Qui, 26 de Julho de 2012 11:52

Sarafian abre o jogo sobre TUF, carreira, UFC e esclarece polêmica com Babalu

  PVT
Foto: Divulgação UFC
Sarafian se recupera de cirurgia no braço
Sarafian se recupera de cirurgia no braço

Daniel Sarafian já era conhecido de muita gente antes de fazer parte do time de Vitor Belfort na primeira edição do The Ultimate Fighter Brasil. Mas o seu sucesso dentro do reality show alavancou a sua popularidade, e, além da fama, o paulista conseguiu chegar à final do programa, que, infelizmente não pôde participar devido uma lesão no braço. Ainda se recuperando da contusão, Sarafian concedeu uma entrevista exclusiva ao PVT, na qual abriu o jogo sobre diversos assuntos importantes e polêmicos.

Nascido em uma família com boas condições financeiras, Sarafian revela que teve que superar a desconfiança para chegar aonde chegou, falou de uma possível luta contra Cezar Mutante, da amizade entre os dois e da polêmica envolvendo Renato Babalu, com quem teve um imbróglio dentro do reality e a possibilidade de uma luta entre os dois.

"Agora ele está fora do UFC. E para lutar comigo ele vai ter que baixar para 84 kg, já que ele está lutando até 93 kg. Mas eu luto com quem o UFC colocar. Quero ser um grande campeão no futuro e para isso tenho que enfrentar qualquer um que o UFC decidir. Estou aí para lutar", revelou Sarafian.

Outro assunto muito debatido enquanto ainda rolava o TUF foi a luta entre amigos. Sarafian é amigo e companheiro de treinos de Demian Maia há tempos, e falou da possibilidade de enfrentá-lo.

"É difícil falar disso. Cheguei ao cinturão e ele está com o cinturão...Acho que está todo mundo nesse mundo para ser campeão. Acho que a gente ia tirar da melhor maneira. Acho que ele não ia se importar. Eu tenho essa visão, mas conhecendo o Demian, acho que ele tem o mesmo pensamento", explicou.

Confira a entrevista completa abaixo:

PVT: Vai rolar a luta contra o Mutante no UFC Rio?

Daniel Sarafian: O UFC Brasil em outubro eu não vou lutar. Ainda estou em recuperação, depois vou precisar de um tempo para treinar. Se acontecer outro UFC no Brasil até o final do ano ou no começo do ano que vem, eu acho que tem grandes chances de acontecer. O UFC vai jogar pela expectativa da galera, então eu acho que tenho grandes chances. É uma coisa que mais cedo ou mais tarde vai acontecer, por a gente estar na mesma categoria.

PVT: Como foi a repercussão do TUF? Algum fato te marcou após a sua saída da casa?

Sarafian: Na verdade o meu dia-a-dia na rua, muita gente me conhece, eu já estava percebendo, mas o marcante mesmo foi em Belo Horizonte,quando eu apareci no telão e o ginásio todo aplaudiu. Ali eu me dei conta do tamanho da repercussão. Ali eu me dei conta do tamanho da repercussão. Ali eu fiquei emocionado. Antes eu não tinha noção. Ali eu caí na real da proporção da exposição do TUF.

PVT: Você já treinou com grandes nomes antes mesmo do TUF. Tem como citar alguns nomes?

Sarafian: Já treinei com o Minotauro, Minotouro, Cigano, Maurício Shogun, Demian Maia, já treinei duas vezes com o Anderson Silva, na American Top Team com Thiago Pitbull, Thiago Silva, Hector Lombard, Pezão. Tive chance de treinar com muita gente diferente.

PVT: Assim como o Lyoto, você faz vários tipos de camps em locais diferentes. O que você mais aprendeu com as experiências?

Sarafian: Foram muitas, mas a que eu ressalto bastante é a confiança que eu adquiri para poder ser um bom lutador. Eu tirava parâmetros. Poxa, hoje eu treinei com o Rodrigo Minotauro, com o Rogério..São coisas que eu sempre me perguntei. Será que vou ser alguém? Aí eu me respondia, que se treinei com nomes, estou apto a lutar por aí com outros caras. Acabei de treinar com o melhor. Além das habilidades que eu aprendi.

PVT: Diferente da maioria, você não passou dificuldades financeiras na infância, vem de uma família com uma boa condição financeira. Sofreu algum preconceito com isso?

Sarafian: Isso foi uma das maiores vitórias que eu tive. Tem muita gente que chegou mais rápido que eu, muitos achavam que por eu ter uma condição melhor não chegaria, te confesso que esta dúvida me atrapalhou um pouco. Cheguei a pensar nas dúvidas do tipo: "Mãe, será que eu continuo com isso ou vou trabalhar lá com a família?" São dúvidas impostas no dia a dia. Eles querem seu bem, mas acabam fazendo, sem querer, o mal para você. E eu bato neste ponto. Demorou um pouco. Mas foi uma grande vitória. Eu abri mão de muitas oportunidades para chegar aqui. Era um risco. Depois não ia ter como voltar atrás. Mas a vida só andou quando eu realmente decidi. Preconceito, não senti, mas senti que por eu ser diferente em outros lugares, parecia que eu era desacreditado: "Esse moleque aí tem tudo, não vai chegar em lugar nenhum". Parece que para chegar a algum lugar você precisa não ter nada. Com isso eu sofri. Na verdade muitas vezes me criou dúvidas. Quem não está preparado pode cair na armadilha.

PVT: O que você mais aprendeu quando estava no TUF?

Sarafian: O que eu mais aprendi foi o autoconhecimento. Lá você fica numa prisão psicológica, que faz você realmente pensar. O que você mais usa lá é a cabeça, e é o mais difícil de controlar. Você tem que se vigiar, porque a pressão é muita e você não pode perder o foco. O jeito que a equipe lhe dava com a gente. A liderança do Vitor ajudou, deu uma paz.

PVT: Qual foi a principal diferença entre os treinos dos times azul e verde?

Sarafian: Não presenciamos treinos deles e nem eles presenciaram treinos nossos. Mas a gente soube treinar da maneira adequada, no tempo adequado. A gente treinava para manter o condicionamento. Não era interessante matar o atleta lá dentro, porque a pressão era muita. O desgaste emocional era alto. Treinávamos 25 minutos. Tinha hora que eu tinha que me estimular para treinar, porque já estava saturado. A gente treinou na proporção certa. O time azul treinava dois períodos, e agente treinava apenas um, por opção nossa. Para mim isso foi fundamental.

PVT: Houve uma polêmica dentro da casa envolvendo você e o Babalu. O que realmente aconteceu?

Sarafian: Você tem um dia a dia, pessoas, conversas. O Renée Forte estava comentando a tática que ele tinha para lutar comigo e qual foi a tática que o Babalu falou para ele, que disse que eu tinha uma guilhotina perigosa. Aí eu falei para o Renée que não lembrava de onde o Babalu ter presenciado este golpe. Mas aí lembrei que eu já tinha treinado com ele, aí falei que pode ser que eu tenha encaixado uma guilhotina nele. Mas mesmo se eu tivesse afirmando, tinha todo um contexto de uma conversa. Não cheguei lá ele falei que eu peguei o Babalu, querendo me gabar. Mas o Renée levou isso ao Babalu e ele se precipitou e veio tirar satisfação comigo. Para mim ele veio de maneira errada, colocando o dedo na minha cara, falando que ia me meter a porrada. Chegou um momento que o pessoal veio separar. Ficou uma situação meio ruim. Mas eu superei, não estou nem aí para isso. Para mim é caso superado, acabado.

PVT: Algumas pessoas no fórum chegaram a cogitar uma luta sua contra o Babalu. O que pensa disso?

Sarafian: Agora ele está fora do UFC. E para lutar comigo ele vai ter que baixar para 84 kg, já que ele está lutando até 93 kg. Mas eu luto com quem o UFC colocar. Quero ser um grande campeão no futuro e para isso tenho que enfrentar qualquer um que o UFC decidir. Estou aí para lutar.

PVT: Você é mais baixo que a maioria dos atletas que lutam na sua categoria. Já falaram com você sobre a possibilidade de descer para 77 kg. O que você pensa disso?

Sarafian: Por enquanto eu vou ficar de 84 kg. Não sinto a vontade de descer. Estou tendo bons resultados. Sei que o nível muda dentro do UFC. Mas já treinei com atletas de nomes. Grandes campeões e literalmente mais pesados. Se eu sentir a necessidade eu posso descer. Sou mais baixo, mas me sinto mais forte. E tem aquele negócio. Eu sou diferenciado, porque o cara que é grande na categoria, geralmente é da mesma estatura que o adversário, logo, sou diferente. E é difícil ter cara baixo nesta categoria. Eu tenho mais treino. Todo mundo que eu treino tem a estatura mais alta que a minha. Me sinto estranho quando luto com alguém mais baixo que eu. Aí eu me sinto esquisito.

PVT: Outra polêmica do TUF foi a luta entre amigos. Você é um grande amigo do Demian Maia. Aceitaria uma luta contra ele?

Sarafian: É difícil falar disso. Cheguei no cinturão e ele está com o cinturão...Acho que está todo mundo nesse mundo para ser campeão. Acho que a gente ia tirar da melhor maneira. Acho que ele não ia se importar. Eu tenho essa visão, mas conhecendo o Demian, acho que ele tem o mesmo pensamento. Mas agora ele está em outra categoria e isso dificilmente vai acontecer. E também não faço questão de lutar com ele.

PVT: Você disse que nocautearia o Mutante quando estavam dentro da casa. Como é a amizade de vocês?

Sarafian: Eu disse que teria a chance de nocautear. Continuo achando que tenho chance de nocautear ou finalizar. Se eu vou ou não, vou ter que treinar e lutar para tirar isso a limpo. Mas é pelo lado profissional. Pelo lado pessoal eu fiz uma boa amizade com o Mutante, realmente gosto dele, de verdade. A cabeça da gente se encaixava muito lá dentro. Ele é solidário e ajuda todo mundo.

 

  

 

 


 
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