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Hexacampeão brasileiro de karatê analisa inclusão da modalidade nos Jogos Olímpicos

por: PVT
em 4 de agosto de 2016

Jayme Saldall é um dos principais nomes do karatê brasileiro - Foto: Arquivo Pessoal

Jayme Saldall é um dos principais nomes do karatê brasileiro – Foto: Arquivo Pessoal

A poucos dias do início oficial dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a inclusão de cinco novas modalidades esportivas para os Jogos de 2020, que será em Tóquio, no Japão. Entre os novos esportes estão Surfe, skate, beisebol, escalada e karatê. O PVT foi atrás de um dos maiores caratecas de nosso país para entender um pouco mais sobre a novidade. Hexacampeão brasileiro, bicampeão pan-americano por equipes e membro da seleção brasileira, Jayme Sandall possui 330 lutas em competições e também tem ligação no MMA por ser um dos treinadores de Vitor Belfort.

“A Federação escolhida se chama WKF (World Karatê Association). Ela engloba todos os estilos, mas tem que ser nas regras deles. É um karatê mais leve, mais esportivo e menos marcial. É aquele karatê só de fazer pontos mesmo, não vale nocaute. Os atletas lutam com proteção de tórax, caneleira. Essa federação foi feita realmente para entrar nos jogos olímpicos, então eles foram eliminando todo e qualquer tipo de contato mais forte para tirar a violência do karatê”, explicou Sandall.

Segundo o carateca, os principais nomes do karatê brasileiro, como a família Machida, Watanabe, Tanaka, Andrews Nakahara, Vinicio Antony, Francisco Filho, Paulo Afonso, Glaube Feitosa entre outros, fazem parte de um karatê mais tradicional, ligado à JKA (Japan Karatê Association), enquanto, no Brasil, a federação ligada à WKF é a CBK (Confederação Brasileira de Karatê).

“Só competi nessa federação uma vez. É um pouco diferente. É mais um jogo do que uma luta mesmo. Não tem exigências de lutas que o karatê que eu participo tem, que é o JKA (Japan Karatê Association), que é o karatê original japonês. Se eu fosso novinho ainda, quem sabe… Mas muita gente de outras federações vai se inscrever nela para tentar alguma coisa na olimpíada. Apesar disso, tem muita gente que não gosta muito dessa federação, como eu, porque ela é esportiva, não é luta”.

Apesar das primeiras informações, ainda falta muita coisa para ser acertada pelo COI. Portanto, regras e categorias ainda podem ser mudadas até os Jogos de 2020, como avisa Jayme Sandall.

“Isso tudo é a princípio, ainda não é certo. Não posso afirmar, mas toda a comunidade do karatê está comentando. O COI está ciente e parece que ele vai pedir ainda algumas mudanças de regras, inclusão de categoria, então nesse meio do caminho pode ser que entre alguma categoria que seja mais parecida com o karatê original, como é no judô. Então, muita coisa ainda pode mudar nesse meio do caminho”, acredita.

Atualmente o principal nome do Brasil no estilo de karatê que deve ser adotado na olimpíada é o gaúcho Douglas Brose, de 30 anos. Primeiro lugar do ranking brasileiro na categoria até 60 kg, ele possui três títulos mundiais e oito pan-americanos.