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Com 45 anos de Judô, faixa preta comenta alteração nas regras da modalidade: “Deve melhorar tecnicamente a luta”

por: PVT
em 13 de março de 2017

Glaucio Bernardes é um respeitado faixa preta de Judô - Foto: Arquivo Pessoal

Glaucio Bernardes é um respeitado faixa preta de Judô – Foto: Arquivo Pessoal

Esporte que já rendeu 22 medalhas olímpicas ao Brasil, o Judô inicia 2017 com novas regras, como por exemplo no sistema de pontuação, extinguindo o yuko e possibilitando a pontuação apenas através do waza-ari e do ippon. Além disso, o tempo de luta em duelos masculinos passa de cinco para quatro minutos, assim como já era no feminino. Filho do ex-treinador da seleção brasileira e mestre de Flavio Canto e Rafaela Silva, Geraldo Bernardes, Glaucio Bernardes, que hoje dá aula na academia KS, na Barra da Tijuca, bateu um papo com o PVT e falou sobre a principal alteração.

PVT: Glaucio, como você vê a alteração do sistema de pontuação do Judô. O que pode melhorar?

Glaucio Bernardes: Antigamente só valia waza-ari e ippon, por isso criaram o yuko e o koka justamente para se ter mais pontuação durante as lutas para não ficar uma coisa monótona. Mas, como ponto negativo, as pessoas não se aperfeiçoaram para aplicar o golpe perfeito, que é o objetivo do Judô. Então, tecnicamente o Judô deu uma caída. Agora, voltando a ter só waza-ari e ippon, deve melhorar tecnicamente a luta”, explicou o judoca.

PVT: Hoje existe uma necessidade do atleta se dedicar tanto nas aplicações e defesas de quedas quanto na sequência no solo?

Galaucio Bernardes: O Judô vem crescendo progressivamente com a luta no chão. Acabou esse mito de que Judô é em pé e Jiu-Jitsu é no chão. Hoje em dia, se você não for um bom lutador em pé e no chão, você não tem longevidade nos campeonatos. Cada vez mais a gente tem que treinar, a gente tem que se adequar às novas regras. Hoje em dia, se você saiu da área, a luta continua. Então, se você não ficar esperto, você é pego. Então, ou você pega ou você é pego.

PVT: O Flavio Canto é um dos nomes formados pelo seu pai com o seu auxílio. O que fez dele ser um fenômeno da modalidade?

Glaucio Bernardes: O Flavio Canto foi cria minha e do meu pai lá do Clube Marapendi, onde a gente fez um trabalho de mais de 20 anos. Nessa época só se tirava bons talentos de comunidades carentes e o Flavio Canto veio para desbancar isso. O caso dele foi atípico. Um cara de uma condição financeira muito boa, mas com força de vontade, embora tenha entrado tarde, aos 14 anos no Judô. Aos 19 ele já estava na seleção brasileira. Méritos dele, que se dedicou bastante. Lembro que ele ia domingo na minha casa para pegar a chave do dojo para treinar.

PVT: Podemos dizer que o Flavio Canto é o dono do melhor jogo de solo do Judô?

Glaucio Bernardes: Realmente um fenômeno. O Flávio, se fosse atleta hoje em dia, certamente estaria lutando pelo ouro olímpico. Não tenho dúvidas de que, no Brasil, o Flávio foi o melhor lutador de chão no Judô. Se tratando de mundo, ele certamente está entre os cinco maiores. Tanto que ele tinha o apelido de “Areia Movediça”, pois bateu no chão com ele não levanta mais.

PVT: Por falar em Flavio Canto, hoje o Instituto Reação é a principal escola da modalidade?

Glaucio Bernardes: Esse trabalho é muito legal. Meu pai já fazia e o Flavio Canto começou com o Instituto Reação, então eles uniram forças. Meu pai já tinha o trabalho na Cidade de Deus e juntou com o que o Flavio Canto tem na Rocinha, além de mais quatro polos. Hoje em dia a gente domina o Rio de Janeiro em termos de quantidade e qualidade dos atletas. As principais escolas são Instituto Reação, Flamengo e Gama Filho, que é a escola dos mais antigos.

PVT: Hoje você dá aula na KS, que fica na Barra da Tijuca. Recentemente a academia inaugurou uma área de cerca de 1000m².

Glaucio Bernardes: Estou há cinco anos na KS. Antes era um espaço apertado, mas agora eles nos presentearam com esse centro maravilhoso. O Rio de Janeiro só tem a ganhar com esse centro de lutas.