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Em camp para estreia no UFC, Mackenzie Dern confessa: ‘A ficha ainda não caiu’

por: Leonardo Fabri
em 10 de Janeiro de 2018

Mackenzie Dern estreia no UFC em março – Foto: Instagram

O ano de 2018 mal começou e a peso-palha Mackenzie Dern já riscou um item em sua guia de metas: se tornar atleta da maior organização de MMA do mundo. O anuncio veio no segundo dia do ano, junto com a marcação do primeiro compromisso, que acontece no dia 03 de março em Las Vegas-EUA, onde enfrenta Ashley Yoder pelo UFC 222.

Para muitos, desde que a multicampeã de Jiu-Jitsu decidiu migrar para o MMA, sua contratação pelo UFC seria questão de tempo, já que sua carreira no tatame foi bastante consagrada. Em entrevista ao PVT, a faixa-preta e filha do brasileiro Wellington Megaton revelou que não foi pega de surpresa com o convite, mas confessou que a ficha ainda não caiu.

“Meus empresários já vinham conversando com o UFC e eu sabia que para entrar eu precisaria bater 52kg de novo. Bati 52kg na minha primeira luta de MMA, mas na segunda e na terceira eu não consegui bater o peso, na quarta eu fui no peso de cima, mas eu sou mesmo da categoria de baixo, e sabia que eu precisava mostrar que eu podia bater esse peso. Não era 100% certeza que eu ia entrar no UFC depois da minha última luta, mas a gente sabia que a chance era muito grande, pois a gente já estava conversando, faltava somente bater o peso e, lógico, ganhar. Enfrentei uma adversária de alto nível e mostrei que estou preparada. Não foi nenhuma surpresa (entrar para o UFC), mas a ficha ainda não caiu, ainda é surreal. Já iniciei o camp para minha luta do dia 03 de março, estou muito ansiosa, creio que será uma ótima luta e tomara que dê tudo certo”, contou a lutadora.

Confira abaixo o bate-papo completo:

Mackenzie chega ao UFC com um cartel invicto de cinco vitórias em cinco lutas – Foto: Divulgação/Legacy

PVT: Sua carreira no MMA já tem mais de 1 ano e meio. Até agora aconteceu tudo como planejado ou superou as expectativas?

Mackenzie: Na verdade até o final de 2017 eu já queria estar no UFC. Lógico, eu queria ter batido o peso todas as vezes, isso poderia ter me colocado no UFC antes. Mas acredito que nada acontece por acaso. Eu odiei a sensação de não bater o peso, mas tudo foi um aprendizado, uma experiência e entender qual dieta era melhor para mim, qual o procedimento, quais os melhores treinos. Eu sempre coloco objetivos, uma guia para eu tentar alcançá-los. Tive alguns obstáculos no último ano, como cirurgia, coisas que eu não esperava, mas nada que não faça parte da vida. Estou muito feliz com tudo o que está acontecendo, está tudo muito bem e tomara que continue assim. Talvez nada aconteça rápido, mas se eu continuar evoluindo, batendo o peso nas lutas e me sentindo bem, tudo vai dar certo.

PVT: Agora estabelecida como lutadora de MMA e parte do plantel do maior evento do mundo, quais as principais mudanças na rotina?

Mackenzie: Com certeza eu sinto que tenho muito mais olhos em mim do que tinha no Jiu-Jítsu. No Jiu-Jitsu eu representava as mulheres. Agora, além das mulheres, eu represento um esporte inteiro, uma comunidade. Eu me identifico como representante do Jiu-Jitsu no MMA. Realmente eu quero ser uma inspiração, uma referência como pessoa dedicada, não só para as meninas, mas mostrar para todos que se você acreditar, tudo pode dar certo. No Jiu-Jitsu eu lutava todo mês, toda hora, no MMA é diferente, a gente luta três ou quatro vezes por ano, e talvez essa seja a maior mudança para mim, de treinar sem motivo às vezes. No Jiu-Jitsu a gente treina todo dia, mas tudo com a motivação de lutar os campeonatos, pois toda hora tinha competição, seja Europeu, Pan-Americano, Mundial, World Pro… todo mês tem alguma coisa, então sempre treinava por algum motivo. No MMA é diferente, porque você tem que continuar treinando e evoluindo mesmo sem ter nada marcado, e é um esporte mais difícil, você toma soco na cara (risos). O desafio é manter a motivação nos treinos para não deixar de evoluir como atleta. Sei que tenho muitas coisas ainda para evoluir, como parte em pé, wrestling, trabalho na grade, meu chão para o MMA… O estilo de vida tem que ser de atleta mesmo.

PVT: Na sua opinião, qual a sua principal característica como lutadora, o que você mais gosta em você e que você confia que vá te levar longe nesta jornada?

Mackenzie: O que eu mais gosto em mim é que eu não acho que eu sei de tudo, não me acho a melhor em tudo. Às vezes sinto que as pessoas acham que eu sou melhor disso ou daquilo, mas eu mesmo nunca me acho a melhor, que ninguém pode me ensinar mais nada. Pelo contrário, sou muito cabeça aberta. Até mesmo no meu esporte, que eu faço há 21 anos, eu tenho muito para melhorar, para aprender, para evoluir. Isso me faz ser uma atleta sempre preparada para qualquer adversária. Confio em mim, confio no meu trabalho, eu acredito que eu possa ganhar de qualquer uma, mas isso não quer dizer que eu me ache a melhor, que eu sei de tudo. Na luta tem muito aquele negócio de ser o dia… Um dia que eu acerte meu jogo, minha estratégia, tudo, eu posso ganhar. A mesma coisa do outro lado. Se for o dia da minha adversária, se a equipe dela fez o dever de casa direito, ela pode ganhar. Por isso eu procuro estar sempre preparada. A menina pode não saber nada de chão, mas eu não posso dar mole, porque vai que que ela encaixa um armlock em mim… Estar com a cabeça sempre aberta para aprender e evoluir é uma das minhas principais características como lutadora. Não tenho medo de ir para frente, medo das coisas. Gosto de representar meu esporte, mas sempre quando puder eu gosto de mostrar outras coisas. Acredito que isso tudo vá me levar longe nesse esporte, ser uma lutadora completa, porque para ser campeã do UFC não se pode ter só um ponto forte, pois a gente luta contra tanta gente de estilos diferentes, que não adianta você ter só um estilo.

PVT: Se você tiver que fazer um ranking das melhores lutadoras da sua categoria, como seria este ranking?

Mackenzie: O ranking é do jeito que está mesmo. A Rose é a campeã, ela é sinistra, perigosa em vários aspectos e merece o lugar em que está. A Joanna também é muito sinistra e perigosa, é muito boa em pé e defendeu muitas vezes o cinturão. O terceiro fica entre a Jéssica Bate-Estaca e a Claudia Gadelha. A última luta delas foi muito boa. Conheço a Claudia Gadelha do Jiu-Jitsu, ela fez duas lutas duras contra a Joanna, então ela pode ser a terceira junto com a Bate-Estaca.

PVT: O que você já sabe sobre a sua adversária?

Mackenzie: Eu sei que ela tem cinco vitórias e duas derrotas, as duas no UFC, e das cinco vitórias dela, quatro são por finalização, então ela é mais grappler do que striker. Mas isso é um trabalho da minha equipe. Eu escuto muito a minha equipe, deixo o estudo para eles e eles me falam o que eu tenho que melhorar, o que eu preciso trabalhar. Vai ser um prazer lutar em Vegas pelo UFC, vai ser irado

PVT: Já se imaginou lutando em uma edição do UFC no Brasil

Mackenzie: Eu ia adorar, seria uma honra. Mas lógico, contra uma gringa (risos). Gostaria de representar o Brasil com a minha parte brasileira, não lutar contra outra brasileira (risos). Mas seria uma honra poder lutar para a minha família no Brasil, meus amigos, meus fãs… Eu tenho o Brasil no meu coração. Se Deus quiser, vai acontecer.