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Após frustrações no UFC e no Bellator, Diego Nunes fecha com o Rizin para tentar fazer história no Japão: ‘Das cinzas à glória’

por: Leonardo Fabri | @Fabri89
em 13 de março de 2018

Diego Nunes agora integra a Evolução Thai – Foto: Arquivo pessoal

Em 2010, quando o UFC anunciou a incorporação do WEC, Diego Nunes era uma das apostas brasileiras na categoria dos penas, mesmo, na época, sendo um dos parceiros de treinos do então campeão José Aldo. Sem conseguir corresponder às expectativas, “The Gun” acabou sendo cortado da organização em 2013. No mesmo ano, assinou com o principal concorrente do Ultimate, o Bellator, mas acabou demitido depois de duas derrotas consecutivas e alguns problemas burocráticos.

As coisas pareciam que iam melhorar no final de 2014. Depois de nocautear o ex-Pride Joachim Hansen no segundo round, Diego Nunes conquistou o cinturão do evento sueco Superior Challenge. Entretanto, apesar da vitória, o brasileiro sofreu uma séria lesão no joelho durante a luta, o que lhe afastou dos cages por quase dois anos. Em seu retorno, já em 2016, nova derrota: nocauteado por Rasul Mirazev no evento russo Fight Nights Global.

As coisas só voltaram a melhorar no ano passado. De volta ao Brasil depois de passar os últimos anos na China, Diego Nunes reencontrou a boa fase na curitibana Evolução Thai. Desde a sua chegada, já foram três vitórias consecutivas, todas na Europa: Itália, Suécia e Romênia, respectivamente. Agora, aos 35, o gaúcho de Caxias do Sul tenta seguir os passos do “padrinho” Wanderlei Silva no Japão, onde enfrenta a sensação japonesa Yusuke Yachi na 10ª edição do Rizin FF, que acontece no dia 06 de maio.

Confira abaixo a entrevista com Diego Nunes:

PVT: Para quem não tem notícias do Diego Nunes desde a época do UFC, o que aconteceu nesse período entre a sua saída do UFC, passando pela China, agora treinando na Evolução Thai?

 Diego Nunes: Até então, estava tudo bem, mas a situação ficou difícil no final de 2014. Eu estava morando em Hong Kong, e bem estabilizado financeiramente, pretendia seguir minha carreira na Ásia. Nesse período, eu disputei um título na Suécia contra Joachim Hansen, rompi o ligamento cruzado anterior e venci a luta. A partir desse momento, todos os meus planos mudaram. Fiquei dois anos sem poder treinar em uma grande equipe, tive complicações para operar e não pude focar na minha carreira. Foi um momento muito difícil para mim, eu via minha idade avançando e meus sonhos profissionais sendo adiados. Eu só pude retornar no começo de 2017, quando entrei na Evolução Thai. Para mim foi um recomeço! Como aquele jovem que aos 24 anos estava chegando no Rio de Janeiro, cheio de disposição, agora estou aqui em Curitiba, vivendo situações parecidas e na mesma pegada. Isso já tem me trazido frutos, como aqueles que comecei a ter 11 anos atrás.

PVT: Voltando no tempo, por que você acha que não rendeu no UFC? Acha que, na época de Nova União, você foi injustiçado por ser da mesma equipe que o campeão (José Aldo)?

Diego Nunes: Eu já trabalhava com a Zuffa há 3 anos, desde o WEC, e depois foram mais 3 anos com ela no UFC. Foi uma vida meio curta, porém bem sucedida. Logo de cara fui jogado com os leões, lutei com o top five dos pesos-penas do mundo, cheguei a uma luta de disputar o cinturão. Eu saí (da Nova União) por outros motivos que não tiveram nada a ver com as minhas atuações no cage, foram problemas extra oficiais. Tudo é uma fase, tudo é um momento e um aprendizado. Nós estamos aqui para aprender ajudando e sendo ajudado. Eu aprendi muito lá na Nova União e tive grandes experiências, que me ajudaram nas minha lutas e carreira. Não tenho do que reclamar, eu sou um cara bem resolvido. Hoje eu enxergo com esses olhos. Aproveitei ao máximo cada momento que passei tanto no UFC quanto na Nova União e agradeço pelas oportunidades que tive trabalhando com eles.

PVT: Qual a expectativa para lutar no Rizin? Sabemos que muitos brasileiros se tornaram ídolos mundiais no Japão.

 Diego Nunes: Conheci todos os que alcançaram o sucesso lá e sei o que eles fizeram para isto acontecer. Eu tenho o maior exemplo de todos ao meu lado neste momento, o Wanderlei Silva, que treina comigo na Evolução Thai. Eu sei que muitas pessoas vão duvidar, mas elas não conhecem pessoalmente a minha história. A verdadeira história de um homem contraria a opinião alheia. Basta eu acreditar, só eu acreditar que eu tenho capacidade de ser campeão do Rizin e me tornar uma grande estrela no Japão. Eu vou fazer isso acontecer! Minhas expectativa são as melhores, eu tenho tudo para ir lá e ser bem sucedido.

Diego Nunes fechou com o Rizin graças à influência do ídolo no Japão Wanderlei Silva – Foto: Arquivo pessoal

PVT: O André Dida disse que o Wanderlei Silva abriu as portas do Japão para você. Que responsabilidade!

 Diego Nunes: Creio que o primeiro a me ajudar foi o próprio André Dida, que vê o meu trabalho e acredita nesse trabalho que estamos desenvolvendo juntos. E foi através do nosso grande ídolo Wanderlei Silva que as portas se abriram para mim no Rizin. Serei pra sempre grato pelo que ele fez por mim e por acreditar no meu potencial. Não é só uma pessoa acreditando em mim, é toda uma equipe. E isso é forte. Um homem bem estruturado certamente irá longe. Eu sou esse homem agora. Obrigado, Wanderlei Silva e Evolução Thai, por tudo o que vocês têm feito por mim.

PVT: Você já chega enfrentando o atual campeão do torneio. Qual a sua expectativa para a estreia?

 Diego Nunes: A melhor possível, não poderia ser diferente. Os japoneses valorizam muito os grandes combates, não tem essa de proteção. Eles casam as lutas mais empolgantes . Quando eu soube do oponente, fiquei muito motivado. Sei que ele é o peso leve número 1 do Japão neste momento. Quando eu ganhar dele, então, eu serei o peso leve número 1 do Japão. Eu o respeito muito como atleta, mas agora é a minha chance, é a minha vez. Todo mundo tem algumas grandes chances na vida, esta é a minha hora! Eu não estou aqui para ser escada, eu estou aqui para quebrar a banca e fazer história naquele lugar.

PVT: Qual a diferença daquele Diego considerado promessa do UFC para o Diego de hoje, mais maduro?  

Diego Nunes: Como você mesmo disse na pergunta: “maturidade”. Ela faz você alcançar o conhecimento necessário para se obter um sucesso mais efetivo. Você consegue elaborar melhor os caminhos que você precisa seguir. Hoje eu só não acertarei o alvo para ser bem-sucedido na minha carreira se eu não quiser. Agora eu conheço esse caminho como a palma das minhas mãos. Hoje minha mente é blindada, por isso que eu adquiri uma cabeça de campeão!

PVT: Quais os planos do Diego Nunes daqui para frente? Carreira no Japão? Ainda pensa em UFC?

Diego Nunes: Meus planos são simples: passo a passo, viver e aproveitar o máximo esse momento, obtendo o maior número de bons frutos possíveis. Primeiro ganhado Yusuke Yachi. Me tornar campeão do Rizin até o final deste ano é a minha única meta neste momento. Depois, os meus resultados me levarão aonde eu devo estar. Como eu disse no início, pouca gente conhece minha vida pessoal, não sabem pelo que eu passei nesses últimos anos, eu sou um verdadeiro guerreiro, por isso eu mereço o melhor. Pouca gente passa por tudo o que eu passei, resiste e consegue se reinventar. Eu ressurgi das cinzas direto para a glória!