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Grandes Clássicos do Jiu-Jitsu #5: Roger Gracie x Ronaldo Jacaré

por: PVT | @portaldovt
em 1 de março de 2018

Primeiro duelo entre Roger e Jacaré aconteceu na faixa marrom – Foto: Marcelo Alonso

A série Grandes Clássicos do Jiu-Jitsu traz em sua quinta edição um confronto que marcou o esporte na primeira década dos anos 2000: Roger Gracie x Ronaldo Jacaré. Ao todo, foram cinco combates, todos em finais de absoluto, e o Gracie levou a melhor em três deles. Em 2016, o programa “Sensei Sportv” colocou os dois frente a frente para analisarem as lutas mais marcantes .

“Na realidade, ele (Roger) não tinha adversário. O único que conseguia complicar o Roger nas finais era eu. Acredito que seja porque eu nunca aceitei perder. Eu passava o ano todo, todos os dias que eu acordava, falava: ‘eu vou treinar e eu vou ganhar o Roger’”, disse Jacaré na abertura da reportagem, seguido de Roger.

“Ele sempre foi muito forte e explosivo, sempre foi rápido, muito bom de queda, até melhor do que eu, então eu já sabia que era quase impossível dar uma queda nele, então era uma luta que ele ia estar por cima de mim na guarda, e eu tinha que tomar bastante cuidado”, declarou o Gracie.

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Primeiro encontro

O primeiro duelo foi ainda na faixa marrom, na final do Mundial de 2002. Naquela ocasião, Roger ganhou por pontos. O duelo marcou Ronaldo Jacaré, que, inconformado por ter perdido as costas do rival, desenvolveu uma técnica que o ajudaria a conquistar campeonatos na faixa-preta.

“Essa minha falha foi onde eu consegui meus dois títulos mundiais, que foi quando eu peguei as costas do Roger em 2004 e as costas do Tererê na final do Pan-Americano, tudo com a pegada que eu desenvolvi por conta da derrota na marrom, que eu não consegui pegar as costas do Roger”, revelou.

Braço quebrado

A luta seguinte, já na faixa preta, no Mundial de 2004, talvez seja a mais marcante de todas, tanto para eles quanto para os fãs de Jiu-Jitsu. Vencendo por pontos, Jacaré foi pego por Roger num armlock da guarda, não bateu e acabou tendo o braço quebrado. Mesmo lesionado, continuou na luta até o fim, manteve a vantagem no placar e venceu a luta. Na reportagem do “Sensei Combate”, ele se emocionou ao relembrar o episódio, e fez uma revelação.

“Nunca consegui assistir a parte do braço quebrando”, contou. “Eu abdicava de tudo para ser o campeão, e dado o exato momento que você sofre uma lesão dessa magnitude e você se vê praticamente sem apoio nenhum, longe da sua casa, sem dinheiro e tendo que pedir favor para os outros para se tratar é bem complicado. Eu lembro de toda essa trajetória e eu fico triste pelo braço quebrado, fico triste por tudo o que eu passei. É uma carga de emoção muito pesada, começa a passar um filme pela minha cabeça”.

Roger Gracie valorizou a coragem do rival, mas até hoje acredita que foi prejudicado pelo árbitro da luta por não ter punido Ronaldo Jacaré por ter, supostamente, corrido da luta depois que teve o braço quebrado.

“O fato de dar um arm-lock nele e ele deixar quebrar, isso é fenomenal, não é qualquer um que toma uma chave de braço e deixa quebrar”, reconhece. “O braço quebrado não fez muita diferença, porque não teve luta, foi eu forçando ele sair. Como o juiz não tomava atitude nenhuma, eu tive que mudar a estratégia, mas aí já era tarde”.

Ronaldo Jacaré se defendeu revelando que costumava treinar com um braço só, o que facilitou sua sobrevivência na luta mesmo após a lesão.

“Na minha vida toda no tatame, eu sempre treinei com um braço só. Meia hora com um braço e meia hora com o outro braço. Valeram os treinamentos”.

Duas vezes Roger

Roger Gracie venceu os dois duelos seguintes, ambas em 2005. Na final do Europeu, triunfo por pontos. Na final do ADCC, além da única luta sem quimono entre os dois, também foi a única que terminou por finalização. Na oportunidade, Roger pegou as costas e, quando Jacaré ficou de pé para tentar sair da posição, encaixou um mata-leão inapelável.

“Ali nem eu acreditei. Quando vi, já falei: ‘caraca, peguei as costas. Ih! Ganhei’”, lembrou o Gracie.

Último duelo

O último capítulo do confronto aconteceu na final do Mundial de 2005, com direito à polêmica. A vitória de Ronaldo Jacaré veio após uma queda validada pelo árbitro da luta. Queda essa que, para Roger Gracie, não aconteceu.

“Na minha cabeça eu nunca perdi para o Jacaré. Infelizmente o juiz discordou da minha opinião”, lamentou. “Em 2004 foram vários erros, em 2005, foi um só, a queda, que não existiu, tanto que o juiz depois veio me pedir desculpa, ele assumiu que foi um erro dele”.

Já Ronaldo Jacaré garante que a queda realmente foi válida, e encerra exaltando o confronto.

“Já escrevemos nosso nome na história como a maior rivalidade da história do Jiu-Jitsu”.