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Grandes Clássicos do Jiu-Jitsu #4: Rickson Gracie x Sergio Penha

por: PVT
em 7 de Fevereiro de 2018

Rickson e Penha protagonizaram um dos confrontos mais marcantes do Jiu-Jitsu – Foto: Montagem

Na quarta edição da série Grandes Clássicos do Jiu-Jitsu, o PVT traz para o aficionado em Arte Suave o polêmico confronto entre Rickson Gracie e Sergio Penha, que, por 30 segundos, quase alterou um capítulo da história da modalidade. As duas lutas aconteceram no ano de 1980, na Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro, e em ambas o filho de Hélio Gracie saiu vitorioso.

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Na época, Rickson ainda não era o “01” da família, mas viria a ser dois anos depois, com a morte de seu primo Rolls. Já Sergio Penha era um faixa-roxa que vinha aterrorizando todos os adversários que encontrava pela frente e, a pedido de Hélio Gracie, foi promovido a faixa-preta pelo mestre Oswaldo Alves.

“O Serginho tinha três anos de Jiu-Jitsu, treinava na varanda da minha casa, mas como ele vinha ganhando todo mundo nos campeonatos, o mestre Hélio me pediu para dar a faixa-preta a ele”, relembrou Oswaldo Alves.

No primeiro encontro, em um domingo, Rickson finalizou com uma chave-de-braço, como relembra.

“Na realidade, lutei no peso dele para fazer um favor ao Oswaldo Alves, uma vez que eu era meio-pesado (até 84kg) e ele pesado (até 93kg). Mas, como o Oswaldo veio falar comigo que tinha um galo bom, brigador, eu me inscrevi no pesado para fazermos ‘uma festa dobrada’. Já no primeiro domingo caímos na classificatória do peso e eu o finalizei numa chave de braço”, contou o Gracie.

O segundo embate aconteceu no domingo seguinte. Só que, desta vez, numa luta muito mais disputada.

“Meu filho Rockson nasceu na terça seguinte, e eu fiquei quarta, quinta e sexta sem dormir, nem treinei naquela semana, só peguei no quimono na hora de ir para o campeonato, no domingo, para lutar a final do peso e do absoluto. No absoluto o Macarrão abriu para mim e na final do peso, assim que comecei a lutar com o Serginho, senti o gás. No meio da luta, o quimono escorregou por cima da minha cabeça, a luta parou, eu me levantei para amarrar a faixa e o Rolls me disse que faltavam três minutos, e eu já tinha tomado uns seis ou oito pontos, ele tinha passado a guarda duas vezes… Quando a luta recomeçou, eu me fiz de morto, ele veio confiante, puxei para a guarda e, quando ele veio para passar, eu reverti, caí atravessado, montei e peguei o pescoço. Ele não quis bater e dormiu”, detalhou Rickson.

Sergio Penha não confirma que era de uma categoria acima da de Rickson e revela um detalhe determinante para a virada de Rickson no segundo confronto.

“Nunca pesei 93kg. Ele tinha 82kg e eu, 83kg. Eu já tinha botado o joelho na barriga e passado a guarda três vezes, mas como era um cara muito agressivo, quis definir. Quando fui passar a guarda pela quarta vez, ele colocou o cotovelo na minha costela… não aguentei a dor, e ele acabou me raspando, montando e me finalizando com um estrangulamento. Muitos dizem que eu dormi, mas eu bati mesmo”, corrige. “Ele realmente venceu. Não sei se caso não houvesse a paralisação, ele conseguiria reverter a luta, mas o que importa é que foi uma luta bonita e movimentada. Eu venci nove minutos e ele trinta segundos”.

Já para Oswaldo Alves, a história poderia ter sido diferente.

“Nunca tinham conseguido fazer pontos no Rickson, Serginho fez 10. Faltavam 30 segundos para acabar e o Mansour parou a luta para o Rickson amarrar a faixa. Ainda ficaram abanando o Rickson por alguns minutos. Se o Mansour não tivesse parado aquela luta, teria sido a maior tragédia do Jiu-Jitsu”, destacou.

Quase 40 anos depois, Rickson e Penha seguem vivendo e propagando a Arte Suave. Enquanto o Gracie carregou a bandeira da modalidade em combates de Vale-Tudo no Brasil e no Japão antes de ajudar a difundi-lo nos Estados Unidos, o aluno de Oswaldo Alves virou um dos grandes treinadores de Jiu-Jitsu dos EUA, ajudando a afiar o chão de diversos atletas de MMA, incluindo o ex-campeão peso pesado do UFC Frank Mir.