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Aldo e o atual cenário do MMA: “Fui criado de outra maneira, mas temos que nos adaptar”

por: Leonardo Fabri
em 12 de abril de 2017

Um dos grandes da história do MMA, José Aldo, assim como a maioria dos lutadores brasileiros, tem uma postura forjada nas artes marciais, ou seja, disciplinado e respeitador. Entretanto, ele parece ter cedido à cultura atual do esporte, baseada em provocações fora do octógono. Na coletiva de imprensa dessa terça-feira, o campeão dos penas disse já ter se adaptado.

“O que move é o dinheiro. Os atletas têm que entender esse lado. Eu, particularmente, não gosto, fui criado de outra maneira. O Dedé, quando me fez o atleta que sou, não foi dessa maneira, mas, como te falei, temos que nos adaptar. Querendo ou não, é bom ter dinheiro no bolso. Promoção tem que acontecer, isso vem desde a época do boxe, com provocações, é normal, mas cutucar não é do atleta brasileiro. Não é nosso perfil provocar, temos respeito, mas os atletas brasileiros têm que entender que tem que ser assim e dar uma provocada”.

A encarada com Max Holloway foi branda e os dois até se cumprimentaram, mas José Aldo rechaçou uma aproximação do adversário, que lhe presenteou com uma bola de futebol. O brasileiro aceitou o presente, mas não esboçou qualquer sorriso.

“A troca de farpa é ótima pra mim, isso que vende. Essa é uma geração totalmente diferente de quando comecei. Quando comecei, eram lutadores que tinham respeito à filosofia da luta. Hoje em dia tem o lutador Nutella e o real. Hoje em dia está uma palhaçada. Se você não falar, provocar, não luta com ninguém, só fica pra trás. O ranking não serve de nada, o que serve é falar, provocar, vender a luta. O que move hoje em dia é o dinheiro. Isso para mim é normal. Gosto disso. Na minha penúltima), ganhei bastante dinheiro. É nisso que penso hoje em dia. Quero ser o campeão que sempre fui, tenho a minha honra e respeito, tudo que aprendi, mas não vale mais a pena ser o bom mocinho, o verdadeiro campeão. O negócio é xingar, falar. Os atletas sabem o que acontece por trás, as declarações de cada um por trás, mas é muito mais fácil chegar na mídia e vender. Se eu falar que quero o Pacquiao já gera manchete, vira uma bola de neve, só tem a crescer. Quanto mais falarem, para mim é ótimo, faz a luta ser grande. Aqui no Rio, pode ter certeza que será casa cheia, lutar aqui é especial, mas tem que ter provocação. Agora são os atletas que casam a luta. Se chegar e xingar, é a luta que vai acontecer. Quando termina a luta, cada um segue para o seu lado e com dinheiro no bolso. Tem que xingar a mãe do outro, a porra toda, que é o que vai dar dinheiro”.