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Amigos praticantes: “Hoje é dia de aprender!” - Errado! Todo dia é dia de aprender! |
Aproveito a proximidade de alguns grandes eventos de MMA para, embora não seja exatamente a minha praia, falar alguma coisa a respeito.
Quando o grande lutador Marco Ruas iniciou sua carreira internacional, exatamente no UFC , eu estava lá e participei ativamente da sua preparação. É engraçado que uma das coisas que mais marcaram na luta final do Marco com o gigante Paul Valerans não foi a técnica ou sua força, etc, mas uns simples “pisões” (se é que um pé 45 pode dar um “simples” pisão...) que pedi para ele dar no pé do adversário. O “Polar Bear“, como era chamado, com seus 145kg e 2,08m não largava a grade de maneira nenhuma, evitando a luta franca e, naquela época, este expediente de segurar era legal. Marco não parou de pisar, obrigando o adversário a dançar como um “peru numa chapa quente”. O pé do Valerans ficou como uma verdadeira nadadeira vermelha, e os dedos colados uns aos outros. Paul me disse uns anos depois, no Brasil, que ele ficou dois meses andando de sandália... (fraturou quatro dedos) Coitado...
Me lembro bem que para a preparação do Marco para aquele torneio eliminatório de três rodadas no mesmo dia, em que se sagrou campeão, fazíamos para ele uma espécie de “circuito”, onde tentávamos reproduzir intuitivamente as condições que ele iria encontrar lá dentro do Octógono. Indo à final, faria três lutas no mesmo dia, que considero uma crueldade, e, praticamente sem tempo fixo, o desempenho muitas vezes dependia do condicionamento físico do atleta.
Outro fato importante era a preocupação em tentar reduzir ao máximo suas inevitáveis contusões para estar pronto em 30 ou 40 minutos para a próxima “batalha”. Os “entendidos de plantão” daquela época diziam que o tal “circuito” era excelente para o condicionamento físico dele. Eu, que não era um especialista na matéria, procurava me apoiar nos preparadores de nome que estavam ao nosso alcance. Marco, entretanto, que era um grande atleta na acepção da palavra, nunca abriu mão de duas coisas na sua preparação: a corrida de fundo que fazia na areia da praia do Leme ou na até água rasa e a natação sistemática, quase sempre no CR Flamengo. E também fazia musculação, fazia Levantamento Olímpico, e fazia treinos específicos de Boxe Inglês, outros de Muay Thai, onde era muito forte ,ainda também de Luta Olímpica (Wrestling ) nos dois estilos (Livre e Greco romano ) com meu filho Beto, que aprimorou o seu sprawl, e a nossa velha Luta Livre, onde minha ajuda se fazia mais presente. Completando, ainda batia saco e Punching Ball, fazia muitas aulas de alongamento e pulava muita corda. Desculpem os amigos as repetições “muito”, ”e fazia“, “muito“, foi de propósito... Todos se cansavam só de assistir, era impressionante sua disposição. Treinava finalmente o então chamado Ruas Vale-Tudo. Ufa!
Se o sparing queria agarrar, ele chutava e socava, se ele queria “trocar” ele agarrava... atendendo sempre a definição do seu estilo que ficou famoso.
Hoje as coisas são bem diferentes, especialmente na preparação física.
Ouço os especialistas dizerem, por exemplo, que nosso campeoníssimo Cesar Cielo treina menos da metade do tempo que treinava o então campeão Gustavo Borges .
Como podemos ver, as coisas mudam, e cada vez mais as novas teses e orientações são lastreadas em estudos técnicos aprofundados e experiências de alto investimento. Aquela pequena equipe improvisada de 15 anos atrás, que tinha na intuição uma grande inspiração, agora é uma equipe multidisciplinar, com três ou quatro vezes mais especialistas.
Assim, hoje, quem não acompanha, perde o bonde e fica para trás.
No “Bitetti Combat”, por exemplo, não fiquei satisfeito com o preparo físico de alguns lutadores brasileiros, embora cada um tivesse apresentado suas razões.
Tivemos a oportunidade neste ano de contar com a ajuda dos professores cubanos de Luta Olímpica, contratados especialmente pela CBLA para desenvolver a Luta no país. Todos que participaram de suas aulas constataram a profundidade de seus conhecimentos e a eficiência de seus métodos. Os Professores Pedro e Angel Torres conhecem preparação física para a Luta como poucos, e puderam nos mostrar como Cuba está desenvolvida nesta matéria.
Angel, que tem doutorado em preparação física, comentando um treino que era puxado para lutadores de MMA na nossa academia, me disse, espantado :
“Perguntei se aquele treinamento era técnico ou físico e me disseram que era tudo, técnico e físico...”
“Senhor Leitão”, continuou, “Aquilo não era nada. Estavam apenas cansando os participantes, sem ter nenhuma utilidade”.
Não era eu que estava puxando, mas percebi que eu também não sabia o necessário, pois faria algo parecido que também não serviria. A única diferença era que eu não me aventuraria. O meu ofício é mostrar e ensinar, com imenso prazer, a parte técnica da nossa Luta Livre tradicional.
“Cada macaco no seu galho”, pensava eu...
Só que eu não acreditava que fosse assim, a ponto de, alem de não ajudar, ainda poderia de alguma forma comprometer o esquema como um todo.
É incrível, mas nestas montagens de treinamento físico as coisas se parecem muito, mas nas suas eficiências são completamente diferentes.
Só como ilustração, me lembro que há aproximadamente 24 anos resolvi fazer uma pesquisa envolvendo mais de 50 assuntos ligados a Luta com 20 equipes participantes de dois Campeonatos Mundiais de Wrestling realizados em Clermont- Ferrant , na França. Naquela época, Laptop, etc, era novidade e o serviço foi na “munheca”, como se diz...
Hoje, quando releio o trabalho, me admiro, não imaginando como tive coragem de entrar naquela empreitada... (arroubos do restinho de minha juventude)
Um ponto curioso me chamou a atenção no Item referente às práticas usadas na preparação dos lutadores: Só havia duas atividades físicas entre aquelas mais de 25 praticadas e por mim selecionadas que eram utilizadas por todas as equipes, permanentemente:
1 = Trabalho com pesos
2 = Pular corda
O resto, uma equipe usava, a outra não, e assim por diante.
Quem eram então os atletas com melhor condicionamento físico?
Individualmente, alguns atletas americanos se destacavam, cuja regra era “GO,GO ,GO ... and GO!”, lutando num ritmo frenético que se adapta à Luta Olímpica.
Na média das equipes, aparecia a da URSS, embora sem a exuberância física dos americanos, tipo “vaca premiada”. Só que a seleção dos atletas soviéticos era inacreditável . De milhares de praticantes de alto nível eram escolhidos apenas os em melhores condições.
Já naquela época os técnicos e seus preparadores que se reuniam nos congressos técnicos já discutiam métodos e novas teorias de preparação física. O primeiro a ser “fabricado” pelos soviéticos foi o grande lutador super Campeão de luta Greco-romana, Alexander Karelin.
E, parece, deu certo, com tricampeonatos Mundiais e Olímpicos, Europeu, etc, Karelin simplesmente levantava os adversários fazendo uma alavanca invertida, ou seja, fazia força no braço menor! Incrível!
Ah, me esqueci de um detalhe: Sacha (Karelin) nasceu na Sibéria em 1967, pesando mais de 7kg com 69cm!
Sei que não vamos preparar nenhum Karelin, mas pelo menos vamos tentar aprender o máximo e escolher os caminhos mais produtivos para nossos atletas.
Nunca é tarde, RIO 2016 está ai!
Bons Treinos,
Roberto Leitão
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Mestre Roberto Leitão | 11/10/2009 - 03:24 |
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Estamos em liquidação |
Alô GALERA!
Estamos em liquidação... Aproveitem a promoção que vai acabar...
É, meus prezados leitores, tenho que aceitar o fato, embora muito a contragosto... O fim do túnel se aproxima inexoravelmente...
Felizmente, minha meta que, já tinha sido alterada pela segunda vez, mais uma vez foi ultrapassada. Imaginei inicialmente que poderia “treinar” até uns 60 anos, ultrapassei a barreira e me dispus a ir até os 65; nova vitória e lá fui eu passando pelos 70...
Estou achando que não vou mais fazer metas, simplesmente “vou deixar a vida (luta) me levar“, parodiando o sambista Zeca Pagodinho.
Vale, entretanto, lembrar que, quando digo “treinar”, não é dar aula, mostrar posições, ou fazer um “rolinha light“, etc, que muitos veteranos idosos aficionados normalmente fazem, o que, aliás, é também muito bom.
O que estou me referindo é bem diferente. É ter condições normais de treinar duro, com qualquer um, com freqüência, como sempre fiz.
É assim que compreendo, e é assim que vou continuar tentando.
Fica também evidente que eu sempre me preparei para treinar forte até hoje. Se eu pudesse dar um conselho, diria para os amigos que, quanto mais cedo se começa a preparação para o “fim do túnel”, mais longe ele fica. O que é também muito bom.
Para isto, hoje priorizo sistematicamente a inteligência, mas não renego de forma nenhuma a força e o vigor. No treino duro, procuro me antecipar ao adversário, colocando minha experiência em analisar rapidamente as situações, para dirigir tudo que faço da melhor maneira possível, dentro das minhas condições que bem conheço. Sempre admito a “presunção da eficiência” do outro e me preparo para o mais difícil, para a pegada mais correta, mais eficiente.
Se nada acontecer, menos mal, vou seguindo.
Não sai de minha mente o que o Mestre Jigoro Kano, criador do Judô, (e o grande Santo Agostinho também!) dizia:
“Melhor do que aprender novas técnicas, é desenvolver nossa capacidade de análise e julgamento“
E é isto exatamente que eu procuro fazer e que recomendo.
Reconheço a cada instante a falência de meu vigor físico, mas evito com astucia as posições que poderiam me testar e, pior, comprovar para mim mesmo, com certa tristeza, o inevitável.
Como vocês sabem, nossa massa muscular depois dos 50 anos vai diminuindo pelo menos 1 a 2 % por ano. E eu, que não havia até então feito nada específico, hoje estou trabalhando fortemente para tentar suprir esta deficiência e minimizar os efeitos danosos, enfrentando quase todos os dias aquelas máquinas insensíveis e sem alma. O que me salva são os dedicados professores e fisioterapeutas da Academia Upper, no Flamengo, que estão sempre me incentivando e não me deixam esmorecer. Mas, na realidade, aquela atividade representa para alguém da minha idade, um razoável esforço, embora altamente compensador.
Quanto a tal “técnica”, que muitos dizem que tenho, e que todos almejam teoricamente ter, fico as vezes pensado nela, para surpresa de muitos: “como eu era pouco inteligente”... Na realidade eu vivia de “contrariar” os adversários. Eles tentavam, eu defendia e resistia, aproveitando meu vigor, minha explosão, etc. Até nosso ataque era “forçado”. Parecia que eu tinha um especial prazer procurando posições que o adversário defendesse, para forçar e de alguma forma bater a defesa dele...
Hoje, ao contrário, simplesmente não confronto, não me oponho, cedo o que posso, me adapto. Por vezes, quando em especiais condições me vejo obrigado a enfrentar diretamente, o faço utilizando a chamada ” troca de unidade motora”. Explicando: Se sou obrigado a me contrapor a força produzida pelo braço do companheiro mais forte, utilizo meus dois braços contra o dele ou então utilizo minhas pernas ou ainda meu lombar. Não abro mão disto em hipótese nenhuma .
Mais do que a Força, utilizo a Pressão, que, para quem não se lembra, é a Força dividida pela Área onde é aplicada. Se não consigo “supinar” meu adversário de mais de 100 kg que está eventualmente “atravessado” em mim lateralmente, consigo empurrá-lo para cima, fazendo uma pressão com um décimo da força que seria necessária para o tal “supino”, aplicada em apenas de 2 a 4 cm² da ponta de meu cotovelo nas costelas do “amigo”. Eu sei que tem muita gente que classifica esta ação como “grossura”, mas são os mesmos que quando elogiam um lutador dizem : “Fulano é casca grossa”. Bem, não entendo então...
Uma “compressão” aplicada com perícia (no lugar e no momento certo), tem sua eficiência, pois desmonta posições, obriga a quem sofre a fazer movimentos indesejados, provoca dor, cria espaços, desconcentra, etc.
É uma verdadeira “panacéia”, um remédio para todos os males, como diz o dicionário.
E o gás? Vocês devem estar perguntando... Não aceito ritmo ditado pelo adversário, eu procuro dar o meu próprio. Se ele quiser, pode correr, eu não. Me esforço menos, faço menos força , logo, me canso menos.
Outro pequeno “truque”: tiro muito proveito das técnicas que não aplico. Exatamente, que não aplico, mas faço com que o adversário pense que vou aplicar. E funciona, restringindo os movimentos dele ou induzindo que faça alguns outros que já espero e conheço. São pequenas vantagens que vão se somando.
Tudo isto depende fundamentalmente de nossa cabeça. A concentração é importante no começo, depois a análise já se torna automática.
Só me arrisco a fazer exatamente aquilo que funciona com aquele adversário, naquela circunstancia. A esta altura da vida, na luta, a “seletividade” é fundamental.
Não há “PF” (prato feito), a refeição é a “la Carte”, tudo sob encomenda, embora possa estar no nosso Cardápio.
Alem disto, tenho que eliminar 100% do efeito “surpresa” do adversário, matando qualquer ameaça no nascedouro, quando tudo fica mais fácil.
Para isto observo com meus olhos, e sinto com meu corpo, que trabalha como um todo, cada (quase imperceptível) movimento do oponente.
As vezes ele também procura me enganar, e eu, quando interessa, “finjo” que fui iludido, aproveitando também o relaxamento automático dele, quando imagina que levou uma certa vantagem.
A luta se torna assim um verdadeiro jogo de interesses, onde o mais sagaz leva a melhor.
Após qualquer treino, sistematicamente tento recordar o que aconteceu e analisar o que fiz de certo e de errado, encarando as situações indesejadas como uma pendência que precisa ser resolvida. O problema é que sempre preciso anotar, porque minha memória recente está cada vez ficando pior...
De vez em quando me vejo pensando... “ah! Se eu lutasse assim quando era jovem! Perdi o bonde... Não tive esta chance”. Já vocês podem sem dúvida tentar seguir uma linha parecida, usando as posturas que julgarem convenientes e com certeza vão se surpreender com os resultados em pouco tempo.
Só lembro que os americanos estão certíssimos quando dizem: “No pain, no gain“ (sem dor, não há ganho, vantagem).
Tudo é uma questão de muito esforço, trabalho e dedicação.
Esta é a lição maior.
Assim, antes que eu acabe, e não consiga mais passar na prática minhas idéias, convido aos mais dedicados que quiserem vir nos visitar aqui na nossa academia, no Centro de Treinamento da CBLA na Academia Delfim, rua Pereira de Siqueira, 45 Tijuca (Estação São Francisco Xavier do METRO) para um “treininho”, com direito a chaves de pé e tudo mais.
Antecipadamente, agradeço muito a oportunidade de trocar idéias com gente mais jovem e continuar aprendendo, pois Mestre é quem mais aprende.
Meu horário na Delfim é 2ª, 4ª e 6 ª de 8hs às 10hs.
Peço apenas a quem quiser vir que antes nos avise por e-mail para que façamos uma agenda. (rcleitao@yahoo.com)
Estaremos aguardando!
Bons treinos e grandes descobertas!
Roberto Leitão
ATENÇÂO, IMPORTANTE: Vários companheiros tem me perguntado se são meus os comentários em Fóruns na Internet sobre alguns lutadores, especialmente de MMA.
=== NÃO FUI EU QUE ESCREVI === Por favor, avisem aos interessados. Sou Leitão, mas sou de outro chiqueiro...
Só dois LEMBRETES:
A LUTA LIVRE é uma atividade de força e destreza, que busca através do desenvolvimento e aplicação de suas técnicas de domínio e submissão do oponente, transformar os instintos naturais de defesa pessoal num veículo de crescimento espiritual e físico.
“O homem para ser completo tem que estudar, trabalhar e lutar.”
Sócrates, 430 AC |
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Mestre Roberto Leitão | 04/08/2009 - 18:24 |
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Aos grandes Lutadores, com afeto e carinho |
Vitórias, derrotas, lutas fáceis, verdadeiras batalhas, decepções, contusões inesperadas, desencontros, etc. Tudo faz parte desta movimentada vida do Lutador de MMA. Mas existe uma coisa que especialmente considero das mais difíceis na carreira destes verdadeiros heróis, que é “como conviver com a derrota”.
Transcrevo as idéias de um dos maiores treinadores de Wrestling de todos os tempos, conhecido também pelo seu poder de comunicação com seus comandados, o americano Tom Minkel, que por muito tempo aconselhou um sem número de Campeões. Abordo o assunto depois do inesperado resultado do UFC 92, que todos os brasileiros lamentaram.
Segue então o texto que vale a pena ler, mas que temos que levar em conta que o americano não tem nossa mentalidade “latina” e valoriza excepcionalmente o sucesso. Eu pessoalmente dou mais valor a estar feliz comigo mesmo, a ter a sensação do “dever cumprido”. Por outro lado sou forçado a reconhecer que nas derrotas, especialmente dos amigos, realmente sofremos bem mais...
1- Todo mundo perde algum dia. Dan Gable (Wrestler Campeão Mundial) perdeu sua luta final ainda quando colegial. Tom Monaghan, hoje dono do Império “Dominós Pizza”, esteve na banca rota uma vez. E você certamente também terá o seu quinhão de derrotas.
2- Aprender como enfrentar a derrota pode bem ser a chave de como conseguir mais vitórias. Eu estou convencido que a derrota pode ser o seu professor, mas só se você prestar atenção nela. Você precisa analisar suas derrotas e aprender com seus erros. Entretanto, tudo funciona como no colégio: se você não estuda, não aprende.
3- As emoções podem lhe passar uma rasteira quando você competir. Ela influi na concentração, nas reações e na sua performance. Aprender a manter a cabeça fria frente a frente com a derrota pode levar você a ganhar muitos combates, que de outra forma estariam perdidos. É duro aprender, e muito difícil praticar.
4- A derrota revela o caráter. Nada dá maior discernimento sobre alguém do que vê-lo encarar uma derrota. Uma pessoa é realmente grande quando enfrenta a derrota “com a cabeça erguida e sua boca fechada”.
5- Há sempre alguém para criticar. Mas aprenda a aceitar a responsabilidade por suas derrotas tão bem quanto por suas vitórias. Mesmo que sua derrota não tenha sido inteiramente por sua culpa, não ponha a culpa em outra pessoa, pois isto lhe impedirá de encarar sua responsabilidade no ocorrido.
6- Mantenha seu senso de humor. A vida (e a LUTA) nem sempre é um mar de rosas. Seu bom humor pode fazê-lo atravessar as piores épocas.
7- Se você se preparar, seu tempo virá. Na maioria dos torneios algum jovem lutador estreante terá uma grande vitória sobre um favorito já solidificado. Se você for jovem, precisa se preparar agora para as oportunidades que surgirão mais tarde. Se você for veterano, você nunca deverá parar de batalhar para ser o melhor sempre.
8- O sucesso nunca é o fim e o fracasso nunca é definitivo. Sua coragem é o que realmente vale.
Bom proveito para todos, um abraço e até a próxima.
Roberto Leitão
PS: Para aqueles que querem nos visitar, informamos que estamos de casa nova, no Centro de Treinamento da CBLA, (Confederação Brasileira de Lutas Associadas) em implantação na excelente Academia Delfim na Tijuca (Rua Pereira de Siqueira 45). |
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Mestre Roberto Leitão | 08/01/2009 - 21:57 |
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As regras do Submission Grappling |
Agora que a nossa velha e tradicional LUTA LIVRE reapareceu com uma roupagem nova e outro nome, sob a administração mundial da poderosíssima FILA (Federação Internacional de Lutas Associadas, que dirige as Lutas Olímpicas) não poderíamos deixar de abordar este assunto.
Em primeiro lugar, discordo totalmente da definição quando diz que a “nova” modalidade seria uma mistura do Wrestling com o Jiu JItsu. Como poderia ser, se a origem de tudo é a própria Luta Livre, o desporto mais antigo da humanidade, que nasceu com o próprio homem na pré-história?
Eu pergunto: tem “encostamento”? Não, portanto não é Wrestling. Usa quimono? Não, portanto não é Jiu-Jitsu ou Judô. A importância destes dois pontos é tanta que seria o mesmo que dizer “É um futebol sem bola“.
Me disse um alto dirigente da FILA que assim foi feito para facilitar, porque são duas modalidades conhecidas... Vamos ver se mais tarde esta definição se modifica.
Pessoalmente uso a seguinte definição que me parece adequada:
A LUTA LIVRE é um jogo de destreza e força, cujo objetivo primordial é, através de pegadas e posições sem a utilização de qualquer acessório (daí ser “livre”), fazer com que o oponente peça para parar, desistindo de continuar, se declarando ou sendo declarado impotente e dominado. Este domínio pode se caracterizar pela necessidade de auto-proteção que o ser humano dispõe, procurando evitar lesões, a dor, ou o bloqueio de algum sistema vital (respiratório ou circulatório).
No caso de não haver o aviso de desistência do contendor (batida com a mão/pé ou verbal) para evitar a possibilidade de uma lesão, um terceiro (juiz, arbitro, professor) pode declarar a superioridade de um dos participantes, suspendendo a contenda.
Temos que reconhecer, entretanto, que a regra atual da FILA já representa uma grande evolução em relação à utilizada nos Torneios do ADCC, que privilegiava demais os wrestlers, e adotava pontuação muito semelhante à do Jiu-Jitsu, esquecendo os praticantes da verdadeira Luta Livre, que continua com seu objetivo da “finalização”, não permitindo que o lutador se “esconda” atrás de pontos, fato corriqueiro naquelas competições.
Sinto que, quando mostro minha sugestão para as regras, os dirigentes “balançam” a luz das evidencias. Se elas eventualmente privilegiam alguém, este alguém é quem procura mais a Luta ou quem procura mais a finalização. Como não há pontos positivos, não há como se esconder atrás de pontos marcados, ou lutar com o objetivo de apenas pontuar. A meta é sempre procurar provocar a desistência do oponente.
Vejam, por favor, um concentrado da nossa Regra, que pode servir como uma base. Experimentem e me dêem sugestões no que couber:
Não há pontos positivos, permitindo que os lutadores se dediquem exclusivamente a finalização, sem aquelas restrições causada pelo risco do adversário ganhar um ponto por uma falha em uma boa tentativa de ataque. Benefício: A Luta fica muito mais dinâmica, sem “amarração”. Aqueles especialistas em quedas (Wrestler /Judoca) não terão vantagem na pontuação por derrubar, mas podem e devem usar as quedas como uma forma de dar continuidade a busca da “finalização”. Como uma idéia a ser burilada:
Pontos Negativos - Fuga para fora da área com um golpe encaixado: 3 pontos - Pela terceira “advertência” de Passividade (evitar a Luta): 1 ponto - Pela quarta advertência de Passividade: 2 pontos
Suspensão da Luta - Desistência - Paralisação do Juiz (Proteção) - Paralisação Médica - Pelo quinto ponto negativo - Desclassificação disciplinar
Critério para decisão - Desistência ou Paralisação - Pontos (os negativos) - Por decisão dos três árbitros (laterais e central)
Critérios Subjetivos, para julgamento dos três Árbitros (a semelhança do Judô), quando houver empate: - Empenho para finalização = valorizar quem procura a finalização - Técnica & Eficiência = demonstração inequívoca de quem tem habilidade e usa a inteligência, lutando com técnica e baixo gasto de energia. - Proximidade da Finalização = Independente da causa, a demonstração de que quase foi atingido o objetivo da Luta.
OBS. Fica claro que quem derruba, passa a guarda, monta, etc., sempre no objetivo de finalizar, estará se valorizando para uma eventual decisão dos árbitros, embora não marque pontos durante a luta .
Tempo de Luta: 5 a 7 minutos (sugestão)
Assim, companheiros, vamos ver se os praticantes da LUTA LIVRE e seus líderes aproveitam a real oportunidade que está surgindo, e deixam de lado as vaidades pessoais e questões menos importantes para marchar numa só direção que garanta o seu merecido desenvolvimento no cenário mundial. Lembro que a LUTA LIVRE tem todas as condições de origem, tradição e materialidade para, em pouco tempo, galgar até a condição maior de Esporte Olímpico que todas as modalidades procuram.
Até a próxima, bons treinos Roberto Leitão |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:44 |
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Dicas para aumentar o rendimento |
Prezados Leitores,
Depois de um período bastante conturbado, com muitos questionamentos e perguntas dos aficionados, devido a tal arvore genealógica da Luta, onde não foi dado ao reparo o mesmo peso da incorreção original, vamos tratar do que mais interessa: algumas dicas para aumentar nosso rendimento na Luta em competição.
Quando estou dizendo “competição” me refiro a oportunidade em que tentamos sobrepujar o adversário, seja num campeonato, treino, etc.
Não faz mal lembrar que o conhecimento técnico do lutador está envolvido pelo que chamo de “3F” (Força, Flexibilidade e Fôlego - vide figura acima) e este complexo de, como digo, “ferramentas”, ainda circundado pelo desempenho psicológico do atleta. O que se exige do condicionamento físico durante a luta, depende diretamente do ritmo que se desenvolve, seja causado por nossa vontade ou por necessidade implantada por nosso oponente, que não nos deixa “sossegar”, por exemplo.
Para ficar mais claro, imaginemos um período de cinco ou sete minutos (muito comum para intermediários ou adiantados). O conhecimento de nossas condições gerais na oportunidade que estamos analisando é fundamental, pois ele pode definir nosso ritmo, ou então o ritmo que vamos aceitar. Se estou bem, se estou mal, etc. Dizem os peritos na matéria que atletas de alto nível só suportam uma solicitação máxima (muito próxima a 100%) por apenas 45 segundos.
Então isto já é a Primeira lição: Devemos evitar a todo custo lutar num ritmo em que estamos “puxando o máximo”, pois a volta ao chamado “ritmo de cruzeiro” pode ser fatal. Um desgaste além do limite pode provocar um descontrole psico-motor, a recuperação pode demorar demais e tudo ir por água abaixo. Imaginemos que conheçamos bem nossas condições e possamos dizer que, durante o período da luta, seria razoável manter um ritmo médio de 50% de nossa solicitação máxima, que já considero excelente. Quando lutamos por mais tempo, a média tende a diminuir.
A própria luta faz com que o ritmo se desenvolva, indo de 40 a “picos“ rápidos (cinco segundos, no máximo) de 80 ou 90%, provocado por uma investida mais audaciosa ou mesmo uma manobra de defesa mais forte necessária. Mas, o que acontece é que, quem ataca, como está com o controle das ações, tem um desgaste bem menor do que quem defende, que é obrigado a quase que permanecer numa faixa de solicitação de alto desgaste.
Daí, segunda lição: Quem dá o ritmo (quem ataca) tem melhores condições de controlar o “fôlego”, pois seu desgaste é menor, sem duvida.
Continuando, fica bem claro que, quem trabalha com técnicas de baixo consumo de energia, ou seja, de alto rendimento, também vai levar vantagem. Esta é a forma mais eficiente de enfrentarmos alguém com um fôlego como chamamos “olímpico”, que se dedica, que tem condições de ter um apoio profissional eficiente, etc. Posso testemunhar pessoalmente que isto funciona, pois, apesar de ter mais de 70 anos, consigo enfrentar sem problemas adversários jovens, bem mais fortes e pesados, com conhecimento, etc., que procuram imprimir na luta “aquele” ritmo. Depois do treino, ouço: “Mestre, o senhor está com um fôlego...”. E eu penso cá com meus botões: “Enganei mais um“, pois é claro que não posso ter este tal fôlego que ele falou.
Assim, terceira lição: É preciso se dedicar a escolher as técnicas e posições (tanto de defesa, como de ataque) de baixo consumo de energia que mais se adaptem ao meu jogo. Chamo a atenção que esta escolha é individual por excelência. Às vezes sou muito forte no braço, por exemplo, daí para mim qualquer posição que dependa daquela força desgastará menos do que se eu não fosse privilegiado neste item “força no braço”.
Finalmente, vivo defendendo que é preciso e fundamental conhecer nosso corpo e condicionamento físico, e assim estabelecer suas limitações e seus pontos de rendimento máximo. Observem que as diferenças entre os atletas da turma de alta performance cada vez diminuem mais, tudo está se decidindo nos detalhes. Se quisermos chegar lá, vamos começar agora. Se possível vamos nos socorrer com profissionais habilitados, se não pelo menos vejamos como atuam nossos companheiros mais experientes ou bem sucedidos.
É preciso parar para pensar, pois a Luta tem muito de “inteligência”.
Quarta lição: Conhecer ao máximo nosso corpo e condicionamento físico da ocasião.
O que vem a seguir se refere então ao rendimento do desempenho com as técnicas de luta propriamente ditas, ou seja, o conhecimento. Sempre reafirmo paradoxalmente que, “sem dúvida, quem treina muito fica treinado”, não significando dizer que aprendeu ou desenvolveu. Por vezes, lutadores são elogiados: “Fulano está muito bem, treina demais...”, se confundindo com “está desenvolvendo muito”, etc. A realidade é que o treinar mais ou menos é uma atividade facilmente mensurável, já o “desenvolver”, que praticamente só se avalia superficialmente pelos resultados, não é tão palpável. A avaliação real ou completa da evolução do nível de conhecimento e eficiência de um lutador envolve uma séria análise das circunstancia de cada combate, pela forte influência que o desempenho do adversário tem na condução daquela verificação.
Daí fica obvia uma quinta lição: Dar prioridade a aprender, pois treinar é muito bom, só que aprender é melhor.
Falando da “inteligência”, salta logo a idéia da estratégia a ser usada. Se uma estratégia correta é usada, eu aproveito melhor o que tenho de positivo, e exploro os pontos mais deficientes do adversário. A escolha da estratégia com certeza não é um assunto que se consiga abordar em poucas linhas ou até mesmo páginas. Breve, em outra crônica, abordarei com mais detalhes. Falando simplisticamente, seria fazer um plano geral para sua atuação, sempre com rotas alternativas. Para isto, seria necessário conhecer o adversário. “Vou tentar jogar por cima?”, “Vou me poupar no início?”, “Vou tentar “amarrar” a luta?”, “Vou trocar força?”, “Vou bloquear os pontos fortes dele, tais e tais”, “Vou jogar em contra-ataque?”, “Vale a pena economizar energia?”. São perguntas que precisam de respostas.
Então, sexta lição: É importante montar sua estratégia para a luta.
Teria imensa vontade de fazer um Seminário só para abordar este assunto, com uma platéia que interagisse muito e pudéssemos tirar sábias conclusões das idéias dos que estão com a “mão na massa“. Quem sabe? Quem estiver interessado entre em contato.
Finalmente uma última dica, já esperada por todos. Para que o rendimento não seja prejudicado, pois sem o necessário controle emocional até o “barco afunda”. Caso sintamos que existe algum descontrole, ou nervosismo exagerado e repetido, é preciso procurar uma ajuda profissional para resolver de uma vez por todas o problema. Vontade de vencer, expectativa, um pouco de tensão, aquela “adrenalina” que por vezes dá aquele “friozinho” na barriga, tudo dentro dos limites é normal e passa logo quando o arbitro ou quem comanda diz “Combate!”.
Sétima lição: O controle emocional é fundamental ao desempenho.
Sugiro que cada um faça uma auto-análise para ver quais os pontos abordados que podem ajudar mais. Eu sei que existem outros, mas estes que apresentei são importantes, com certeza. Entretanto, é preciso acreditar e levar a sério o que se recomenda, lembrando que não há milagres na Luta. Há muito esforço, obstinação, e, principalmente, dedicação. Nada se resolve com um estalar de dedos, é preciso ter paciência.
Esta matéria é especialmente dirigida aos que já tem algum conhecimento, se não entendeu tudo, releia, por favor.
Bons treinos, até a próxima. Roberto Leitão
PS: Uma noticia: Infelizmente, por problemas na editora, vão atrasar um pouco mais a publicação do nosso livro, agora marcada para Junho. |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:44 |
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A árvore da Luta-Livre |
Quando olhei a “arvore” que está na excelente revista TATAME deste mês fiquei contente vendo muitos amigos e velhos companheiros, mas também me perguntei “onde estão Fulano, Sicrano e Beltrano?”.
E eu que vivi aqueles tempos me indago também como foi possível naquela proposição X estar acima de Y? É, amigos leitores, acho que a modéstia de alguns, o trabalho em silêncio de outros, até alguma timidez, tiveram muita influencia. Mas, principalmente, fiquei triste com algumas colocações injustas, que tem que ser corrigidas. Exemplo: o Mestre João Ricardo, da Academia Budokan, meu mais fiel discípulo, não poderia de forma alguma estar abaixo da foto do Carlos Brunocilla, pois se um dia seu próprio pai Fausto Brunocilla, um dos pioneiros da Luta Livre, já falecido, o levou (ainda menor) a academia dizendo: “João, quero que você ensine ao meu filho Carlinhos”, e João procurou atender na medida do possível. Não se pode esquecer, entretanto, que Carlinhos, já conhecedor da Luta, anos depois teve o mérito de juntar em torno de si, durante algum tempo, atletas que, quando se tornaram independentes, fizeram e continuam fazendo um bom trabalho, mostrando uma grande dedicação a Luta Livre. Só que eu estava sendo precipitado, pois a foto do Brunocilla (Carlos, o filho) que aparece, foi colocada lá pela falta de uma foto do pai Fausto, conforme me esclareceram os autores da matéria. Acertando a cronologia, nova posição poderia ser dada para o Carlos.
Reconheço também a imensa dificuldade de se montar a “arvore” geral pela interferência de uma disciplina com as outras, causando uma séria dificuldade na representação gráfica. Também não podemos esquecer que a prioridade é dos formadores de campeões, e que nos primórdios havia pouquíssimas competições para deixar claro o desempenho de cada atleta. Finalmente, temos que entender que a arvore é essencialmente cronológica, apresentando em cada nível pessoas de uma mesma época.
Seria justo colocar assim, nos “galhos” mais altos pelo menos, Hugo Melo (ainda vivo em atividade ensinando Judô), ”Baianinho”, Regadas, Euclides Ratem (“Tatu”), Tenente Moises, ”Sinhozinho“ e, mais abaixo, não falando sobre qualidade, mas cronologicamente, “Setenta”, Ricardo Calmon, ”Alemão”, Adir de Oliveira “Índio”, Orlando Barradas e muitos outros.
É certo que eu compreendo a dificuldade prática que existe.
Já me perguntaram diversas vezes onde eu ficaria e eu sempre respondo: “Eu quero é ficar onde estou, nem precisa ser na arvore, ou seja, no tatame ou tapete, treinando normalmente com qualquer um e ensinando como venho fazendo nestes últimos cinqüenta anos”.
Servir a Luta é o meu lema, jamais me servir da Luta...
Qualquer um que pesquisar a história da Luta Livre no Brasil poderá definir minha posição, que evidentemente ficará, atendendo a um mínimo de coerência, com o nível dos outros de minha época ou especialmente de minha faixa etária. No meu modesto ponto de vista o que ficará definitivo em minha passagem na história da Luta Livre foi, sem dúvida, a introdução da “inteligência” na sua prática, característica que nunca abri mão e continuo a pregar.
Finalmente, sem querer me intrometer na área de outra disciplina, também não vi o Mestre do Jiu-Jitsu Oswaldo Fadda, que teve contato direto com os próprios introdutores do Jiu-Jitsu/Judo no Brasil desde o inicio, a semelhança dos pioneiros da família Gracie no norte do país. Por outro lado, o lendário lutador nordestino, Ivan Gomes, também já falecido, que eu trouxe para o Rio e que antes de se associar com o Mestre Carlson foi meu aluno por pouco mais de um ano, desenvolvendo seu chão, que naquela época era bastante limitado, está numa posição no mínimo estranha.
Feitas as devidas correções, esta arvore vai servir como uma referência, portanto, parabéns àqueles que enfrentaram este desafio de montá-la, pois mostra para as gerações que estão chegando um pouco da historia de muitos heróis anônimos que deve ser preservada.
Obrigado, bons treinos e Até a próxima. ROBERTO LEITÃO |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:43 |
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Não sei se quero esquecer... ou se quero me lembrar! |
Amigos do Portal do Vale Tudo,
É... Assim está difícil entender o que estou sentindo... Vamos ver se esclareço:
Nos idos da década de 60 (não consigo me situar exatamente), estava eu ainda dando aula na Engenharia da PUC-RJ e ocupava a outra metade da minha vida com a Luta. Havia em Recife um grande programa quinzenal de Vale-Tudo onde lutava preferencialmente a turma do Norte/Nordeste. E de lá surgiram grandes lutadores como o Ivan Gomes, que depois eu trouxe para o Rio e de onde partiu para uma carreira internacional; o Euclides Pereira, o único lutador que venceu em Salvador o grande campeão Carlson Gracie (morava ultimamente em Brasília e eu perdi o contato); o Hilário; o gigante “Pinheirão do Ceará” e muitos outros.
Vez por outra vinham lutadores de outros centros para enfrentar a prata da casa. Assim, Ivan enfrentou Carlson (empate, não havia pontos naquele combate, embora Ivan estivesse um pouco melhor, pois sempre derrubava) e Juarez Ferreira, com quem fez uma luta duríssima.
Em várias oportunidades coube a mim levar lutadores do Rio, como o “Borrachinha”, um verdadeiro campeão de 54 kg; Zé Carlos Caetano, o rei da guilhotina daquela época; o Teles; o grande “Senador” que ainda vive nas Minas Gerais; Joacy Galvão, que lutou com Euclides e muitos outros.
Num dia daqueles em cima da hora faltou um lutador...
Quis o destino que ele fosse da categoria de 70-75 kg. O empresário, desesperado - este era o termo - tinha 15 minutos para arranjar um substituto, já que a luta reserva já tinha ocorrido. Estava eu cuidando do meu lutador, que por sinal não era meu aluno, eu apenas o estava acompanhando, quando ele entrou esbaforido e perguntou direto: “Ei você, não quer ganhar um troco? Porque você não luta com o fulano? (um nome tipo Severino ou coisa parecida)”. Bem, naquela época eu pesava 64kg, se fosse uma luta de Judô, Jiu-jitsu, Luta Livre, Wrestling, Grappling, etc, acho que a resposta seria rápida, mas vale tudo? Minhas pernas tremeram, e começaram as perguntas: “Quem é o cara? Já lutou com quem? Treina onde? Quantos kg?”. Nessa altura eu queria até saber se ele tinha tomado vacina, se era católico praticante, torcedor do Náutico, se sabia dançar frevo, etc.
Enquanto houvesse perguntas sem respostas a dúvida continuava.
“Vou ou não vou?”
Me disseram então que ele era de uma academia local que eu visitava freqüentemente e dava um passeio até nos professores.
Aí eu cresci, “É, eu vou!”.
Me arranjaram um short - acho que tenho guardado até hoje, só que dava três de mim dentro - gentilmente cedido pelo lutador local “Bolão”, vocês podem imaginar... Era o único limpo.
Lá fui eu, estréia forçada.
Planejei: “Dou uma “baianada” (a avó do double-leg), passo a guarda e fim”. Será que tinham avisado ao tal Severino? O bicho seguramente não era nordestino, mais parecia um cigano forte. Já não gostei, e ainda por cima com o corpo brilhando.
Toca o gongo, lá fui eu. O cara quase levantou os braços como se estivesse me aguardando, e estava mesmo! Levei logo uma cotovelada e uma joelhada, e não consegui segurar. Mais uma tentativa e mais uma falha. Ele escorregava que nem quiabo. E tome soco, joelhada, etc.
Já com um olho fechado e o nariz sangrando, tive que me acalmar. Enrolei, enrolei e ele aguardava. O público vaiava e o juiz reclamava, “Combate! Luta!”. Afobado, tentei novamente, agora na cintura, e tome soco, joelhada e desta vez chutes também. Resultado: saí do ringue pelas cordas para me recuperar, já na intenção de não voltar. Enrolei novamente e felizmente acabou o round (5 de 4 minutos, se me lembro). No intervalo, quase em vias de desistir, olhei para baixo e vi o saudoso Waldemar Santana, o “Pantera Negra”, que venceu Helio Gracie numa luta memorável de mais de três horas, que estava junto do córner.
Me lembro das palavras dele: “Troca com ele garoto, mete a porrada!”.
Enquanto isto eu tentava convencer o meu segundo a jogar a toalha, mas ele não concordava.
Que situação.
Poderia estar dando minhas aulas de Mecânica tranquilamente lá na Gávea....
Bem, mas lá fui eu. Quem está na chuva é para se “queimar”, como falava o lendário Vicente Mateus, presidente do Corinthians.
O “bicho” me esperava de braços para o alto, novamente. “Deu certo, vou continuar”, deve ter pensado ele. Fingi que ia atacar as pernas e dei um soco direto no queixo dele, surpreendendo todo mundo. Quando eu penso, minha mão dói até hoje! Ele caiu e eu fui para cima, continuei batendo até o juiz me arrancar à força para terminar a luta. Quis agradecer ao Waldemar, mas ele tinha ido embora. Agradeci 10 anos depois no Rio de Janeiro, mas ele quase não se lembrava.
O meu amigo, o empresário Domingos Carrozini, que chegou um dia depois da luta, quando me viu no hotel perguntou espantado: “Leitão, o que houve? Você foi atropelado?”.
E a volta para casa? Olho roxo, beiço inchado, corte no supercílio com pontos, nariz também inchado, era o caos. Resultado: tive que adiar minha volta em uma semana, pois eu não poderia me apresentar daquele jeito. E na hora não teve como, tive que mentir e inventar outros motivos.
Aquela minha estréia ou despedida, não sei bem, foi terrível!
Lição: Entrou ali dentro, temos que respeitar!
É, agora vocês estão vendo como eu não sei se me esqueço ou se tenho vontade de me lembrar...
Até a próxima, um abraço para todos. Roberto Leitão
PS: Um recado para os que me perguntam: nosso livro “Biomecânica da Luta” deve sair aqui no Brasil dentro de três meses. |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:42 |
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Coisas de antigamente |
Era mais uma daquelas segundas-feiras incríveis, quando a TV Continental apresentava o programa “Heróis do Ringue”. Alguns transmitidos diretamente do Carioca Esporte Clube no Jardim Botânico, outros do Ginásio do Flamengo na Gávea, e alguns na sede do América FC, na rua Campo Sales, todos no Rio de Janeiro.
Este caso, se me lembro bem, foi no América, já então com a direção do empresário Domingos Carrozzine, que substituiu o Prof. Helio Gracie e seus comandados na produção do programa. O programa começava às 21hs e terminava normalmente por volta das 23hs, causando quase sempre reclamação do saudoso Professor Gilson Amado, que entrava logo depois com o seu programa educativo “Universidade sem paredes”. Eu sempre tentava justificar os atrasos e ainda dizia: “Professor, eu acho que nós estamos entregando uma audiência razoável, é só o sr. segurar”. Daí nasceu uma boa amizade, que culminou com meu trabalho na engenharia da Fundação da TV Educativa. Gilson realmente não gostava do que nós fazíamos e não entendia como eu, um professor universitário, especialmente da PUC-RJ, poderia estar metido ali. E eu realmente estava até o pescoço...
Enfim, pelo menos conseguimos conviver e nosso programa continuou sendo um sucesso de audiência.
Naquele dia, lutava mais um atleta da Academia Gracie contra um lutador de uma das muitas academias do subúrbio, que nesta fase participavam do programa. Tínhamos que reconhecer que o Sr. Carrozzine, bonachão com seus 140kg, era o oposto do Professor Hélio Gracie, sempre disciplinado, e havia aberto as portas para todos que quisessem participar.
Antes da luta, nas regras da chamada “Luta Livre Americana”, o verdadeiro Vale Tudo, quase sem restrições, o Carlson Gracie, maior lutador daquela geração de heróis, então instruía seu pupilo passando a regra adotada para 80% das lutas daquele tempo: “Fulano, você finta, dá uma “baianada” (que era o nome dado ao precursor do “double leg” do Wrestling ou ao Morote-gari do Judô em homenagem a Waldemar Santana, lutador baiano que vivia atacando as pernas) e bota ele no chão. Daí você passa logo a guarda, coloca o joelho na barriga e não para de bater até ele desistir. Entendido? Entendido?!!!”.
Naquela época, a receita funcionava 100%, pois ninguém conhecia o “sprawl”. E não deu outra, o lutador fez exatamente o que o Mestre Carlson mandou e em segundos estava ele massacrando seu oponente com poderosos socos no rosto, com a mão livre, sem luvas, como era costume então. Logo o outro rapaz desistiu, e o juiz (se não me falha a memória o “careca” Jaime Ferreira, com sua voz de trovão) suspendeu a luta e declarou vencedor o atleta da Gracie. O perdedor, que era muito valente, saiu coberto de hematomas e cortes, e pior, sabendo que não receberia nenhum tostão furado, pois a luta era com bolsa total ao vencedor, coisa muito comum naquela época.
No dia seguinte, o lutador vencedor, que também era de família então modesta, foi ao escritório do empresário receber o que havia sido contratado. A quantia de Cr$ 1500,00, que na realidade era bem pouco, mas estava sendo esperada ansiosamente pela mãe do atleta, como ele lhe havia prometido. Quando o lutador estava recebendo o dinheiro, se deparou com uma jovem senhora com filhos pequenos que se identificou: “Eu sou a esposa do “sicrano”, que lutou ontem à noite”, e continuou, “Olhe moço, meu marido é pedreiro, nós vivemos com muita dificuldade, ele está todo machucado, não pode trabalhar e nós não temos dinheiro para comprar os remédios que o médico receitou”. Aquilo calou fundo no coração do vencedor, que perguntou então: “Quanto a senhora precisa para os remédios?”. A resposta veio pronta: “Cr$ 1500,00!”. Estupefato, o lutador (meu amigo de muitos anos, que agora revelo) disse: “Sr. Carrozzine, dê o dinheiro para ela”, e assim foi feito. Como ele depois se justificou com a mãe dele, que esperava aquele dinheirinho, eu até hoje não sei.
Sabem quem era o lutador? Osvaldo Gomes da Rosa, o nosso querido “PAQUETÁ”, que é o mestre das filmagens, conhecido como o arquivo vivo do mundo das lutas, que tenho a honra de ser amigo.
São coisas da turma antiga que precisam ser lembradas e servir de exemplo.
Amigo “Paquetá”, parabéns! Quarenta anos atrasados.
Até a próxima, Roberto Leitão |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:41 |
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Viva a nossa Luta Olimpica |
Tive a feliz oportunidade de acompanhar nossa participação nos Jogos Panamericanos e tenho estado junto desde os primórdios, quando com dois amigos que já se foram, Adyr de Oliveira “Índio” e Orlando Barradas, em 1979 introduzimos no Brasil esta modalidade, fundando no Rio de Janeiro a primeira Federação de Luta Olímpica, que tive a honra de presidir. Nós três tínhamos certeza pelo espírito guerreiro do brasileiro que a Luta se desenvolveria. Sabíamos que a batalha seria muito grande, pois estávamos saindo com um atraso de mais de 50 anos! Naquela época, Peru, Venezuela e Argentina já praticavam a Luta há mais de 25 anos. Foi realmente uma verdadeira epopéia, mas fomos ganhando nosso espaço, ainda sem recursos, com poucos praticantes, etc.
O primeiro evento que nos deu maior visibilidade foi, sem dúvida, a medalha de prata no Pan de Indianápolis em 1987, conquistada pelo atual Diretor Técnico da nossa Confederação (CBLA), Beto Leitão Filho, quando atleta.
Hoje, 20 anos depois, nossa participação no Pan 2007, apesar das contusões inesperadas de atletas em que depositávamos nossas maiores esperanças de medalhas, foi uma boa participação. As três medalhas que conquistamos vieram coroar um excelente trabalho da atual administração da CBLA, sempre incansável, reconhecido até pelas entidades internacionais (FILA, CPLA etc). Nossos adversários são unânimes em reconhecer o desenvolvimento da Luta Olímpica no Brasil nestes últimos anos. Hoje, nossos atletas lutadores oferecem perigo a quaisquer adversários, sendo respeitados por isto, e nossos treinadores e técnicos estão atualizados e tem conceito internacional muito bom.
Parabéns a CBLA e seus colaboradores pela primorosa organização, exemplo para qualquer centro adiantado do mundo e especialmente parabéns aos atletas pelo seu desempenho. Todos não mediram esforços, abrindo mão de suas atividades normais, se dedicando com uma tenacidade nunca vista. Foi muito emocionante acompanhar. Agora, falando especificamente da atuação, estive conversando com americanos e cubanos, as grande forças da competição (talvez quem ouviu nossos comentários na TV, nas poucas oportunidades que tivemos, se lembre), ressalto que uma lição fica clara: Os atletas de ponta, quando atacados não fazem um procedimento de defesa, eles sempre fazem um contra-ataque. É muito importante levar isto em conta e lembrar que é preciso muito treino e confiança, pois por vezes o procedimento representa um movimento de risco.
Um pouco sobre os caminhos a seguir: Vimos que em todas as entrevistas os atletas sempre se queixam da necessidade de maior apoio, especialmente das empresas, falam muito também de “intercambio”, viagens e participação em competições, etc. Tudo muito importante, especialmente para um grupo seleto. Só que o mais importante quase todos esquecem: É preciso “massificar” nosso esporte, angariar mais adeptos, iniciando a prática entre as crianças e jovens. Este é o segredo dos grandes centros. Simplificando, não é possível competir de igual para igual com um país com mais de 150 mil atletas federados como os Estados Unidos, por exemplo. Porque a antiga URRS era uma potência? (Ainda é, mesmo dividida em dez partes) Resposta: mais de 1,3 milhões de atletas federados!
Precisamos ter 20 “Antoines”, 30 Luizinhos, 50 Felipes, 40 Zanzas, etc. Este é o caminho, e nós temos condições. Vejam a dupla do kimono (judô/jiu-jitsu) como se desenvolveu através da prática infanto-juvenil. É um bom exemplo.
Portanto vamos divulgar e ajudar a atingir esta meta em todo Brasil.
Repararam como nossa seleção tem atletas do Norte, do Sul, etc, saindo do tradicional eixo Rio-São Paulo? Isto é muito bom e facilita.
Voltando ao Pan, todos ficaram surpreendidos como os atletas da Republica Dominicana evoluíram depois do Pan de Santo Domingo. Agora é a nossa vez!
Até a próxima, (embora atrasadas), Saudações Pan-americanas, Roberto Leitão |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:41 |
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A luta está no sangue dos grandes campeões |
Não posso deixar de me manifestar, lendo as mais diversas opiniões sobre a ultima luta do amigo que muito admiro, o lutador Marco Ruas. Preliminarmente, é preciso lembrar que a obrigação de um LUTADOR é LUTAR, dando o máximo de si. Marco sempre cumpriu e vai continuar cumprindo o seu papel. Vencer ou perder é uma contingência. Todos buscam a vitória e os fãs e amigos torcem para que ela ocorra. Não há nada que impeça que um lutador lute, perca e continue lutando bravamente, mesmo que novas derrotas venham.
Vencer é quase sempre bem mais fácil do que conviver com a derrota. Existem grandes nomes do mundo das lutas que se valorizaram pelas derrotas, às vezes mais do que com as vitórias. Um exemplo maravilhoso é o lendário Mestre Helio Gracie, por quem tenho muito apreço. Os mais antigos vão se lembrar em primeiro lugar de suas lutas com o campeão mundial Kimura e com Waldemar Santana, exatamente onde a vitória não lhe sorriu.
Falando especificamente da luta do Marco contra o Alexander Otsuka no Pride 4, esclareço que eu estava lá, como nos combates do UFC, ajudando no corner. Foi um sério problema de saúde (que logo foi confirmado e felizmente resolvido) que reduziu drasticamente naquela oportunidade a condição física dele. Percebendo, eu havia pedido ao Marco que não voltasse no primeiro round, mas ele, como um guerreiro que sempre foi, decidiu voltar, mesmo sabendo o que iria acontecer. Naquele dia ele arriscou profundamente sua integridade física, pela missão de lutar.
Hoje temos que valorizar também a atuação do Maurice Smith, grande lutador e desportista, que ganhando ou perdendo cumpriu sua missão. Estes são os exemplos que temos que seguir.
Se Marco ou Maurice quiserem lutar outras vezes não vão me surpreender, pois sei que a Luta está no sangue deles e com certeza cumprirão magnificamente o seu papel em quaisquer circunstancias e não serei eu que direi: Chega Marco! Pare Maurice!
Um abraço Roberto Leitão |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:39 |
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Princípio do 10/90 |
Prezados leitores,
Vocês não podem nem de longe imaginar a felicidade que senti quando tomei consciência da repercussão de nossa ultima matéria aqui na coluna, quando abordei a importância de continuar treinando. Não é sempre que, para uma comunidade onde quase todos são de praticantes ou aficionados de luta, qualquer assunto a não ser específico consiga chamar atenção. Mas podem ter certeza que a intenção foi boa e meu objetivo foi atingido.
Gostaria de poder agradecer pessoalmente a cada um, fazendo uma das coisas que mais me gratifica na vida, recebê-los no meu treino e dar um “rolinha” onde seguramente teria a oportunidade de mostrar alguma posição interessante, trocar alguma idéia e, como sempre, aprender também. Esta troca é tudo de bom.
Como fisicamente a proposição é impossível, vou tentar agradecer a vocês de outra maneira, mostrando alguma coisa, desta vez no sentido contrário, quando a vida pode servir de exemplo, ou melhor, mostrar um caminho a seguir na LUTA. Espero que seja útil.
Peço a vocês um pouco de paciência, prometendo que na próxima o assunto direto vai ser sobre posições, pegadas, etc. Por favor, sugiram temas ou façam perguntas, pois terei imenso prazer em responder na medida do possível.
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É impressionante como cada vez mais eu percebo como a vida se parece com a Luta e vice-versa. Portanto, é válido tentar usar a experiência que adquirimos numa para a outra. O único problema é saber observar e definir a oportunidade. A migração é em duas vias.
No outro dia tive a oportunidade de ler um texto do renomado Stephen Covey*, em que ele explicava que 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, e os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você. O que isto quer dizer? Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede. Não podemos evitar que o carro enguice, que o ônibus atrase, que o sinal fique no vermelho, que nosso time perca, etc. Mas pelo menos você é que determinará os outros 90%. Como? Com sua reação.
Vou então repetir a “historinha” montada por ele para exemplificar a situação:
Nosso personagem está tomando o café da manhã com a família. Sua filha, ao pegar a xícara, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho. Ele não tem controle sobre isto. O que acontecerá em seguida será determinado pela reação dele. Então, ele se irrita, repreende severamente a filha e ela começa a chorar. Continuando, censura a esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa. E tem prosseguimento uma batalha verbal. Contrariado e resmungando, ele vai mudar de camisa. Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola. A esposa vai para o trabalho, também contrariada. Daí ele não vê outra alternativa do que levar a filha, de carro, para a escola. Como está atrasado, ele dirige em alta velocidade e é multado. Depois de 15 minutos de atraso, uma discussão com o guarda de trânsito e uma multa, eles chegam à escola, onde a filha entra, sem se despedir dele. Ao chegar atrasado ao escritório, nosso personagem percebe que esqueceu sua maleta. O dia dele começou mal e parece que ficará pior. Ele fica então ansioso para o dia acabar e, quando chega em casa, sua esposa e sua filha estão de cara fechada, em silêncio e frias com ele. Por quê? Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.
Pense então: Por que o dia dele foi tão ruim? A) por causa do café? B) por causa de sua filha? C) por causa de sua esposa? D) por causa da multa de trânsito? E) por causa dele mesmo?
A resposta correta é a E.
Ele não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo como ele reagiu naqueles cinco minutos foi o que deixou seu dia ruim.
O café cai na camisa dele. Sua filha começa a chorar. Então, ele diz a ela, gentilmente: "está bem, querida, você só precisa ter mais cuidado". Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, ele volta, olha pela janela e vê a filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui, dando adeus com a mão.
Certamente vocês notaram a diferença. Foram duas situações iguais que terminaram de forma diferente, porque os tais 90% foram determinados pela reação dele.
Na LUTA a situação é semelhante, apenas uma pequena parcela do que acontece independe de nós (10%), ou seja, nada podemos fazer para evitar que ela aconteça.
Agora, a nossa reação a aquilo que inevitavelmente acontece, esta sim, depende quase que exclusivamente de nós e é uma parcela muito significativa (90%).
Vejamos então na prática:
Vamos imaginar que estamos lutando e nosso adversário passa nossa guarda e atravessa para a posição lateral. Ora, fizemos o que foi possível (será mesmo?), mas ele foi superior, é mais habilitado, está em melhores condições, etc. Ai cabe analisar se o que aconteceu faz parte dos tais 10% que não podemos modificar. Se assim é, vamos nos dedicar a cuidar de nossa reação, dentro dos 90%, evitando que a situação se agrave e tornando o que aconteceu (a passagem de guarda) um evento normal no desenvolvimento da Luta.
Preliminarmente vamos nos conscientizar que a situação está sob controle, o que nos ajudará muito. A seguir, vamos planejar nossa reação. Como prioridade evitar a todo custo que ele evolua na posição, ou seja, nos coloque em perigo atacando nosso braço, nosso pescoço, etc. Ele pode ficar (por enquanto) ali, mas é só. Para isto preciso estar atento a qualquer tentativa dele e, portanto, conhecer com detalhe o que seria possível fazer. No caso, a palavra de ordem seria “antecipar”. Uma defesa inteligente e eficiente provoca um certo estrago no “moral” do adversário, porque ele vê seu intento frustrado e se desanima, ou então (o melhor para nós), passa a atacar atabalhoadamente, tentando nos atropelar de qualquer maneira.
Ai então é que passamos para a segunda fase aproveitando a oportunidade de um certo descontrole dele, para sair de baixo, com segurança. Como vimos, administrar bem a ocorrência que não conseguimos evitar ou que aconteceria de qualquer maneira é muitíssimo importante. Não saber administrar seria, por exemplo, tentar sair na explosão jogando o adversário por cima e não conseguir (mais provável) ou tentar refazer a guarda, colocando o joelho e ser atacado no pé/calcanhar. Ou ainda permitir uma montada. Tudo isto faz parte dos 90% que certamente podemos evitar.
Ficou claro que nossa história pode ter duas vertentes diferentes, uma trágica, depois da passagem da guarda uma situação insustentável. A outra tranqüila, depois da mesma passagem de guarda uma continuidade normal dentro da Luta.
Uma outra situação que também serviria de exemplo seria: Estamos enfrentando um wrestler de alto nível, o que significa dizer que não vai ser possível impedir que ele nos derrube. Então ai estão então outra vez os tais 10% (que não depende de nós). Vamos procurar digerir bem este problema e fazer com que não haja conseqüências incontornáveis. Se o ataque foi de “double leg” frontal, vamos fazer nossa guarda de pernas. Se foi um “single leg”, quem sabe uma guilhotina? E assim por diante.
Nossa reação ao inevitável é o que interessa. Ou seja, o mais importante, o que temos que dar prioridade nos dedicando ao máximo.
Vamos tentar durante apenas uma semana cuidar especialmente de nossas reações. Se elas forem aprimoradas, seguramente nosso rendimento será melhor. Quando melhoramos um pouco, por menos que seja (10% ou coisa parecida) vai fazer diferença ! (especialmente com nossos adversário duros...) Me dêem um voto de confiança, E X P E R I M E N T E M !!! , e depois me contem...
*Quem é o Dr. Stephen Covey: Mais de 15 milhões de livros vendidos em todo o mundo em 39 línguas. Considerado entre as 25 personalidades mais influentes nos EEUU. Aborda com grande dose de humanismo o marketing, a comunicação, o comportamento e os caminhos para o sucesso.
Um abraço para todos, Roberto Leitão |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:38 |
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Jamais abandone a prática da luta! |
Outro dia fazendo uma reflexão sobre o crescimento da prática da luta como um todo, e fiquei impressionado e triste com o número de pessoas que por um motivo ou outro abandona sua prática. Será que eles não observaram os imensos benefícios que ela trás ? Eu, por minha parte, não abro mão dela, em hipótese nenhuma.
Fora a parte física evidente (qualquer atividade física coerente é fundamental a saúde), outra coisa que não me deixa abandonar a pratica da luta é, como vivo alardeando, a imensa ajuda e o exemplo que ela me dá para minha própria vida, na medida em que os anos vão passando. Ninguém está imune a um acontecimento imprevisto que pode virar o cotidiano de sua vida de cabeça para baixo. Eu estava tranqüilo, confiante, olhando o mundo de cima para baixo sem, nem de leve, imaginar o que iria ocorrer. De repente aqui estou eu, sem acreditar no que aconteceu, como se tivesse sido atropelado por uma carreta, deixando os outros estupefatos, com minha vida completamente modificada.
E agora, como vai ser? A situação, fazendo uma analogia, seria como se, faltando um minuto para acabar a luta que estou vencendo, eu com uma firme “montada” em um adversário dominado, sou de repente empurrado para trás, não consigo resistir e o oponente, além de sair de baixo, me ataca encaixando uma chave de calcanhar quase que indefensável...
Já imaginaram que pensamentos passariam na minha cabeça naquele segundo?
No caso seria até normal, dado meus cuidados habituais, que eu chegasse antes a considerar que o adversário pudesse reverter a luta, me colocando para baixo. Ali, naquele instante eu faria a defesa de pernas com a guarda fechada e aguardaria tranqüilo o termino da luta. Pensaria eu, “Ele pode até me virar, mas... é só...”. Imaginar em continuidade, o enorme risco da chave de calcanhar, realmente não caberia nos meus planos, portanto fui muito surpreendido. Se eventualmente a situação me fez perdedor ,seguramente serei quase que execrado pelos técnicos de plantão. “Você não viu isto ?”, “Não fez aquilo ?”, “Eu faria assim, assado”, “Porque que você não...”, etc. Realmente seria muito difícil suportar as criticas, embora uma pequena parcela possa ser atribuída pelos críticos à boa atuação do adversário.
Na vida, então o problema seria maior, porque ali a palavra de ordem seria culpa, e você seria o acusado. Ninguém credita os acontecimentos ao fortuito. Tanto existe uma loteria que nós todos vivemos atrás dos seus prêmios milionários, como existe uma loteria invertida (do infortúnio, da má sorte), que jamais imaginaríamos ser contemplados e que o “bilhete” vive sendo colocado no nosso bolso, quer queiramos ou não.
A vida é cheia de surpresas , mas a luta me preparou para as surpresas. Pelo menos na vida, em nenhum momento por pior que fosse, me desesperei (como na luta); em nenhum instante deixei de vislumbrar uma solução viável para a aquela difícil situação (como na luta), e continuei sempre lutando sem esmorecer. Com certeza devo muito à luta, ela me retribui permanentemente minha dedicação, cada vez mais, tanto na parte externa (saúde corporal), como especialmente na parte interna (saúde mental). Portanto continuar lutando, é um imperativo e uma dádiva, que não podemos abrir mão.
Como é fácil compreender, cada vez mais estamos vulneráveis a acontecimentos indesejados para os quais nem sempre estamos preparados. O idoso, especialmente, tem que utilizar o que de melhor tem, adquirido com a chegada do ocaso da vida, sua experiência, sua percepção e seu bom senso. Quando na luta não for mais possível contornar o problema, resta ter a coragem maior de reconhecer a superioridade do adversário minimizando a situação, protegendo com cautela nossa integridade física e aguardando (conformado) o próximo treino e o mais importante: tirando alguma lição do ocorrido.
Eu, com a chegada dos 70 anos, já antevejo minha situação e sei que para mim não será fácil. Tenho consciência que muito poucos tiveram a oportunidade de chegar onde cheguei e principalmente “como cheguei”. Fico esmiuçando tudo que pode significar uma economia de força e energia para delongar minha incontrolável descendente. Por outro lado, no dia a dia todas as situações vão sendo contornadas, graças aqueles anos e anos (mais de 50) em que estive submetido aos percalços da luta e não esmoreci.
Obrigado Senhor, obrigado meus companheiros pelo que me proporcionaram.
“O homem para ser completo tem que estudar, trabalhar e lutar” Sócrates, 430 a.C.
Um abraço a todos e até a próxima Roberto Leitão |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:38 |
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E agora? |
Nos idos dos anos 60, todos os meses haviam eventos de Vale Tudo no Nordeste e, sem dúvida, eram sensacionais. Lá surgiram o lendário Ivan Gomes e Euclides Pereira (único que venceu na Bahia o maior lutador de todos os tempos, Carlson Gracie), além de Pinheirão, Hilário, Ciganinho e muitos outros.
Os combates não primavam pela técnica, mas o empenho era garantido. Qualquer tipo de “moleza” o publico se encarregava de castigar os lutadores. Primeiro vaiando e depois, acreditem, botavam os lutadores para correr...
Naquela época, desistir? Nem pensar! O “macho” jamais “bateria”.
Os participantes, ditos profissionais, antes de tudo eram vidrados por luta. Assim, os lutadores precisavam de um mecanismo que avisasse ao “córner” ou ao “segundo” para jogar a toalha em caso de emergência, só que quando acontecia, faziam aquele teatrinho, reclamando que não desistiu, que queria continuar etc.
Na época o plano era - sem o “sprawl” que qualquer lutador faz hoje - “baianar”, passar a guarda, montar e ...fim!
Bem, um dia um lutador sofreu uma queda e seu adversário se aproveitou e na montada iniciou o “massacre”. Antes que ele desse o tal sinal, talvez com os pés (não sei) o segundo achou que deveria proteger seu pupilo, interrompendo o massacre e a luta. Como não tinha uma toalha jogou em direção ao ringue um pano menos encorpado que encontrou. Só que o fez como se atirasse um disco e como ventava muito o pano abriu e demorou uns poucos segundos para cair no ringue. Exatamente nestes segundos o lutador que sofria o massacre reverteu a posição, caindo na guarda do outro e iniciando um ataque avassalador. Ao se deparar com o pano no ringue o juiz parou a luta e perguntou de quem era o pano.
E agora?
O tal segundo, vendo a confusão em que se meteu, sumiu, com medo do publico e especialmente do pupilo.
O final exato eu não soube no dia, mas o fato é que o espetáculo ficou suspenso por mais de uma hora com o publico impaciente querendo invadir o espaço reservado.
Alguns anos depois encontrei com o grande lutador pernambucano Ivan Gomes, hoje falecido, não resisti e perguntei, ele então me confirmou que os jurados saíram pela tangente e deram um honroso empate.
São dezenas de história e fatos interessantes, quase folclóricos que aconteceram nestes últimos quarenta anos e que precisam ser lembrados.
Quem tiver algum, por favor escreva para a coluna.
Agradeço antecipadamente.
Até a próxima, Roberto Leitão |
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Mestre Roberto Leitão | 26/09/2008 - 13:37 |
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ROBERTO LEITÃO, o Mestre Leitão, é engenheiro, formado pela PUC-RJ, onde foi professor de Mecânica Aplicada, com mais de 50 anos dedicados à pesquisa, estudo e ensino da LUTA, uma das paixões de sua vida. Foi um dos introdutores da Luta Olímpica no Brasil. Considerado pela comunidade mundial como um dos maiores conhecedores da Luta Livre Tradicional (Submission ), com trabalhos divulgados em todo mundo. Criador dos “Princípios Básicos” que coloca em prática até hoje em seus treinos diários, apesar de mais de 70 anos. Comentou para a TV Globo a Luta Olímpica nos Jogos Olímpicos. Autor do livro "Bio-Mecânica da Luta", ainda no prelo. |
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