É o fim dos dias, camaradas! Após uma semana de folga devido ao feriado americano do Dia de Ação de Graças, volto para tabular os eventos dos dois últimos episódios da oitava temporada do Ultimate Fighter. Após as boas lutas, as lutas feias, as peripécias alimentícias e a bebedeira generalizada, a linha de chegada está logo ali, e os atletas no páreo lutarão hoje por suas vagas nas finais!
Dando início à maratona de hoje, revemos as vitórias mais recentes de Ryan Bader (nocauteando Tom Lawlor com um verdadeiro míssil no ground ‘n’ pound), Eliot Marshall (dominando Shane Primm no chão e encaixando um mata-leão rápido), Phillipe Nover (finalizando o Dave “Queixo de Aço” Kaplan) e George Roop (vencendo uma decisão discutível após dois rounds).
Bader é o único representante da Equipe Nogueira nas semifinais dos meio pesados, mas também é o favorito. Bader abrirá as semifinais com sua luta contra Eliot Marshall. O Bader acha que o Eliot não tem raça e coração suficientes para vencer. Faz sentido, já que ele não demonstrou aquele “sangue nos olhos” que gostamos de ver. Eliot teve uma ótima apresentação em sua última luta quando conseguiu derrubar e ficar por cima, mas não mostrou que sabe lidar bem com situações difíceis. Minotauro diz que Bader é melhor tanto em pé quanto no wrestling, e para dar um gostinho da técnica do Bader na trocação, vemos o próprio Minota (raçudo e sem capacete) fazendo luvas com o Bader! Grande momento, e de fato o Bader mostra muita força e explosão. Não vejo muita técnica defensiva na movimentação do Bader, mas o cara bate forte e certamente tem golpes precisos.
Eliot não se ilude, e sabe que é o azarão na luta, mas está bem confiante. Ele gosta de desafios mesmo, e quer pegar o favorito da competição logo de cara. Frank Mir acha que é uma ótima luta para o Eliot por causa dos estilos, pois imagina que Bader não tentará derrubá-lo para evitar o jiu-jitsu afiado do Eliot. Ganhando pontos comigo, Eliot declara seu amor pela Arte Suave, afirmando que o jiu-jitsu é a melhor arte marcial. Quando parar de lutar profissionalmente, Eliot planeja abrir sua própria academia de jiu-jitsu. “De acordo com o modo operacional ensinado pelo wrestling, quando nos deparamos com uma parede na vida, precisamos nos esforçar e empurrar cada vez mais forte para derrubá-la. A vida não é assim. Quando nos deparamos com uma parede, precisamos encontrar uma brecha ou uma porta para passar por ela, e o jiu-jitsu é isso. O jiu-jitsu nos ensina a encontrar essa porta aberta.” Muito bem explicado, embora eu não concorde inteiramente com a análise dele sobre o wrestling. Embora seja uma tradição diferente do judô ou do jiu-jitsu, há muita técnica no wrestling também. Não é pura força bruta, como muitos imaginam. Enfim, concordo basicamente com o cara, então não elaborarei demais.
No dia da luta, Bader parece bem mais relaxado, enquanto Eliot mal consegue conter sua energia. Devido à vantagem clara no wrestling, Bader diz que a vantagem é dele, pois pode escolher onde a luta desenvolverá. Eliot concorda com essa análise básica da luta, mas dá sua interpretação pertinente: “Sou melhor do que ele em pé e no chão, então ele pode escolher onde vai perder.” Bader dá a impressão que chegou na luta no clima de “já ganhei”, pois diz que está ansioso para chegar na final e ansioso para ganhar, mas está bem focado. “Eliot é um obstáculo no meu caminho, tentando me empurrar de volta à minha vidinha e meu trabalho maçante. Não deixarei que isso aconteça.”
Agora que estamos nas semifinais, as lutas terão três rounds. Vamos à luta entre o especialista de jiu-jitsu Eliot Marshall (5-1) e o wrestler Ryan Bader (7-0)!
Bader começa com chutes fortes na perna e Eliot recua após uns bons socos. Bader não é muito agressivo na trocação, mas tem força o bastante para deixar Eliot receoso mesmo com golpes simples. Ou será que não? Pouco depois, Eliot tenta um chute alto que Bader bloqueia, e Minotauro aconselha Bader a partir pro ataque e manter a pressão, sem deixar Eliot controlar o ritmo. Do jeito que o Bader avança, dá para ver que ele tem técnica de boxe, mas fica com medo de ser derrubado e volta à defensiva pouco depois de qualquer golpe ou combinação. Isso ficou claro após uma boa sequência onde Bader encurralou Eliot, mas deixou-o sozinho na grade ao invés de atacar. Eliot acerta um bom direto, e parece que isso dá uma acordada no Bader, que revida com socos fortes pouco depois. Bader tem um cruzado de direita fortíssimo, mas ainda não conectou porque está telegrafando o soco, sem variar os golpes.
A luta continua meio morna até Eliot tentar um chute no corpo que Ryan defende bem, e pega a perna do Eliot, conseguindo a derrubada. Eliot imediatamente joga a perna pra cima para controlar o braço direito e a postura do Bader, que empurra-o para a grade. Bader acerta socos curtos e aproveita algumas cotoveladas, mas há pouco espaço para trabalhar o ground ‘n’ pound, acertando só um soco forte de cada vez. Eliot mantém uma boa guarda, mas fica passivo demais. Ele não tenta bater muito por baixo, concentrando-se só no jiu-jitsu. Mir fica frustrado com a passividade do Eliot por baixo, e Bader continua o ground ‘n’ pound controlado. Minotauro continua instruindo Bader, mandando-o continuar na guarda, sem deixar que o Eliot empurre o braço esquerdo dele. Faltando trinta segundos no round, Ryan tenta se levantar para acertar golpes mais fortes, mas Eliot arrasta-o de volta ao chão e tranca o cadeado de sua guarda ainda mais. O round termina com Bader levantando e acertando bons socos diretos no Eliot no ground ‘n’ pound. Round meio burocrático, com Bader claramente controlando a ação, mas receoso demais por causa do jiu-jitsu do Eliot. O wrestler não quer se expor, e o lutador de jiu-jitsu não conseguiu encontrar ou criar uma brecha.
Os dois começam o segundo round mais energizados, e Bader avança com socos enquanto Eliot acerta chutes! Não! É mentira! Dez segundos depois, os dois recuperam a distância e voltam ao marasmo da trocação do primeiro round. Bader logo bloqueia outro chute do Eliot e consegue o clinch, levando a um belo takedown que coloca-o na guarda novamente. Bader repete a estratégia do primeiro round, levando Eliot à grade para não dar espaço para finalizações. Mir implora ao Eliot para botar pressão, já que o Bader está só “abraçando” ele. Eliot até tenta melhorar sua posição empurrando a grade com as pernas, mas não vai longe. Bader controla a luta por cima, e de vez em quando simula um ground ‘n’ pound. É doloroso ver o Bader só tentando controlar os braços do Eliot ao invés de atacar, mas se o Eliot não consegue escapar, fazer o quê? Bader acerta um boa cotovelada e Eliot aproveita a brecha para criar distância na guarda e controlar o braço do Bader, tentando uma finalização. Porém, Bader dá um fim a essa brincadeira levantando Eliot e derrubando-o no chão rapidamente. Eliot parece que busca kimuras e omoplatas, mas sem sucesso. Ele não se dedica o bastante às tentativas de finalização. Tenho colegas que chamariam isso de “tentativas de tentativas de finalização”. Eliot só pensa em tentar finalizações, ao invés de pensar nas finalizações em si. Só quer assustar o Bader, e se a finalização aparecer no caminho, aí pode ser.
Finalmente, o bondoso árbitro Josh Rosenthal tem piedade dos telespectadores e levanta os lutadores faltando 1:45 no segundo round. Após uma breve troca de socos, Bader leva Eliot ao chão mais uma vez com um double leg takedown, e dessa vez avança para a meia guarda. Eliot consegue recuperar a guarda, mas Bader continua controlando a luta. Familiar, não é? Bader acerta bons golpes, mas é só o bastante para pontuar enquanto o round termina.
A esta altura, lamento o fato das semifinais serem três rounds, mas é tarde demais para mudar de idéia. Vamos ao terceiro round. Eliot avança com bons golpes, mas assim que Bader se recupera, ele derruba Eliot com facilidade. Será que Eliot encaixará uma finalização dessa vez? Será que Bader aplicará um ground ‘n’ pound mais conclusivo no terceiro round? Após um minuto de socos curtos e controle de braço, parece que a resposta será “não” a ambas as perguntas.
Porém, Eliot me surpreende girando para tentar uma chave de perna, que Bader defende meio no sprawl e meio com a ajuda das mão na grade. Mir fica possesso, e pede ao Eliot para repetir a tentativa, porque se Bader agarrar a grade novamente, perderá um ponto. Bader continua mantendo a cabeça baixa e acertando soquinhos, e o Rosenthal levanta os lutadores aos 3:25. Bader entra com um gancho de direita que abre espaço para mais um takedown, voltando à guarda do Eliot. Lá vamos nós de novo. Eliot agarra o braço direito do Bader para uma tentativa de kimura, mas o Darth Bader usa a força para erguer Eliot novamente, derrubando-o e voltando à posição neutra na guarda. Mir grita: “Levante-os! Isso está chato pra caralho!” Por mais que eu concorde, Eliot é parte da causa. Por que o Mir não grita com ele também? Garanto que se Eliot estivesse por cima usando a mesma estratégia, Mir não reclamaria. Enfim, parece que o Rosenthal concorda com o Mir, pois ele levanta os lutadores mais uma vez, faltando 1:15 de luta. Mir quer um nocaute, mas Bader abaixa-se durante um chute meia-boca do Eliot e derruba-o pela última vez (espero). Eliot parece bem cansado, e Bader avança para a meia guarda enquanto Eliot gira para tentar alguma coisa. A luta termina com Bader controlando a posição, acertando mais uma cotoveladinha curta para dar um ponto final na luta. Eliot levanta-se claramente frustrado, e Bader comemora.
Como o Minota diz em sua análise: “Bader derrubou Eliot, e assim que a luta foi ao chão, Bader controlou a luta bastante.” Disso não há dúvida! Bader controlou com maestria, mas fez pouco mais do que isso. Porém, como Dana White explica, Eliot também não fez nada. Ele não se arriscou, e não tentou mudar o ritmo da luta mesmo após sentir um déjà-vu com cada takedown do Bader. A análise do Mir é bem mais ácida: “Bader usou uma ótima estratégia. Ele sabe que não é um bom lutador. É só um bom wrestler. Meus parabéns a ele por vencer a luta com suas habilidades limitadas.” Ou seja, Mir esclarece que além de mau vencedor, ele também é mau perdedor, dizendo indiretamente: “venceu, mas ainda é ruim”.
Eliot recusa-se a inventar desculpas pela derrota, e admite que Bader venceu mesmo. Porém, é um péssimo sinal quando a própria equipe dele fica calada quando ele pergunta se acham que ele ficou parado demais no chão. Eliot diz que tentou escapar e tentou se movimentar, mas não conseguiu. “Muitos diriam que isso foi puro lay ‘n’ pray do Ryan Bader. Eu diria que Ryan Bader venceu.” Uma atitude muito madura da parte dele, e espero que ele consertar seu jogo e voltar ao UFC.
A seguir temos a luta entre Phillipe Nover (4-0-1) e George Roop (8-3), que certamente será mais empolgante. Nover diz que não enfrentou muitos caras altos como o Roop, então a estratégia dele levará isso em consideração. Agora Nover sente que a pressão está toda em cima dele, já que ele lutou muito bem contra adversários difíceis. É difícil não sentir pressão quando o Dana White faz alusões e comparações com Anderson Silva e Georges St. Pierre, mas ele afasta essa pressão e não deixa que isso o afete. Minotauro diz que o Nover é o melhor striker da casa entre os leves, e vemos um pouco disso nos treinos.
Mir ainda teme a mão machucada do Roop, mas diz que isso o forçará a lutar com ainda mais raça. “Ele é casca-grossa, e se algum dia eu precisar lutar em uma guerra, quero George Roop ao meu lado, porque ele não hesitará um segundo. Ele é guerreiro em todos os sentidos.” Roop diz que ele se sai melhor quando é o azarão, então continua confiante.
Enquanto isso, Nover liga seu lado animal, como de costume. “Subtraio todas as emoções e entro no meu modo de lutador. Serei o caçador na luta.” Sempre com o visual do caçador e a caça. É uma consistência e concentração mental que dá uma clara vantagem ao Phillipe na luta. “Sou um tigre (!) e ele é um veado. Vou caçá-lo e devorá-lo, porque ele está no meu caminho.” A cara de animal dele é fascinante. Quase parece o “olho do tigre” do Huerta e do Guida na luta entre eles no Ultimate Fighter 6 Finale.
Nover parte pra cima com tudo logo no início, encurtando a distância com uma rajada de socos e derrubando o Roop. Nover cai por cima e consegue a meia guarda, mas Roop empurra a grade e consegue girar, fazendo a raspagem. Parece uma situação perigosa para o Nover, pois dizem que o Roop tem um ótimo jiu-jitsu. Porém, o Nover já caiu por baixo tentando finalizar, pegando o braço do Roop para uma kimura. Roop defende bem e empurra Nover até a grade, limitando o espaço. Mesmo assim, Nover não solta o braço e levanta-se, usando a postura e o peso para empurrar o braço do Roop para baixo, criando espaço novamente e abrindo a defesa dele de pouco em pouco. Com isso, o braço do Roop logo se solta e o Phillipe força a kimura. Roop gira para defender a finalização, mas o Phillipe impede que ele vire completamente com as pernas, e torce a kimura com o Roop dobrado ao meio até ele bater! Nunca tinha vista uma kimura funcionar dessa posição antes, porque no MMA é mais comum ver o cara só usando a kimura para fazer a raspagem daí, mas foi uma finalização linda.
“O Phillipe vira um cara mau na hora da luta,” diz o Minota. “Ele é que nem o Anderson Silva nesse sentido.” Luta impressionante para o Nover. Esteve em perfeito controle da situação, e não se descuidou mesmo quando parecia que o Roop tinha a posição mais vantajosa. “Fico feliz de poder ser parte disto,” diz o Minota. “Eu pude ajudá-los a reazlizar seus sonhos.”
Iniciando o segundo episódio desta sequência, revemos as últimas vitórias dos quatro semifinalistas restantes: o armbar do Krzysztof no Kyle, o armbar lindo do Vinny no Jules, a vitória custosa de Junie contra Rolando, e o belo triângulo do Efrain em Shane Nelson, seguido pelo espetáculo do Junie pulando dentro da jaula para peitar o Efrain e o resto da Equipe Nogueira.
A luta entre Krzysztof e Vinny é ainda mais interessante porque além de serem parceiros de equipe no programa, os dois também treinam juntos (ou treinavam) na Team Quest em Temecula, Califórnia. Vinny diz que não está nervoso, pois esperava enfrentar Krzysztof na primeira luta do programa mesmo, e agora chegou a hora. Krzysztof adapta um célebre ditado para descrever sua estratégia: “Quando um faixa-preta leva um soco na cara, vira um faixa marrom. Se levar uma boa combinação, vira faixa-branca. O plano é esse.” Krzysztof disse em alto brado que também tinha jiu-jitsu após finalizar Kyle Kingsbury, mas sabe muito bem que a estratégia dele precisa ser a trocação. É mais um capítulo no livro de confrontos entre strikers e grapplers. Krzysztof diz que a luta toda dependerá de quem for derrubado ou não, que é o mais provável mesmo.
Krzysztof leva a luta ao lado pessoal para descrever sua motivação, erguendo os punhos e dizendo: “Esta é minha esposa, e este é o meu filho, e eles vão arrebentar a cara do Vinny.” Nosso colega Vinícius não preocupa-se demais com o método, e só quer saber da vitória a qualquer custo.
A luta entre Krzysztof Soszynski (16-8-1) e Vinícius “Pezão” Magalhães (2-2) decidirá o adversário do Bader na final dos meio pesados! A luta começa e os dois circulam-se, fazendo uma análise inicial e mantendo a distância. Krzysztof acerta um bom chute na perna e alguns socos precisos, forçando o brasileiro a recuar e tentar um chute alto que parece que veio em câmera lenta. Vinny parte para cima, consegue o clinch e puxa Krzysztof para a guarda, levando a luta para seu mundo. Vinny usa a perna em uma forma de rubber guard, controlando a postura do Krzysztof e acertando boas cotoveladas na cabeça dele. O polonês parece meio perdido no chão. Krzysztof usa a explosão para levantar e tirar os braços, escapando do perigo. Voltando à luta em pé, os dois continuam na defensiva. Krzysztof acerta um jab, e Vinny acerta outro chute devagar no corpo. Krzysztof revida com chutes mais rápidos, mas eficazes. Cada chute faz um estalo, e Vinny começa a sentir o efeito deles. Os dois continuam dando voltas pela jaula, com Vinny aceitando os chutes do Krzysztof. Faltando 1:50 no round, Vinny finalmente cansa disso e parte para o ataque com socos para encurtar a distância, e se joga no chão para chamar o Krzysztof para a briga. O polonês não quer saber de ir ao chão, mas Vinny consegue o clinch e puxa-o para a guarda novamente. Vinny controla o braço direito do Krzysztof com a perna, e pouco depois gira o quadril e encaixa um lindo armbar, forçando o polonês a bater.
Krzysztof fica muito desapontado, mas de fato a luta foi como ele preveu. O vencedor foi o cara que conseguiu levar a luta ao seu mundo. Com isso, está marcado a final dos meio pesados: Vinícius “Pezão” Magalhães da Equipe Mir contra Ryan “Darth” Bader, da Equipe Nogueira!
Resta apenas uma semifinal, decidindo o adversário de Phillipe Nover na final dos leves. A luta é Efrain Escudero contra Junie Browning, onde a Equipe Nogueira terá a chance de conquistar um terceiro finalista, e Junie terá a chance de provar que é tão bom quanto diz ser. Se for pelo menos 50% do que diz ser, o Efrain corre perigo.
Porém, antes de chegarmos à luta, Junie Browning mostra-se desconcentrado. Ele diz que o timing dele está todo bagunçado, e que ele não teve tempo o bastante no tatame como tinha na academia na cidade dele. Tudo isso leva Junie a dizer: “Na verdade, acho que piorei como lutador desde que cheguei no programa.” Ele parece completamente desmotivado e passivo nos treinos. “Nem quero lutar, cara. Não tive um treino bom desde que cheguei nessa porra. Não posso lutar assim!” Ele acha que vai se dar mal na luta só porque não está treinando na academia dele, e acha melhor não lutar. Minha nossa. Justo quando achei que o Junie não poderia me surpreender mais, ele solta essas pérolas. Com todo o respeito ao lutador, isso tem cheiro de desculpa de quem quer fugir. Junie diz que está sendo finalizado em posições que não costuma ser finalizado nos treinos, e que não vale a pena se arriscar em uma luta de verdade. É uma mistura de pura insegurança da parte dele com a possibilidade dos companheiros de treino dele no TUF provavelmente serem melhores do que o pessoal com quem ele normalmente treina.
Logicamente, Mir acha que Junie é maluco, mas diz que se ele não quer lutar, fim de papo. “Não estou aqui para convencer ninguém a ser um lutador se eles não querem,” diz o Mir. Nisso sou forçado a concordar com ele. Eles são treinadores, não babás. Se o cara não tem a confiança de um lutador de verdade, não há muito a ser feito pelo Mir. O Drysdale também não entende bem o problema, e já que o Junie quer que coloquem o Shane Nelson no lugar dele, a Equipe Mir segue com essa proposta. O loirinho tem talento, mas demonstra que não tem a raça e força mental para ser um lutador neste nível por enquanto.
À noite, o papo estava rolando solto na casa, e Junie discutia as possibilidades da luta entre Vinny e Bader com o Shane Primm. De acordo com o Shane, Junie e Vinny estavam contando vantagem demais, e ele tentou defender seus companheiros de equipe e treinadores. “Não disse que Bader não tem como vencer,” diz Junie. “Mas se a luta for ao chão, Bader não vai vencer na base dos socos ou com finalizações. Vocês não tem ninguém na sua equipe com jiu-jitsu que nem o do Vinny. Nem o Nogueira.” Tudo de acordo com a personalidade do Junie, mas ele não pára por aí: “Mesmo se não vencer o programa, serei o lutador mais bem-sucedido da casa, incluindo os meio pesados. Vocês vão ver.” Shane não quer saber de discussão, e encerra dizendo: “Sou do estado que diz ‘Pode provar’,” referindo-se ao estado americano de Missouri. Por sinal, o apelido do estado supostamente veio de um político dos meados de 1900 que supostamente disse que a verborragia eloqüente e cheia de firulas do congresso não o convence ou o satisfaz. O político disse que vinha do estado de Missouri, então precisava de provas, não palavras. Shane Primm disse basicamente a mesma coisa. “Não precisava dizer nada a mim, cara. Apenas prove com suas ações.” Com isso, Junie decide mostrar alguma coisa mesmo. Ele joga sua caneca com força, que se estilhaça bem no colo do Shane. Junie pula da cadeira, dá um soco no Shane e chama ele para a briga! Vinny e Rolando separam os dois, e além de nervoso o Shane fica confuso. O cara não falou nada e o Junie já caiu em cima!
Todos os lutadores têm certeza que dessa vez o Junie vai embora. Já é a enésima chance dele de agir feito um adulto responsável na casa, e mais uma chance desperdiçada. Rolando não entende como um cara que já jogou um copo de vidro em alguém e levou um esporro do Dana White em pessoa consegue repetir a mesma façanha.
Dana White, perplexo, chama o Junie para uma conversa a sós. “Lá vamos nós de novo,” ele diz. “Não sei se você é retardado, sofre de distúrbio bipolar, ou se tem um pavor mortal de fracasso.” Diria que é uma mistura das três coisas, Dana. Como o Dana diz a seguir, o Junie claramente quer ser expulso para já ter uma desculpa no bolso. É a saída fácil. Ele é um ótimo astro de reality show, mas não sabemos se ele é um ótimo lutador de MMA. Junie prefere não perder e poder dizer “teria ganho se não fosse expulso, e blá blá blá” do que ter uma chance real de vitória. Ele diz que não consegue lidar com a pressão no programa, mas a pressão só vai piorar conforme ele avança na carreira.
Dana White não sabe o que fazer. Ele não quer dar ao Junie exatamente o que ele pediu, mas também não quer dar um mau exemplo, incentivando os outros a agirem feito idiotas. Portanto, ele deixa a decisão nas mãos dos lutadores. Efrain e o resto do pessoal dizem que preferem eliminá-lo do que deixá-lo ir embora ileso, então tudo fica por isso mesmo, e Junie terá outra chance de voltar para casa no final do programa.
“Só tem campeão neste vestiário,” diz o Minota! Chegamos ao dia da última semifinal, e a Equipe Nogueira está em polvorosa. Mir também acredita no Junie, mas tem comentários ligeiramente diferentes: “Mostre a ele que você é um filho-da-puta maluco, e que isso faz de você um excelente lutador.” Junie adiciona os comentários de praxe, dizendo que vencerá mesmo se começar a luta de costas no chão, ou se o Efrain estiver armado.
Efrain Escudero (10-0) contra Junie Browning (2-0). Junie começa a luta fazendo um alongamento só de brincadeira, e um lutador menos apegado ao “FIFA Fair Play” certamente teria aproveitado para acertar um chute bem no queixo do loirinho. Cadê o Manny quando mais precisamos dele? Enfim, Junie abre com um chute baixo rápido, mas os dois mantêm a distância e se estudam. O jogo defensivo do Efrain é eficaz, com boa movimentação dos pés e da cabeça, mas ele não ataca muito. Junie acerta um belo soco no corpo, mas Efrain aproveita a agressividade para cinturá-lo e derrubar a partir do clinch. Junie tenta levantar assim que a luta vai ao chão, mas Efrain controla-o com um headlock e mantém a luta no chão. Efrain levanta-se e acerta bons socos, dando espaço para o Junie se levantar também. Efrain e Junie trocam bons golpes até Junie incompreensivelmente tentar um takedown. Efrain mostra um ótimo sprawl, usando o peso e o quadril para defender o double leg (e logo depois, o single leg). Efrain aproveita a posição para acertar boas cotoveladas na cabeça, e boas joelhadas quando voltam ao clinch. Junie tenta alguns chutes quando eles se separam, mas já parece muito cansado. O Minota vê o cansaço do loirinho, e pede ao Efrain para manter a pressão nele. Junie tenta outro chute alto, e Efrain revida com um direto na cara. Mir grita “três golpes” sem parar, pois a estratégia combinada era de usar combinações na trocação. Efrain simula o takedown constantemente, deixando o Junie na defensiva. O round termina com os dois trocando golpes, mas o Efrain parece mais preciso e contundente.
Mir está furioso no córner, dizendo que a trocação do Junie está horrível. “No mínimo três golpes de cada vez. Três golpes!” Junie começa o segundo round tentando algumas combinações que não acertam em cheio, e depois parte para um soco giratório e um chute de savate no corpo. Os dois soltam-se um pouco mais na trocação e ambos acertam bons golpes. Efrain parece mais afiado e confortável na luta, mas Junie tem golpes mais fortes, embora continue não usando combinações de três golpes. Aos três minutos, Efrain cansa da luta em pé e derruba Junie, caindo na meia guarda. Efrain dá uma série de cotoveladas nas costelas do Junie, que defende o corpo e deixa o pescoço aberto. Junie tenta escapar, mas leva mais cotoveladas na perna e nas costelas. Aproveitando o pescoço desprotegido do Junie quando ele tenta se levantar, Efrain encaixa um D’Arce choke, forçando o Junie a bater aos 3:26 do segundo round.
Efrain quis mostrar que consegue ganhar do Junie do jogo dele, que é a trocação. “Foi arriscado, mas ele se saiu muito bem,” diz o Minota. Efrain controlou a luta basicamente do começo ao fim, com poucos bons momentos do Junie. Mir nem sabe mais o que dizer. “Junie deixou de prestar atenção aos conselhos do córner e fez o que bem entendeu. Tentar derrubar o Efrain nunca foi parte do plano,” e o Efrain fez Junie pagar por essa falha no jogo dele. Chegou a um ponto onde Mir cansou de dar conselhos que entravam por um ouvido e saíam pelo outro, e sentou-se para simplesmente assistir o resto da luta calado. Mir vê que o Junie simplesmente desistiu da luta e queria uma saída. “Ele viu o D’Arce entrando e sabia como escapar dele, mas simplesmente deixou o Efrain apertar para dar um fim à luta.” Mesmo assim, nada disso tira o mérito do Efrain, que venceu a luta com sobras, e teria vencido na decisão caso não finalizasse ali. “Foi a melhor luta da minha vida, e não poderia estar mais feliz. Disse que sairia daqui invicto, o foi o que fiz.”
Enquanto isso, Dana White assistiu a luta feliz da vida, pois “justiça foi feita”. Junie foi eliminado como um lutador, perdendo em um programa em rede nacional, ao invés de saindo rapidinho pela porta de trás.
Junie não aprendeu muito com a lição, mas no mínimo diz que ele não é tão bom quanto achou que era. Porém, Drysdale afirma que ele não precisava ter lutado daquela forma, e poderia ter vencido se desse ouvidos ao pessoal no córner. A única resposta do Junie é que os conselhos deles “não teriam funcionado mesmo”. Ele continua garantindo que teria treinado melhor em casa do que com o Frank Mir, Robert Drysdale, Alejarra e os ótimos parceiros de treino que ele teve no programa. É pouco mais do que uma desculpa fajuta, e até mesmo o Drysdale cansa disso e deixa Junie sozinho, considerando outra carreira fora do mundo das lutas. Frank Mir simplesmente sai do vestiário sem dizer uma palavra quando Junie aparece.
Já que os lutadores da Equipe Nogueira avançaram às finais, Frank Mir perdeu uma aposta que fez com o Minota! Portanto, o Minotauro raspa a cabeça do Mir, e os dois discutem as experiências do programa. Ambos dizem que foi uma experiência positiva, com a oportunidade de conhecer ótimos lutadores e fazer novos contatos. Agora, esta etapa no duelo Mir/Nogueira encerrou-se, e o Minotauro leva vantagem. A próxima etapa será no sábado que vem nas finais do programa, e tudo culminará no UFC 92, com a luta entre Frank Mir e Antônio Rodrigo Nogueira pelo cinturão interino dos pesos pesados do UFC! Agradeço a todos os leitores da coluna e ao pessoal do UFC pelo programa. Mesmo não correspondendo às expectativas de quem querem ver um programa exclusivamente sobre MMA sem pitadas de reality show, é sempre diversão garantida. Até a próxima, pessoal. Força na torcida!
“Nogueira!”