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Artigo: criatividade nas aulas de lutas e artes marciais

por: PVT | @portaldovt
em 14 de setembro de 2018

Jorge Columá fala sobre a importância das atividades lúdicas nas lutas. Eduardo Ferreira

*Muitas das vezes atribuímos a criatividade de um atleta a uma qualidade inata ao mesmo, e neste sentido espera-se que outros praticantes também tenham o mesmo comportamento criativo. Porém, o que queremos enfatizar neste artigo é que a criatividade é um elemento treinável e deve ser elencado entre os fundamentos de um atleta.

Quanto aos exercícios para estimular a criatividade, podemos aplicar situações problemas e trazer os alunos a solucionar os mesmos, como exemplo, podemos colocar um aluno na posição de guarda e pedir para os colegas tentarem ultrapassar a guarda do mesmo, e sempre pedir para não repetir o movimento, tentando estimular a descoberta de novos movimentos.

Um exemplo de atividade bem atrativa pode ser um pique cola em que, quem ficar colado, fica na guarda e para descolar o colega faz uma passagem. O colega que ficar na guarda deve facilitar a passagem e os próximos colegas que forem descolar não poderão usar a mesma passagem. Neste sentido os alunos serão obrigados a pensarem em outras formas de passar a guarda do colega colado. O professor poderá pedir para os alunos pensarem em casa outras possibilidades de passagem de guarda e apresentar na próxima aula.

Atividades como esta, além de estimular a criatividade, permite o desenvolvimento cognitivo e afetivo dos alunos. Podemos desenvolver esta qualidade a partir de atividades estimulantes, lúdicas e desafiadoras, aplicadas as diferentes lutas e artes marciais. Quando desafiado o aluno resolverá respostas para as diferentes perguntas motoras ou cognitivas, despertando então diferentes possibilidades de respostas para situação de luta. Afinal, existem momentos em um tatame, ringue ou octógono em que o atleta deverá escolher o que fazer, mudar a estratégia ou executar algum movimento inusitado a fim de alcançar a vitória.

Isto é a criatividade, uma qualidade treinável e não ocasional, fruto do acaso ou sorte, utilizando uma máxima bastante conhecida: quanto mais você for estimulado em seus treinos a ter criatividade, mais “sorte” você terá.

Jorge Columá é Dr em Educação Física, coordenador pedagógico da Team Nogueira / Instituto Irmãos Nogueira, Professor da disciplina de Lutas da UNISUAM. Confira esse e outros textos em www.jorgecoluma.com.br