O hoje diretor executivo e fundador de uma das mais famosas das marcas de MMA do mundo, a Pretorian Hard Sports, curiosamente há seis anos nunca havia treinado nenhum tipo de luta. Em entrevista ao site americano MMA Junkie, o uruguaio Ruy Drever contou que era um empresário do ramo de eletrônicos que olhava com descrédito para os esportes de combate, como muitos ainda o fazem. Porém, um amigo fez o escalador de montanhas questão de que ele mudasse de idéia.
“Um amigo meu me disse: ‘Você tem energia, acho que precisa treinar artes marciais’. Então eu disse: ‘Cara, eu não quero me machucar, e ouvi dizer que você pode quebrar o nariz e tal”, contou Drever, confessando: ‘É uma visão antiga, típica de uma pessoa que nunca esteve no esporte. Meu amigo insistiu muito, e comecei a fazer umas aulas de boxe”, disse Ruy.
Há muito tempo morador do Brasil, Drever foi então tocado pela aura paira sobre a terra natal do vale-tudo: “Eu nunca tinha colocado um par de luvas antes. Bastou uma aula de boxe para eu ficar completamente apaixonado por lutas”, derrete-se Drever.
Ruy então mergulhou de cabeça no esporte. Com as finanças seguras devido aos negócios de família no ramo de eletrônicos, o empresário se mudou de seu apartamento para uma casa, onde construiu sua própria academia, e começou a treinar. E logo surgiu a idéia de investir em novo ramo.
“Eu treinava todo dia. Boxe, muay thai e jiu-jitsu. Fiz isso por dois anos, sem parar. Comecei a frequentar lojas de esportes no Brasil, e vi que os equipamentos de MMA eram de pouca qualidade, havia um marketing fraco e os produtos eram muito caros. Então pensei em melhorar as qualidades desses equipamentos e trabalhar com algo que era minha paixão. Eletrônica era meu trabalho, mas não era apaixonado por aquilo”, disse Ruy.
Foi aí que nasceu a Pretorian Hard Sports, que rapidamente se expandiu pelo país. Drever chegou a fazer um desafio: “Disse para os vendedores colocarem meus produtos nas lojas. Se não vendesse, que me devolvessem tudo, não precisariam pagar nada. Dei a eles 365 dias para me pagarem caso vendessem. Acreditei no produto, e comecei a vender muito bem, em grande escala. Seis meses depois, todas lojas esportivas batiam na nossa porta”, conta um orgulhoso Drever.
Mas o “boom” da empresa aconteceu recentemente. A Pretorian contratou 170 novos funcionários, e cresceu 170% em 2011, segundo Drever. Além disso, o patrocínio ao UFC colocou a logomarca na vitrine do melhor evento de MMA do mundo. A Pretorian também conta com uma lista de atletas patrocinados, dentre eles Júnior Cigano e José Aldo. Atualmente está disponível apenas no Brasil, mas há negociações com o mercado europeu e americano.
“Queremos ser a melhor e maior marca de equipamentos de MMA do planeta. Acreditamos que tenhamos produtos que nenhuma outra marca tenha. Estamos trabalhando duro para isso, investindo muitos recursos”, garante Drever.
Como a expansão da Pretorian pelo mundo, Drever tenta arrumar espaço na agenda para seguir um princípio da retribuição, sob o qual foi criado: “Estou muito interessado em investir em projetos sociais. Principalmente vivendo num país como o Brasil, que hoje está ficando muito melhor, mas onde há tanta desigualdade social. Isso realmente me incomoda, e não consigo pensar em um negócio sem pensar em como ele ajudará outras pessoas na sociedade. Com a Pretorian, hoje temos cerca de 10 projetos sociais em curso em favelas no Rio de Janeiro e São Paulo”, disse Drever.
Ruy, através da Pretorian, tem ajudado na criação de instalações de treinamento de luta em algumas favelas no Rio de Janeiro e São Paulo. A empresa também destinou recursos financeiros líquidos para ajudar aqueles que precisam. Ruy teve uma infância privilegiada, e não consegue esquecer de uma cena vista ao visitar uma comunidade.
“Na primeira vez em que fui a uma favela, vi criancinhas jogando futebol na rua, sem pavimento, nada. Apenas sujeira. Eles foram chutar uma bola que foi literalmente feita de tecido costurado, como jeans ou algo parecido, e ela caiu no esgoto a céu aberto. O garoto foi lá, pegou a bola, sacudiu, colocou no chão e todos voltaram a jogar. Pensei: ‘Meu Deus, o que está acontecendo neste lugar?!’”, conta Ruy.
Além de ajudar crianças carentes, Drever comprometeu recursos financeiros para ajudar em São Paulo um ex-criminoso que conheceu através de um amigo da família, auxiliando na sua educação e treinamento para que ele ajudasse a conduzir o projeto.
“Patrocinamos o programa financeiramente, e oferecemos a Fábio uma formação. Ele era viciado em crack, fumava todo dia. Era traficante de drogas, passou 10 anos na cadeia. Saiu e voltou para sua comunidade, e viu garotos que brincavam num lixão. Algumas crianças de alimentavam do lixo. Quando caminhões chegavam, as crianças corriam para o lixo fresco. Quando ele voltou para sua comunidade e viu aquilo, mudou completamente. Estamos oito anos nesse projeto, e tem sido maravilhoso ajudar essas pessoas”, contou Ruy.
Recentemente, Drever iniciou um outro projeto, onde presidiários aprendem lutas, aumentando a possibilidade de obter uma oportunidade ao saírem da cadeia, como contamos em nota no PVT: “Acabamos de abrir 10 centros de treinamento em 10 cadeias aqui no Rio, dentro do Complexo Penitenciário de Bangu. Doamos todo o equipamento. O critério para eles treinarem é ter bom comportamento”, condiciona Drever, completando: “Os presos ganharão um certificado após certo número de aulas. Eles sairão da cadeia com esse diploma, que os permitirá conseguir um emprego numa academia que acolha os beneficiados por esse programa”, explica o empresário.







