bons em tudo, e esse modelo do lutador completo é o que ele procura.

Com a eliminação do Jason Guida, o reserva Mike Stewart toma o lugar dele na primeira luta do episódio, entre meio pesados. O nova-iorquino Stewart tem apenas uma vitória em seu currículo, então pelo menos está invicto. Ele enfrenta Krzysztof “Sopa de Letrinhas” Soszynski, um polonês morando em Winnipeg. Ainda não sei pronunciar o nome do polonês, mas preciso aprender rápido, porque pelo jeito ele é uma das grandes promessas da temporada. Soszynski acertou um direto de esquerda forte logo no início e derrubou Stewart com uma sequência de golpes que força o juiz Steve Mazzagatti (infelizmente sem seu bigodinho de galã pornô) a interromper a luta. Soszynski é veterano da IFL, e é de longe o lutador mais experiente da casa, e mostrou que tem sangue nos olhos. Vai longe na competição, no mínimo.

Na primeira luta dos leves, Fernando “Machete” Bernstein enfrenta Dave Kaplan. De acordo com suas próprias palavras, Kaplan não luta por fama, honra, ou essas outras neuras que marombeiros usam como desculpa. Ele luta por dinheiro e ponto final. A luta começa na trocação franca, e o Machete começa levando a melhor, variando os golpes muito bem e usando socos, chutes e joelhadas. Porém, assim que o Kaplan mostrou que também sabia bater, Machete ficou mais receoso e Kaplan manteve a pressão nele. Oficialmente, não sei quais são as credenciais do tal Machete, mas ele deve ser faixa transparente em qualquer forma de grappling, pois parece que o cérebro dele desligou assim que o Kaplan pegou as costas dele em pé. Machete não esboçou qualquer reação, e Kaplan derrubou-o e aplicou um mata-leão rápido. Simples e eficaz. Dana White diz que o “Machete” não fez jus ao apelido, e “pareceu uma faca de manteiga”. Não tenho como discordar.

Na terceira luta, o ex-desmaiado Phillipe Nover enfrenta Joe Duarte. Nover é filipino e vem do Brooklyn com um cartel de 4 vitórias, uma derrota e um empate. Antes da luta, ele diz: “Eu sou o caçador, e Duarte é a caça. Será o meu jantar.” Deixarei meus comentários pertinentes passar em branco, mas convenhamos que são hábitos alimentares inusitados. Duarte está invicto com três vitórias, e veio da ilha de Guam com 500 dólares no bolso para lutar MMA nos EUA. Duarte diz que esses sacrifícios garantem que ele nunca desiste, e fará Phillipe desmaiar novamente. Phillipe começa acertando bons golpes e leva a luta ao clinch. Infelizmente, ele também acerta bons golpes baixos e a luta é a luta é interrompida para Duarte se recompor. Voltando à trocação, parece que Phillipe se movimenta melhor, mas o Duarte tem mãos de aço e derruba Phillipe com um pombo sem asa ainda no primeiro round. Duarte consegue a montada e Phillipe entrega as costas, mas consegue se defender bem. Mesmo correndo risco de tomar um mata-leão, Phillipe continua socando por cima do ombro, acertando a cara do Duarte. No segundo round, Phillipe derruba Duarte rapidamente, acerta bons golpes por cima e logo finaliza com um mata-leão. Bela luta entre dois atletas que mereciam estar no programa. Lutas bem-casadas como essa são uma raridade nas eliminatórias. Aposto que ainda veremos o Duarte no UFC algum dia, e o Nover mostrou que não é brincadeira. Antes do programa, Dana White disse que o programa apresentará “o próximo Anderson Silva”, um atleta de 24 anos que já atropela todos os adversários. O pessoal na internet supôs que o candidato mais provável ao título de Próximo Anderson Silva era Duarte, mas talvez seja o Nover mesmo. Deve ser o Nover ou o Efrain Escudero (que aparecerá no segundo episódio).

Voltando aos meio pesados, Eric Magee enfrenta Jules Bruchez. Magee tem três vitórias e uma derrota, e segue todos os estereótipos do lutador de MMA moderno. Bruchez é um fazendeiro de Lafayette, Louisiana, fazendo sua estréia profissional no MMA. Ele diz que tem aquela força que só se consegue trabalhando na fazenda, e parece que é um wrestler razoável. Também diz que antes de cada luta, ele pede perdão a Deus pela dor que ele causará ao seu oponente. A luta vai ao chão rapidamente e o Magee encaixa uma guilhotina. Bruchez consegue escapar e eles trocam posições até Bruchez pegar as costas de Magee, levá-lo ao chão e finalizá-lo com um mata-leão. Grappling básico, mas eficiente. Até parecia um treino, pois como o Bruchez diz após a luta, ele nem precisou dar um soco. Bruchez tem energia de sobra, e sai gritando e contando vantagem após a luta.

Já que não há tempo o bastante para mostrar todas as lutas na íntegra, vemos apenas os melhores momentos da luta entre Lance Evans (irmão do Rashad Evans) e o faixa-preta de jiu-jitsu Vinícius “Pezão” Magalhães, da Team Quest (brasileiro com duas vitórias e duas derrotas, e pária do fórum do PVT). De acordo com Tom Lawlor (outro lutador no programa), foi uma das piores lutas que ele já viu na vida, mas graças à mágica das câmeras, pareceu interessante no programa. Pelo que vimos, Vinícius (ou Vinny, como o chamam no programa) tem golpes fortes e precisos, no mínimo. Com um dos poucos golpes que acertaram em cheio, Vinny quebrou uma das costelas do Lance, que foi prontamente eliminado. Preparo físico 3, atletas 0.

A luta entre Antwain Britt (4-1) e o canadense Ryan Jimmo (6-1) também é reduzida a alguns clipes dos melhores momentos. Jimmo aparentemente é super gente boa, além de ser um bom lutador. Diz que admira muito Minotauro por sua garra e determinação, e por continuar sendo um cara humilde e gentil, embora seja casca-grossa no mundo das lutas. Mir diz que o Britt é “extremamente atlético”. É o tipo de comentário que já virou piada nos EUA, pois invariavelmente, todo atleta negro “tem talento atlético natural”, de acordo com os comentaristas. De qualquer forma, o Britt mostra que é forte mesmo e vence a decisão, mas parece que morre no gás e está exausto no final da luta.

Em mais uma luta editada, Brian McLaughlin (5-0) enfrenta Brandon Garner (4-1). McLaughlin leva a melhor na trocação e no ground ‘n’ pound até Garner escapar e acertar uma joelhada ilegal no McLaughlin, que ainda estava ajoelhado no chão. Infelizmente, a luta termina em no contest devido ao golpe ilegal. McLaughlin avança e Garner é eliminado, mesmo sem “perder” a luta.

A luta final do primeiro episódio é disputada por José Aguilar e Junie Allen Browning. Antes de mais nada, admito que é uma pena que um destes dois foi eliminado, porque os dois são fanfarrões ao ponto de absurdo. Junie, um lutador invicto de Lexington, Kentucky, com duas vitórias no cartel, diz que a diferença entre ele e os outros caras no programa é que ele sabe lutar de verdade, enquanto os outros só apareceram para ganhar uma camiseta grátis da Tapout. De acordo com Dana White, ele odeia brasileiros, mas não sei se é verdade ou só papo. Durante o treino inicial no programa, Junie perguntou ao Dana White como ele deveria finalizar o parceiro de treino. Dana disse: “ganhe dele com um triângulo”, e pouco depois, Junie encaixou um triângulo, olhou para o Dana e apertou até o parceiro bater. Comentários finais do Junie antes da luta, quando perguntaram se ele acha que o Aguilar tem chance de vitória: “O José Aguilar ganhar de mim? Seria mais fácil ele me engravidar.”

José Aguilar, um lutador invicto com duas vitórias de Las Cruces, New Mexico, não quis ficar para trás no duelo verbal, e fez comentários igualmente fantásticos (e hilários). “Honestamente, eu pertenço ao Napoleão, chefe. Alexandre o Grande, sacou? Hitler. Pertenço a essa galera, chefe. Mandem-me de volta à era A.C., ou D.C. ou seja lá o que for. Aquela época mesmo. Conquistando as paradas, e saqueando as cidades. Nasci para isso. Sou criminoso, xará. Criminoso na veia.” Incrível. É o ponto intelectual mais baixo da história do TUF, mas um dos pontos mais altos em termos de entretenimento.

A luta em si não foi tão equilibrada quanto a guerra de farpas verbais. Aguilar mostrou um bom boxe, mas Browning levou-o ao chão rapidamente e martelou constantemente no ground ‘n’ pound. Browning bateu sem piedade enquanto Aguilar tentou algumas finalizações que não encaixaram direito. Teve uma boa tentativa de omoplata, mas Browning soube defender o golpe e escapou rapidamente, continuando o ataque. Browning passa a guarda e usa socos e cotoveladas violentos. Ele termina o round quase encaixando um triângulo por cima enquanto bate, e Aguilar desiste entre os rounds. Junie Browning foi o Waterloo do “Napoleão” Aguilar.

Após o massacre, Aguilar ainda diz: “Fiz a coisa certa, e desisti antes de sofrer dano sério. Pelo menos não machuquei meu visual de galã, que é o que importa mesmo. É a lei de Murphy, sacou? Até mesmo o cara mais azarado do mundo dá sorte de vez em quando.” Como assim? Acho que a lei de Murphy não é exatamente o que ele imagina.

Encerrando o programa, Junie diz: “Sabia que ele estava acabado no final do round, mas queria que ele tivesse continuado na luta porque é um bom exercício. Ouvi dizer que tem bebida grátis na casa. Péssima idéia.”

Só vimos metade dos lutadores, mas a primeira temporada já promete! Semana que vem, veremos o resto dos lutadores, e possivelmente a formação das duas equipes. Fiquem ligados!

 
Pedro Coelho | 26/09/2008 - 13:51
 
The Ultimate Fighter

Odeio reality shows. Invariavelmente, apresentam segmentos filmados e altamente editados como a mais pura “realidade”, apelando às emoções e criando personagens e astros artificiais. São falsos, desnecessários e quase universalmente sem mérito criativo.

Porém, o reality show The Ultimate Fighter foi o golpe de mestre necessário para salvar o UFC, e de modo geral o MMA nos EUA.

Em janeiro de 2005, o Ultimate Fighting Championship estava em maus lençóis. O MMA era proibido na grande maioria dos Estados Unidos. Visto como uma “briga de galos com seres humanos”, poucos grandes patrocinadores ousavam associar-se com o UFC, e a falta de publicidade resultou em uma audiência extremamente limitada, sem base para crescimento. Encurralados, os irmãos Fertitta e Dana White criaram o reality show The Ultimate Fighter.

No programa, 16 lutadores de MMA disputam o título de “ultimate fighter” e um contrato com o UFC. Os lutadores são divididos entre duas equipes, comandadas e treinadas por veteranos do UFC. Há uma luta por semana, e os perdedores são eliminados do programa até restar apenas o campeão. Nas primeiras temporadas, o programa incluia duas categorias diferentes, então no final haviam dois campeões. No caso da primeira temporada, eram pesos médios e meio pesados.

Na primeira temporada do Ultimate Fighter (abreviado como TUF), as duas equipes foram lideradas por Chuck Liddell e Randy Couture, aproveitando a rivalidade e gerando publicidade para o segundo confronto entre eles no episódio final da temporada. A equipe do Couture contou com os pesos médios Nate Quarry, Chris Leben, Alex Karalexis e Chris Sanford, e os meio pesados Stephan Bonnar, Mike Swick, Lodune Sincaid e Jason Thacker. A equipe do Liddell era composta dos pesos médios Diego Sanchez, Josh Koscheck, Kenny Florian e Josh Rafferty, e os meio pesados Bobby Southworth, Sam Hoger, Forrest Griffin e Alex Schoenauer.

O programa era um reality show como muitos outros, incluindo as personalidades absurdas, momentos alcoolizados onde os lutadores arrebentam a casa (coisa que já virou tradição no programa) e maluquices gerais por não poder sair da casa onde o programa é filmado. O que realmente diferenciou o TUF de outros reality shows foi a promessa de uma luta por semana na televisão a cabo. Foi a estréia do MMA fora dos pay-per-views, e alcançou um público muito maior do que o esperado.

O programa mudou um pouco desde a primeira temporada, que incluiu desafios físicos para determinar quem escolheria as lutas, e a participação da cantora Willa Ford. Eram elementos de reality shows de sucesso na época, e gradualmente foram eliminados. Porém, as lutas continuam as mesmas, e são o maior atrativo do programa desde o início.

O momento definitivo do primeiro TUF foi o episódio final, um evento ao vivo em Las Vegas no dia 9 de abril de 2005. Os episódios anteriores haviam sido gravados com meses de antecedência, mas este Finale foi o primeiro evento de MMA ao vivo na televisão americana (onde a televisão a cabo é muito mais comum do que aqui no Brasil). Tradicionalmente, todos os lutadores que participaram no programa voltam no Finale para ter mais uma chance de mostrar o que sabem (embora isto tenha mudado recentemente). Foi um evento marcado por nocautes rápidos. Swick nocauteou Schoenauer em 20 segundos, Leben nocauteou Thacker em 1:35, e Karalexis venceu por TKO em 1:40. A final dos pesos médios foi disputada entre Diego Sanchez e Kenny Florian, com uma vitória razoavelmente fácil do Sanchez por TKO aos 2:49 do primeiro round.

Porém, a final dos meio pesados entre Forrest Griffin (da equipe do Chuck Liddell) e Stephan Bonnar (representando a equipe do Randy Couture) não terminou com um nocaute relâmpago. A luta ainda é considerada uma das melhores na história do UFC, e talvez seja a luta mais importante, por suas repercussões para a visibilidade do esporte. Foi uma luta extremamente equilibrada, e disputada quase exclusivamente na trocação. Não é uma luta muito técnica, mas ambos acertaram golpes absurdos e continuaram avançando mais por pura raça e adrenalina do que bom senso. Usaram socos, joelhadas e chutes, e ambos sangraram muito. Após cada round, a expectativa do público aumentava ainda mais. A opinião geral era “Como que os dois ainda conseguem ficar em pé?” e após vários golpes que entraram em cheio, imaginava-se que a luta terminaria, mas ambos se recusaram a desistir. A luta ficou na mão dos jurados, e os dois lutadores receberam a chuva de aplausos e admiração dos fãs.

Griffin venceu a luta por decisão unânime dos jurados, mas durante a apresentação do prêmio e troféu, Dana White declarou que Stephan Bonnar também receberia um contrato com o UFC por sua raça na luta, levando os fãs ao delírio.

Agora que sabemos do sucesso da série, é fácil dizer que foi uma idéia genial. Além de difundir o nome da marca UFC, gerar lucros de publicidade e promover lutas entre os técnicos no programa, o TUF é uma fábrica de astros. Os telespectadores acompanham esses lutadores por meses a fio, e mesmo que eles não sejam os melhores lutadores do mundo, todos saem do programa com uma base de fãs com opiniões formadas sobre suas personalidades e habilidades. Assim, até mesmo os lutadores mais medianos do programa são capazes de atrair os fãs, até certo ponto.

O efeito mais duradouro e marcante do Ultimate Fighter foi a desmistificação do lutador de MMA. Para todos os telespectadores do programa, ficou nitidamente óbvio que nem todo lutador é um brutamontes marombeiro sem educação. Gradualmente, o preconceito do lutador como galo de briga com sangue nos olhos e violência no coração vem desaparecendo, e o TUF foi um elemento crucial nessa conquista. O programa mostrou seres humanos. Carismáticos, inteligentes e invariavelmente falhos como todos nós.

Nos primórdios do programa, Dana White disse que, no futuro, veríamos eventos do UFC com veteranos do TUF em cada luta. Já chegamos muito perto disso no UFC 86 e no Ultimate Fight Night 13, e é muito provável que a declaração do sr. White se concretize no futuro próximo.

Esta quarta-feira temos a estréia da oitava temporada do Ultimate Fighter, e desta vez os técnicos serão o perito em finalizações rápidas Frank Mir e nosso incomparável Antônio Rodrigo “Minotauro” Nogueira, que lutarão no UFC 92. 32 lutadores se enfrentarão, e os 16 restantes serão divididos em duas equipes pelos técnicos para participar do programa. Veremos o Minota e sua equipe técnica moldando esses lutadores, buscando a vitória tanto do time quanto individual. Certamente veremos algumas figuras que estão lá mais pelo carisma do que por mérito técnico, mas também seremos apresentados a grandes promessas do mundo do MMA. É uma mistura de reality show, publicidade e MMA de graça. Portanto, assistiremos pelas lutas boas, pelas lutas ruins, pela divulgação do esporte, e acima de tudo, pelo Minotauro e as conquistas brasileiras no mundo das lutas. Toda semana, estarei aqui para relatar os acontecimentos de cada episódio. Veremos as promessas, os palhaços e as rivalidades, então fiquem de olho.

Como diria o célebre Big John McCarthy: “Let’s get it on!”

 
Pedro Coelho | 26/09/2008 - 13:50
 
 

Pedro Abrantes Coelho é desenhista, tradutor, fã de MMA e escritor com pretensões de renaissance man. Cuidou das legendas da terceira temporada do The Ultimate Fighter na FX pela Bravo Estúdios, e ainda não tem certeza se "Hora da porrada!" é a tradução ideal para "Let's get it on!", mas o Big John não estava lá para corrigi-lo.